A ESPN estreou o aguardado documentário Empire Skate. A produção faz parte da consagrada série 30 for 30, uma coleção de documentários esportivos da emissora, que destacam histórias marcantes e pouquíssimo conhecidas do mundo dos esportes.
Mas, nesse caso, Empire Skate vai muito além do esporte. Seleção oficial do Tribeca Festival, o longa mergulha na trajetória da Supreme, marca que redefiniu o skate a partir de um ícone fashion e de negócio. A narrativa traz depoimentos de seus criadores, atletas e figuras que orbitaram na cena underground do skate da década de 90. O documentário revela a essência por trás da história da Supreme, que evoluiu de uma loja de skate da rua Lafayette, para uma gigante global de streetwear. Colocando, assim, a cultura do skateboarding e o estilo das ruas de Nova Iorque no centro do mundo da moda.
Do skate de NY para a cultura pop global
Fundada em 1994 pelo visionário James Jebbia, no bairro do SoHo, em Nova Yorque, a Supreme nasceu como uma loja voltada para skatistas. Mas foi muito além disso. O design minimalista, o foco na comunidade e a produção em pequenas quantidades logo criaram um culto à marca, agregando não apenas skatistas, mas a cena artística, musical e a juventude da época.
Muitos desses jovens canalizavam no skateboarding suas angústias e frustrações. E encontraram na loja da Supreme mais que um ponto de encontro, um território de pertencimento. Ultrapassando a fronteira do esporte, a Supreme criou uma identidade própria. Aliás, a autenticidade era a moeda de troca ali. Um grupo que fazia do skate um estilo de vida, que, sem saber, mudaria a cultura urbana ao redor do mundo para sempre implodindo em um negócio de sucesso.


Reflexo na moda
Uma das vantagens da Supreme foi essa aproximação genuína com o seu público, o que permitiu um crescimento orgânico da marca. A prática dos drops, coleções lançadas em quantidade limitada, revolucionou o mercado da moda e gerou o fenômeno da marca: filas enormes nas calçadas, briga por produtos e mercado secundário aquecido com peças se tornando verdadeiros ativos de investimento. O desejo pela exclusividade fez da Supreme uma espécie de símbolo máximo da cultura jovem do século XXI.
Essa simbologia underground como universo exclusivo se alastrou mundo afora. A busca por esse destaque, identificação e criação de um desejo “marginal de luxo” pela autenticidade da marca, faziam com que a escassez de seus produtos explodisse como uma comunidade global exclusiva e conectada pelo streetwear.
Segundo Jonathan Gabay, autor de Brand Psychology, renomado especialista em branding e marketing criativo, o sucesso da Supreme está mais ligado à essa autenticidade do que ao trabalho de grandes designers. “Ela começou no lugar certo, com as pessoas certas, que não buscavam hype. Era uma questão de identidade e pertencimento”, diz.
O documentário deixa evidente como a Supreme sempre soube dialogar com diferentes esferas, visando algo para além do skate. Ao integrar referências de arte, música, moda e cultura pop naturalmente, ela criou um produto com apelo transversal. A autenticidade daqueles que viviam as ruas e o rolê de skate em Nova York se encontrou com novos universos em outros países e cidades que também buscavam nas ruas inspiração para suas coleções.
Ganhando o mundo do luxo
A aproximação com grifes de luxo como a Louis Vuitton criou também um novo universo de consumo. Os produtos dessa collab não apenas se esgotaram em minutos, mas inauguraram uma nova era para o streetwear: a cultura jovem tomou de assalto o universo do luxo. Outras colaborações seguiram, com nomes como Comme des Garçons, Jean Paul Gaultier, Emilio Pucci, Nike, North Face e Tiffany & Co, consolidando a Supreme como referência de desejo para diferentes bolsos e territórios da moda.
Uma relação simbiótica e meio “Robin Hood”, em que grifes de luxo rejuvenescem suas audiências se aproximando da Supreme, enquanto a Supreme ganha não só prestígio e status no high fashion, como muito dinheiro desse público. Tudo, claro, sem que um não tome o lugar do outro definitivamente. A Supreme não apenas criou uma marca, mas múltiplos universos – inclusive explorados no cinema através do filme Kids, que conta com a participação de alguns skatistas da Supreme.
Vale a pena assistir ao documentário Empire Skate para mergulhar e conhecer de perto a cultura do skate como estilo de vida. E compreender que, mais do que a história de uma marca, o filme revela um fotograma complexo, selvagem e inspirador de uma parcela da juventude de Nova Iorque dos anos 90. Empire Skate é um retrato honesto e questionador sobre comportamento e como as novas gerações expressam identidade. E como essa fusão entre esporte, moda, cultura urbana e luxo globalizado transformou pertencimento em um negócio bilionário.
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