O que acontece quando combinamos Inteligência Artificial com bichinhos de pelúcia? Essa é uma das propostas da Curio, empresa que está dando vida aos brinquedos por meio da tecnologia. Fundada em 2023, a companhia vem ganhando cada vez mais atenção devido à sua proposta de levar IA para as brincadeiras das crianças, e também por levantar questionamentos em relação à atenção dos pais e responsáveis sobre o brinquedo.
Hoje, a Curio conta com três modelos: Grem, que parece um coelho azul, Gabbo, que tem a forma de um robô, e Grok, um pequeno foguete. Este último não deve ser confundido com a IA de Elon Musk. Afinal, a Curio iniciou o registro de patente do nome em setembro de 2023 – mas, ainda segue em avaliação –, enquanto Musk iniciou o processo em outubro do mesmo ano.
Mais do que um simples objeto, os bichinhos de pelúcia da Curio foram criados em parceria com a OpenAI, responsável pelo chatbot por trás de cada personagem. Cada um deles conta com um alto falante e microfone que capta as falas do seu tutor e aprende sobre sua personalidade e interesses. O resultado são brincadeiras e conversas mais aprofundadas e adaptadas a cada criança.
Uma nova forma de interagir com IA
A cantora Grimes – que, curiosamente, foi casada com Elon Musk – foi uma das personalidades a se interessar pela proposta da empresa. Em um tweet, ela respondeu ao usuário @tszzl que a ideia de ter ursinhos de pelúcia com IA seria uma boa ideia, desde que fossem seguros.
“Criar filhos é tão difícil… Eu adoraria se meus filhos passassem o tempo com algo equivalente a uma mente de nave da cultura [referência à série A Cultura, de Iain M. Banks] dentro de um ursinho de pelúcia”, comentou.
Pouco depois, a cantora foi convidada pela Curio para formar uma parceria, gerando os três bichinhos animados com IA. A própria Grimes é a voz do modelo Grem, e o nome Grok também partiu dela. Seria a abreviação de “grocket”, e a inspiração veio dos filhos, que cresceram no ambiente da SpaceX, de Elon Musk.
Brincadeira com inovação
Durante uma conversa de Grimes com os fundadores da Curio, Misha Sallee e Sam Eaton, além de Roon, o usuário @tszzl, a cantora destaca que um de seus objetivos é preservar a mente não só de seus filhos, mas também de todas as crianças que puder. Isso seria possível ao diminuir o tempo de tela, por exemplo, de iPads e smartphones.
Segundo relatório da Kaspersky, a Inteligência Artificial já ocupa um papel de destaque no universo digital infantil. Entre maio de 2024 e abril de 2025, a empresa registrou que 7,5% de todas as pesquisas feitas por crianças foram sobre chatbots de IA. No levantamento anterior, buscas relacionadas à tecnologia representavam apenas 3,19% do total.
A Curio – assim como outras empresas de olho nessa tendência – embarca nessa onda ao oferecer uma interação mais controlada e restrita para os jovens.
Outras empresas também estou buscando inovar com seus brinquedos. Em junho, a Mattel, famosa pela boneca Barbie, fechou um acordo para uma colaboração estratégica com a OpenAI para criar produtos e experiências baseadas em IA. “Ao utilizar a tecnologia da OpenAI, a Mattel levará a magia da Inteligência Artificial para experiências de brincadeira adequadas à faixa etária, com ênfase em inovação, privacidade e segurança”, afirma o comunicado.
IA e segurança
No entanto, apesar da nova forma de brincar, o uso de IA pelas crianças também levantam algumas preocupações. É o caso, por exemplo, das alucinações da tecnologia, que podem gerar interações equivocadas ou até ofensivas. Um exemplo recente é o Grok – dessa vez, o de Elon Musk –, que chegou a fazer uma série de comentários ofensivos e antissemitas no X (antigo Twitter).
Ainda, em agosto, o senador republicano Josh Hawley, do estado de Missouri, afirmou a intenção de investigar se os produtos de IA da Meta enganam ou ferem crianças. A declaração acontece após documentos vazados revelarem que os chatbots da empresa possuem permissão para engajar em interações românticas ou sensuais com crianças.
A IA já está transformando a forma como crianças e adolescentes interagem com a tecnologia – seja nos estudos, seja no lazer. Agora, é preciso evoluir a segurança e a privacidade dessas ferramentas para que esses jovens possam ter interações seguras e personalizadas.
*Foto: Curio/Reprodução.






