Ana Bógus não acredita que performance e humanidade disputam o mesmo espaço. É exatamente o oposto: para a CEO da Beiersdorf Brasil, uma é condição da outra. Com mais de três décadas à frente de grandes empresas do País, a CEO da Beiersdorf tem a trajetória como argumento.
No comando da companhia responsável por marcas como NIVEA e Eucerin desde janeiro de 2024, a executiva defende que resultados consistentes nascem de equipes engajadas, com propósito claro e autonomia para agir.
Indicada à categoria especial CEO do Ano no Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente 2026, edição em que a NIVEA também foi reconhecida em Perfumaria e Cosméticos, Ana Bógus representa uma geração de líderes que não separa o cuidado com pessoas da busca por resultado.
Pessoas engajadas, resultados consistentes
“Resultados consistentes são consequência de equipes engajadas.” A frase, repetida por Ana Bógus com convicção, resume uma filosofia construída ao longo de mais de três décadas à frente de algumas das maiores empresas de consumo do País.
Na Beiersdorf, ela se traduz em um projeto concreto: fortalecer a cultura de cuidado com as pessoas – não como contraponto à performance, mas como condição para ela.
Formada pela Singularity University e com MBA Executivo realizado na University of Pittsburgh, a executiva foi a primeira mulher a ocupar o cargo de gerente de Vendas da Nestlé. Depois, chegou à presidência da Kimberly-Clark, além de ter acumulado experiências na Rappi e na Alpargatas antes de assumir o comando da Beiersdorf Brasil. Em janeiro de 2024, tornou-se a primeira mulher a liderar a companhia no País, sucedendo Christian Goetz, que ocupou o cargo por onze anos.
Os números do mercado traduzem bem a trajetória da companhia. Em 2024, a operação latino-americana da Beiersdorf cresceu 9,3%, superando os 6,5% registrados pelo grupo no plano global, com o Brasil como principal motor desse desempenho. Para sustentar o avanço, a empresa investiu R$ 90 milhões na produção de emulsão no País, mais um aporte em uma sequência que, desde 2019, já acumula mais de R$ 440 milhões em capacidade produtiva local.
É nesse cenário – de marcas consolidadas, mercado em expansão e uma liderança em constante reinvenção – que Ana Bógus fala sobre decisões difíceis, o futuro da Beiersdorf e o legado que pretende deixar.
Mais clareza e velocidade
Consumidor Moderno: Quais foram as decisões mais difíceis que você precisou tomar recentemente, e como elas impactaram o negócio?
Ana Bógus: Eu acredito na criação de um ambiente em que as pessoas tenham autonomia para agir, testar e aprender rápido. Isso não substitui decisões difíceis, pelo contrário. Ajuda a tomá-las com mais clareza e menos medo. Em momentos de muita complexidade, o mais desafiador é equilibrar velocidade, responsabilidade e foco no que realmente gera valor para o negócio.
Recentemente, uma das decisões mais difíceis foi justamente priorizar com maior rigor onde deveríamos concentrar energia, investimento e atenção do time. Em um contexto com muitas demandas e muitas possibilidades, dizer ‘não’ para algumas frentes também é uma decisão estratégica. Esse tipo de escolha exige coragem, alinhamento e confiança na equipe para seguir com disciplina.
O impacto foi positivo em vários níveis: mais clareza de foco, mais velocidade na execução e mais capacidade de mobilizar o time em torno do que realmente importa. Para mim, liderar é isso: criar as condições para que as pessoas decidam melhor, avancem com agilidade e aprendam continuamente, sempre com responsabilidade sobre o resultado.
CM: Como você define hoje o seu estilo de liderança e como ele evoluiu ao longo do tempo?
Meu estilo de liderança é consciente, autêntico e a serviço do time. Acredito que liderar é criar clareza, construir confiança e dar direção sem perder a proximidade com as pessoas. Para mim, o papel da líder não é centralizar, mas apoiar, inspirar segurança e abrir espaço para que cada pessoa faça o seu melhor com autonomia e responsabilidade.
Com o tempo, eu entendi que essa forma de liderar gera uma cultura muito mais forte. Uma cultura em que as pessoas se sentem valorizadas, desenvolvem seu potencial e se reconhecem como parte de algo maior. É assim que eu vejo a liderança: como a capacidade de criar as condições para que o time floresça e entregue resultados de forma consistente, humana e sustentável.
De olho no futuro
CM: Em um contexto de transformação constante, como você prepara a empresa, e as pessoas, para o futuro?
Na Beiersdorf, nosso foco é fortalecer a cultura de cuidado com as pessoas, deixando claro que esse cuidado caminha junto com a performance – e não à parte dela. Esse é um processo em andamento e se estende para o futuro.
Cuidar de pessoas e cuidar do negócio caminham juntos: quando as pessoas têm espaço para se desenvolver, ser ouvidas e exercer a liderança com autonomia e autenticidade, o resultado aparece de forma mais sustentável. Na prática, isso significou aproximar ainda mais temas como saúde mental, desenvolvimento de lideranças e diversidade das decisões do dia a dia, das metas e das prioridades estratégicas do negócio.
Não buscamos perfeição, buscamos consistência. Cada ciclo, cada projeto e cada decisão é uma oportunidade de aprofundar essa cultura que une ambição e cuidado. Sigo olhando para a Beiersdorf Brasil com muito orgulho do que já foi construído e, ao mesmo tempo, com humildade e inquietude positiva, sabendo que ainda há muito espaço para evoluir na forma como unimos performance, pessoas e impacto de longo prazo.
CM: Que legado você busca construir como CEO, tanto dentro da empresa quanto para o mercado?
Liderar a casa de marcas icônicas como NIVEA e Eucerin significa, para mim, muito mais do que entregar resultados. É fomentar um ambiente onde as pessoas queiram estar, possam se desenvolver e sintam que fazem parte de algo maior.
O legado que espero deixar é exatamente esse: uma cultura sólida de cuidado, colaboração e coragem, onde inovação, diversidade e alta performance caminham juntas.
Do ponto de vista de mercado, o fato de eu ser a primeira CEO mulher da companhia no Brasil me traz um senso de responsabilidade enorme: abrir portas, desenvolver outras mulheres e contribuir para que, no futuro, o fato de uma CEO ser mulher deixe de ser notícia e passe a ser algo natural.
Prêmio Consumidor Moderno 2026
CM: O que significa estar concorrendo à categoria especial CEO do Ano?
É uma grande satisfação poder ser indicada a uma premiação idealizada por uma das principais plataformas de conteúdo e discussão sobre experiência do cliente, relacionamento e consumo no Brasil. Reconhecimento como este é, antes de tudo, um reflexo do trabalho coletivo das equipes que lidero.
Elas reforçam que estamos no caminho certo ao integrar estratégia de negócios, inovação e cuidado com as pessoas. Ao mesmo tempo, aumentam a responsabilidade de liderar com consciência, consistência, transparência e propósito, garantindo que cada decisão tenha impacto positivo para a companhia, para nossos colaboradores e para a sociedade.





