Especialistas do Goldman Sachs apontam que a ascensão da IA agêntica, sistemas capazes de executar ações de forma mais autônoma, pode multiplicar em 24 vezes o consumo de tokens até 2030. Alcançando, assim, cerca de 120 quadrilhões por mês, de acordo com análise do Goldman Sachs Research.
Ou seja, não se trata apenas uma mudança tecnológica; ela pode alterar a forma como pessoas usam a internet e como empresas ganham dinheiro. Hoje, pedir ajuda para uma Inteligência Artificial normalmente significa fazer uma pergunta e receber uma resposta. Algo como, por exemplo: “Qual o melhor horário de voo para Salvador?”. A próxima fase dessa tecnologia, porém, promete funcionar de forma diferente.
“A IA agêntica requer muitos tokens porque muitas consultas são repetidas em sequência. É como pegar uma solicitação simples de um chatbot e multiplicá-la por 10, 20, 50 vezes.”, explica Jim Schneider, analista sênior da Goldman Sachs Research no relatório.
Em vez de apenas responder, a IA começa a assumir tarefas inteiras. Com a Inteligência Artificial orientada por agentes, o comando pode ser: “Encontre o voo mais barato, compare hotéis, faça a reserva e coloque tudo na minha agenda”.
Parece uma pequena mudança, mas especialistas acreditam que ela pode representar uma das maiores transformações do mercado de tecnologia nos próximos anos.
O desafio é que quanto mais tarefas a IA realiza, mais processamento ela precisa.
O número com 16 zeros
Os 120 quadrilhões de tokens projetados até 2030 se tornaram uma métrica importante porque ajudam investidores a dimensionar o tamanho potencial dessa nova fase da IA. O crescimento no processamento de dados significa maior necessidade de:
- Chips;
- Servidores;
- Data centers;
- Infraestrutura computacional.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta outro fator relevante: os custos para processar IA estão caindo rapidamente.
Segundo a análise, o custo por token processado vem registrando redução anual entre 60% e 70%, impulsionado por chips mais eficientes e melhorias na estrutura dos data centers.
De acordo com a análise do Goldman Sachs Research, essa combinação pode mudar a percepção atual sobre o mercado de IA. Nos últimos meses, parte dos investidores demonstrou preocupação com os altos investimentos das grandes empresas de tecnologia em infraestrutura.
O potencial no ambiente corporativo
“O que descobrimos é que, até 2030, a IA agêntica multiplicará o consumo de tokens em 12 vezes pelo consumidor final, abrangendo atividades como compras online, controle de celulares e funções similares.”, diz
No mercado consumidor, os primeiros sinais dessa mudança já começam a aparecer. Na China, por exemplo, existem agentes capazes de executar tarefas em segundo plano no celular, como organizar e-mails, filtrar mensagens ou realizar reservas automaticamente.
No ambiente corporativo, o avanço tende a ser mais lento. Implementar agentes em empresas exige integração com sistemas, testes e adequação a regras internas. Ainda assim, especialistas enxergam um potencial ainda maior nesse segmento.
A principal mudança pode estar justamente na forma como a Inteligência Artificial será usada daqui para frente. A disputa já não parece ser apenas por respostas melhores. Agora, a corrida começa a ser por sistemas capazes de agir.






