A economia criativa vem se consolidando como um dos motores mais dinâmicos da nova economia global. No Brasil, segundo dados do Observatório Nacional da Indústria (ONI), a expectativa é que o setor gere mais de um milhão de novos empregos até 2030, impulsionado por soluções tecnológicas que transformam a forma como indivíduos e empresas criam, distribuem e consomem conteúdo.
Com o avanço da digitalização nos setores criativos, a Inteligência Artificial se apresenta como uma aliada estratégica para pequenas e médias empresas (PMEs). Especialmente aquelas que atuam nos setores de moda, design, comunicação, artes e comércio eletrônico. Plataformas como a Photoroom, solução de edição de fotos por IA que se tornou uma das mais populares entre empresários e criadores digitais no Brasil, estão revolucionando o acesso à produção visual de alta qualidade.
Brasil impulsiona o crescimento da Photoroom
Desde janeiro de 2024, o Brasil se tornou o mercado que mais cresce no mundo para a Photoroom. São quase 600 mil novos downloads por mês, superando os Estados Unidos e o México. Somente no Brasil, em maio de 2025, a startup atingiu 13,4 milhões de exportações de imagens no mês, seu recorde histórico. Um grande diferencial é a adoção precoce e frequente de recursos avançados de imagem, como modelo virtual, que auxilia as organizações na produção visual e preparação de produtos.
No modelo Pro do app da Photoroom no Brasil, desde o início de maio, 15% dos usuários geraram pelo menos uma imagem de IA por semana usando suas ferramentas. Uma taxa bem acima de outros mercados importantes para a empresa, como França (11-12%), Reino Unido (9%) e EUA (7-9%).
Esse nível de engajamento reflete não apenas o tamanho do mercado no Brasil, mas também a crescente abertura e interesse de empresas e profissionais para a inovação e a experimentação com IA em tecnologias visuais.
A mente por trás da Photorrom

Quem está por trás da empresa é Matt Rouif, cofundador e CEO da Photoroom. Formado pela Polytechnique, UFRJ e Stanford, Matt começou a trabalhar com aplicativos de fotos há 15 anos, quando ainda estava na universidade. Em seguida, criou os primeiros aplicativos móveis para estações de esqui e foi cofundador do aplicativo HeyCrowd, para tornar as pesquisas mais sociais.
Matt também liderou o produto Replay Video Editor (premiado como “Melhor Aplicativo do Ano” pela Apple e pelo Google), adquirido pela GoPro. Depois de liderar todos os produtos de edição de imagens, Matt deixou a empresa em 2018. Mais tarde, numa ocasião, ao tentar editar uma imagem no trabalho, ele percebeu o quão irritantes eram tarefas simples de edição, como a remoção de fundos. Para resolver esse problema, Matt fundou a Photoroom com o cofundador Eliot Andres, em 2019.
Hoje, o Photoroom já foi baixado mais de 150 milhões de vezes e é usado em mais de 180 países.
A seguir, Matt fala com exclusividade à Consumidor Moderno sobre os avanços da criação visual com IA e muito mais. Confira!
Criatividade com IA
Consumidor Moderno: A IA tem mudado as expectativas dos clientes em relação à experiência visual oferecida pelas marcas hoje? Qual é a sua percepção?
Matt Rouif: Com certeza, a IA elevou o nível da economia criativa. Os clientes de hoje esperam mais originalidade, mais interatividade e um padrão visual muito mais alto das marcas com as quais se envolvem. A verdade é que visuais de baixa qualidade ou conteúdo mal direcionado não são mais tolerados. A IA generativa também acelerou o ritmo da produção criativa. As campanhas não são mais ativos estáticos lançados a cada poucos meses, elas se tornaram conversas vivas, adaptando-se constantemente às tendências, formatos e reações do público.
Nesse contexto, espera-se que as marcas criem mais, mais rápido e melhor, sem deixar de ser relevantes e fiéis à sua identidade. Estamos vendo uma mudança de um modelo criativo de cima para baixo para uma experiência dinâmica e personalizada, na qual o público se sente parte da narrativa. A IA possibilita essa mudança, mas também significa que as expectativas em relação à capacidade de resposta da marca e à excelência visual estão mais altas do que nunca.
CM: Como essa agilidade e autonomia proporcionadas pela IA influenciam a construção da identidade visual das marcas? Não corremos o risco de padronizar e perder identidade na comunicação com o público?
Essa é uma preocupação muito válida e, sim, existe o risco de padronização. Especialmente quando todos usam as mesmas ferramentas com comandos básicos ou configurações padrão. Mas esse risco não é novo. Mesmo antes da IA, víamos repetições visuais, muitas vezes inspiradas em campanhas premiadas ou modelos. Dito isso, continuo otimista. A IA pode estimular mais criatividade, e não menos, desde que seja usada intencionalmente. O verdadeiro diferencial será como as marcas e os criadores ajustarão a IA ao seu próprio universo visual. Alguns passarão horas refinando comandos, outros misturarão elementos gerados pela IA com detalhes criados por humanos.
Na Photoroom, nos concentramos em dar às marcas controle total sobre a criação automatizada. Nossa IA pode ser ajustada com a linguagem visual específica de uma marca, garantindo consistência e originalidade, e, acima de tudo, garantimos que o ser humano permaneça no comando. Porque, no final das contas, uma identidade visual forte não se resume a imagens polidas, mas sim a significado, cultura e direção criativa.
IA está mudando o valor da contribuição humana
CM: Para os profissionais criativos, como a IA tem impactado o mercado de trabalho? Isso tem mudado o perfil do profissional que as organizações e agências buscam? Como você avalia esse momento?
Acredito que estamos em um momento decisivo. Como em muitos setores, a IA está mudando o valor da contribuição humana, da execução para a direção. Os profissionais criativos mais procurados hoje não são aqueles que geram resultados manualmente, mas aqueles que sabem como orquestrar uma visão criativa com a IA como cocriadora. Isso mudou os perfis de talentos que as empresas procuram. Porque, agora, precisamos de criativos híbridos, igualmente à vontade para esboçar ideias e elaborar prompts. A capacidade de colaborar com máquinas, mantendo uma forte visão humana, está se tornando uma habilidade fundamental. Este momento não é sobre substituição, é sobre evolução. Aqueles que abraçam a IA para ampliar sua criatividade, em vez de resistir a ela, terão uma clara vantagem no mercado de trabalho criativo.
CM: Em relação às discussões éticas e regulatórias, como você enxerga o equilíbrio entre automação e preservação do fator humano na criação de marketing com imagens baseadas em IA daqui para frente?
Na Photoroom, construir uma solução de IA responsável faz parte da nossa missão desde o primeiro dia. Acreditamos que a IA deve sempre permanecer uma ferramenta, não um tomador de decisões. E que os humanos devem manter o controle tanto da mensagem quanto dos valores por trás dos recursos visuais. Mas sim, todos os modelos generativos refletem os dados com os quais são treinados, incluindo seus preconceitos e pontos cegos culturais. Mas, é por isso que implementamos medidas concretas e bloqueamos prompts violentos ou inadequados. Incentivamos a diversidade por design. Por exemplo, quando você digita “médico” em nossa ferramenta, você verá mulheres, diferentes etnias e representações culturais. Diversificamos ativamente os conjuntos de dados de treinamento para refletir melhor a riqueza do mundo real e evitar a homogeneização cultural.
Em última análise, a IA ética não se trata apenas do que ela pode fazer, mas do que escolhemos fazer com ela e como enquadramos seu uso de forma responsável.
Criação emocional com IA
CM: Por fim, como você imagina o futuro da experiência do cliente com a IA sendo cada vez mais presente nos processos criativos das marcas? A criação conseguirá ser emocional e, ao mesmo tempo, competitiva, sem perder a autenticidade e a sensibilidade?
Com certeza, e é aí que a IA se torna realmente empolgante. Com ferramentas como a Photoroom, as marcas agora podem gerar milhões de imagens em minutos, não para saturar o mercado, mas para testar, aprender e se adaptar em uma escala sem precedentes. Isso traz várias vantagens, como a velocidade para reagir em tempo real às tendências, a diversidade para testar diferentes ângulos, tons e formatos e a eficiência para otimizar continuamente as campanhas em termos de desempenho e retorno sobre o investimento.
Mas, para mim, nada disso substitui a emoção, apenas a intensifica. A conexão emocional de uma marca não reside apenas em seus visuais, mas na intenção por trás deles, nas narrativas que constroem e nos valores que refletem. Portanto, sim, a IA nos permite ser rápidos, escaláveis e competitivos, mas com a direção criativa certa, também podemos garantir que a sensibilidade, a autenticidade e a narrativa permaneçam no centro de cada campanha.






