A indústria da moda vive uma contradição evidente. Enquanto o consumo cresce em ritmo acelerado, a capacidade de reaproveitamento dos resíduos têxteis ainda não acompanha essa expansão. Estima-se que mais de 90 milhões de toneladas de roupas sejam descartadas anualmente no mundo, e a maior parte delas acaba em aterros sanitários ou lixões, segundo dados da consultoria S2F Partners.
A produção têxtil também figura entre as mais intensivas no uso de água e energia, ao mesmo tempo em que responde por parte significativa da liberação de microplásticos nos oceanos. Segundo a consultoria, no Brasil, até 90% dos têxteis descartados não são reaproveitados, o que evidencia o desafio estrutural da cadeia produtiva e de consumo. Diante desse cenário, cresce a pressão para que empresas adotem modelos mais sustentáveis e revejam seus processos de ponta a ponta, da escolha da matéria-prima até o destino final das peças.
Consumidor valoriza mais do que estética
A resposta da indústria tem se traduzido em novas abordagens de produção. Entre elas, ganham destaque o uso de matérias-primas recicladas ou biodegradáveis, reaproveitamento de resíduos, impressão digital para evitar sobras de tecido e estruturas produtivas mais enxutas e regionais. Além de atender a um consumidor mais consciente, essas soluções se tornaram estratégicas para garantir competitividade em um mercado que começa a valorizar práticas com menor impacto. “Estamos lidando com um consumidor que valoriza muito mais do que a estética. Ele quer entender como aquela peça foi feita, de onde veio o material e para onde vai depois do uso”, afirma Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport.
A marca tem reforçado seu compromisso com essa transição por meio de iniciativas como a linha Green n’ Blue, que introduziu peças esportivas feitas com tecido biodegradável, capazes de se decompor em até três anos após o descarte correto. Agora, com a nova coleção de inverno Cosmic Explorer, a Speedo dá mais um passo em direção à moda inteligente, ao aliar design futurista, alta performance e processos mais eficientes.
Atualmente, 5% da coleção da marca já é composta por materiais reciclados ou biodegradáveis, e a meta é ultrapassar 18% até 2027, consolidando um avanço gradual, mas contínuo, na redução do impacto ambiental da produção. “Estamos trabalhando para fazer dessa meta uma realidade. Nosso objetivo é crescer com responsabilidade, sem abrir mão da performance que sempre foi nosso diferencial”, reforça Jalonetsky.
Design inteligente
Com cortes que remetem à exploração espacial, uso de texturas tecnológicas e cartela de cores inspirada em atmosferas cósmicas, a nova linha se posiciona como um símbolo do encontro entre inovação estética e responsabilidade produtiva. Além do apelo visual, a coleção foi desenhada para entregar funcionalidade, conforto térmico e durabilidade, atributos que aumentam o ciclo de vida das peças e evitam descartes precoces.
O caminho ainda é longo, mas iniciativas como essas indicam que a moda esportiva começa a rever seus paradigmas. Ao combinar design inteligente com práticas mais sustentáveis, marcas como a Speedo apontam um novo rumo para o setor: aquele em que desempenho, estilo e consciência ambiental caminham juntos.

Speedo: Valor compartilhado
Conversamos com Roberto Jalonetsky sobre a estratégia da Speedo, como ela impacta a experiência do cliente e como tem sido liderar a marca rumo ao futuro da moda esportiva. Confira!
CM: Como o posicionamento da Speedo tem refletido no engajamento do seu público com a marca? Isso também tem trazido maior fidelização? O que muda na experiência do cliente com a marca?
Roberto Jalonetsky: Temos percebido um engajamento cada vez mais qualificado. O consumidor hoje não se conecta apenas com o produto, mas com a história por trás dele. Quando mostramos que uma peça tem menor impacto ambiental, que foi feita com tecido reciclado ou biodegradável, isso gera identificação e pertencimento. É um outro tipo de relação. Isso, naturalmente, tem se traduzido em fidelização: o cliente volta porque enxerga na marca não só desempenho, mas também propósito. E isso muda toda a experiência, ela deixa de ser apenas de compra e passa a ser de valor compartilhado.
CM: Como CEO, você sente hoje a necessidade de liderar essa transformação na forma de engajar equipes, de criar uma cultura de marca e impulsionar uma moda mais tecnológica e sustentável?
Roberto Jalonetsky: Sem dúvida. A transformação precisa começar dentro de casa. Sustentabilidade e inovação não são projetos isolados. Mas, uma cultura que precisa permear toda a operação, do time de criação ao chão de fábrica, passando pela comunicação e pelas decisões estratégicas. O papel da liderança, nesse contexto, é apontar o rumo e inspirar o time a construir algo maior do que o produto final. Moda tecnológica e sustentável não se faz apenas com bons materiais, mas com um mindset voltado para o futuro.
CM: Por fim, é mais difícil no Brasil ter esse posicionamento e seguir competitivo no mercado?
Roberto Jalonetsky: É desafiador, sim, porque estamos falando de uma cadeia produtiva ainda muito tradicional, com gargalos estruturais e altos custos para inovação. Mas isso não pode ser desculpa. Acredito que o caminho da competitividade está justamente na diferenciação. Fazer o que todo mundo faz é mais fácil, e é por isso que muitos ficam no mesmo lugar. Inovar, propor soluções de menor impacto e, ao mesmo tempo, manter performance e estética é o que vai sustentar as marcas no longo prazo. No Brasil, o desafio é maior, mas também é onde está a oportunidade de liderar uma mudança real.
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