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5 perguntas para Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A.

5 perguntas para Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A.

CEO da Veste S.A. revela os bastidores do crescimento da empresa, as estratégias phygital para 2026 e como competir com o fast fashion no mercado premium.
Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A..
Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A..
Foto: Divulgação.
O mercado de moda premium no Brasil segue resiliente mesmo diante de inflação e consumo mais seletivo, impulsionado por estratégias omnichannel, uso de dados e fortalecimento de marca. Em entrevista à Consumidor Moderno, Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A., destaca o papel da experiência integrada, da personalização e da inovação com propósito como diferenciais competitivos frente ao fast fashion. Com crescimento consistente em 2025 e projeções positivas para 2026, o grupo aposta na evolução do digital, na eficiência operacional e na conexão com o consumidor para sustentar sua expansão.

Em um cenário de consumo mais seletivo, inflação persistente e concorrência acirrada com o fast fashion, o mercado de moda premium no Brasil segue encontrando novas rotas para crescimento.

A Veste S.A., grupo que controla marcas icônicas como Le Lis Blanc, Dudalina, John John, Individual e Bo.Bô é um bom exemplo. Fechou o ano com faturamento bruto de R$ 1,5 bilhão e crescimento de 8,7%, além de lucro líquido ajustado 130% maior.

Em entrevista exclusiva à Consumidor Moderno, Alexandre Afrange, CEO da companhia, com 38 anos de trajetória na indústria têxtil, comprova que gestão atenta ao consumidor, qualidade, inteligência em estratégia phygital e dados representam um caminho sólido contra um cenário de instabilidade.

Identidade e conexão com o público

CM: Alexandre, como você avalia o atual cenário do mercado de moda premium no Brasil, especialmente os desafios como inflação e concorrência do fast fashion?

Alexandre Afrange: Mesmo em um ambiente macroeconômico mais pressionado, com inflação e maior seletividade do consumo, vemos espaço relevante para o nosso segmento. O cliente desse mercado busca qualidade, identidade de marca e experiência consistente. É justamente aí que está a principal diferenciação em relação ao fast fashion, que compete mais por preço.

Le Lis, Dudalina, John John, Individual e Bo.Bô nos garantem um portfólio bem-posicionado, em que cada marca possui identidade clara e conexão com seu público. Esse entendimento se reflete na consistência dos nossos resultados recentes, mesmo em um cenário mais desafiador. A chave tem sido manter clareza de posicionamento, disciplina na gestão e foco em valor, não apenas em volume.

CM: Alexandre, a experiência em lojas atrelada à presença digital tem sido uma grande estratégia das marcas. Quais inovações phygital a Veste S.A. planeja implementar em 2026 para elevar a experiência do cliente?

O cliente espera uma experiência única com a marca independentemente do canal. A estratégia de Veste está centrada na evolução contínua do ecossistema omnicanal, com forte integração entre lojas físicas e vendas on-line. Para todas as marcas, avançamos na adoção de iniciativas phygital, como prateleira infinita, ship-from-store, retirada em loja e uso do WhatsApp como canal de vendas e relacionamento.

Um exemplo relevante é o mobile, que vem se consolidando como um canal estratégico. Nossos aplicativos oferecem personalização, acesso antecipado a coleções e acompanhamento de pedidos. Hoje, eles já representam 24,3% das vendas totais, impulsionados pela migração para a plataforma VTEX e pela evolução da nossa estratégia omnicanal.

Para 2026, nosso foco é aprofundar ainda mais essa integração, com maior conexão entre estoques, uso mais sofisticado de dados e evolução das ferramentas de clienteling, para uma jornada cada vez mais fluida, personalizada e relevante.

Entrega de valor real

CM: Collabs e peças tecnológicas estão marcando o avanço da moda premium, sobretudo para a nova geração de consumidores. Como a Veste S.A. entende esse cenário, se posiciona e busca atrair esse público?

A nova geração busca inovação, mas principalmente produtos que entreguem valor real no uso. A tecnologia só faz sentido quando melhora, de fato, a experiência da peça no dia a dia.

Nossa abordagem não é seguir tendências pontuais, mas garantir que cada marca evolua de forma consistente dentro do seu DNA, combinando inovação de produto, narrativa e experiência para construir conexões genuínas com o consumidor.

Na Dudalina, por exemplo, temos avançado com tecidos tecnológicos que oferecem benefícios concretos, como elasticidade, conforto térmico, secagem rápida e menor necessidade de passar. Ao mesmo tempo, entendemos que a conexão com esse público também passa por relevância cultural. A John John, por exemplo, tem uma relação histórica com música, comportamento e lifestyle.

O futuro da moda premium

CM: Alexandre, fale um pouco sobre o crescimento financeiro do grupo em 2025. Quais são as projeções para 2026 e os principais drivers que sustentarão essa expansão?

Encerramos 2025 com um desempenho bastante consistente, tanto em crescimento quanto em rentabilidade. A companhia registrou faturamento bruto de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, com crescimento de cerca de 8,7%, além de um avanço relevante na rentabilidade, com lucro líquido ajustado mais de 130% acima do ano anterior.

Esse desempenho é resultado direto de um trabalho estruturado nos últimos anos, apoiado em quatro pilares principais: fortalecimento das marcas, evolução da nossa plataforma digital, modernização das lojas dentro de novos conceitos arquitetônicos e maior disciplina operacional.

Os canais digitais e a estratégia omnicanal têm um papel cada vez mais relevante nesse processo, impulsionados pela integração da rede, pelo avanço do mobile e pela personalização da jornada do cliente. Para 2026, seguimos confiantes em um crescimento sustentável, apoiado na força das marcas, na evolução contínua do digital, na integração omnicanal e em ganhos adicionais de eficiência operacional. A expansão de canais, incluindo o avanço das franquias de Dudalina, também será um vetor importante.

Mais acesso e experiências completas

CM: Você é reconhecido por sua trajetória na indústria têxtil desde 1988. Como avalia essa transformação do varejo e qual mensagem deixa para o mercado?

O varejo de moda mudou mais nos últimos dez anos do que nas três décadas anteriores. A tecnologia transformou profundamente a forma como operamos, como tomamos decisões e como nos relacionamos com os consumidores.

Hoje, temos um ambiente muito mais orientado por dados, com maior eficiência e velocidade. Ao mesmo tempo, alguns princípios continuam os mesmos: marcas relevantes, produto de qualidade e execução consistente. A tecnologia acelera o processo, mas o valor de longo prazo continua sendo construído pela força das marcas e pela confiança do consumidor.

Minha mensagem para empresas e líderes é que inovação e disciplina precisam caminhar juntas. E, para o consumidor, vivemos um momento muito interessante, com mais opções, mais acesso e experiências cada vez mais completas. As marcas que conseguirem equilibrar esses elementos estarão melhor posicionadas para crescer de forma sustentável.

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A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

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