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IA deixa de ser ferramenta e passa a redesenhar empresas

IA deixa de ser ferramenta e passa a redesenhar empresas

Líderes globais já enxergam a Inteligência Artificial como capaz de transformar operações, modelos de lucro e estruturas corporativas.
Líderes globais já enxergam a Inteligência Artificial como capaz de transformar operações, modelos de lucro e estruturas corporativas.
Foto: Shutterstock.
A Inteligência Artificial começa a provocar uma mudança estrutural dentro das empresas, indo além da automação de tarefas e impactando operações, modelos de receita e estruturas organizacionais. Pesquisa da Gartner mostra que 80% dos CEOs esperam transformações relevantes nas capacidades operacionais de suas companhias por causa da IA. O estudo aponta ainda que empresas caminham para modelos de negócios mais autônomos, com agentes inteligentes capazes de tomar decisões, negociar e executar processos com pouca intervenção humana.

A Inteligência Artificial deixou de ocupar apenas o papel de apoio operacional para assumir uma função mais estratégica dentro das empresas. Segundo pesquisa do Gartner, 80% dos CEOs esperam mudanças de médio ou alto impacto nas capacidades operacionais de suas companhias por causa da tecnologia.

O movimento aponta para uma transição do chamado “negócio digital” para o “negócio autônomo”, modelo em que agentes de software com capacidade de autoaprendizagem passam a tomar decisões, executar tarefas e gerar valor de forma cada vez mais independente.

“Os CEOs veem essa mudança como uma meta operacional imediata”, afirma Don Scheibenreif, Vice-Presidente Analista Emérito do Gartner. “Enquanto o modelo de negócio digital muda o que a organização faz, o autônomo muda como a organização faz.”

IA como catalisadora da transformação

A pesquisa ouviu 469 CEOs e executivos seniores ao redor do mundo e revela que a automação corporativa caminha rapidamente para um novo estágio. Hoje, 54% dos CEOs dizem que suas iniciativas de automação ainda estão limitadas a tarefas específicas. Até 2028, porém, apenas 13% acreditam que continuarão nesse patamar.

Ao mesmo tempo, 32% dos entrevistados esperam implementar ferramentas de IA capazes de aprender e se adaptar para apoiar decisões humanas. Outros 27% afirmam projetar operações que funcionem majoritariamente sem intervenção humana.

Na prática, isso significa que empresas começam a reorganizar processos internos, estruturas operacionais e até estratégias financeiras a partir das capacidades da IA, e não mais apenas da digitalização.

Para David Furlonger, VP and Gartner Fellow, a tecnologia deixou de ser vista apenas como automação incremental. “Os CEOs estão percebendo que a IA não é simplesmente mais uma camada de automação. É um catalisador para a reconstrução da própria empresa. Essa transição para um negócio autônomo exige que os CEOs adotem uma mentalidade capabilitiesfirst, que priorize como o trabalho é realizado e como o valor é gerado em uma economia cada vez mais autônoma.”

Modelos de receita entram na conta

A mudança também já provoca preocupação sobre os modelos de lucro. Segundo o levantamento, 28% dos CEOs acreditam que receitas transacionais estão entre as mais ameaçadas pela IA.

O motivo está no avanço de agentes inteligentes capazes de automatizar negociações, compras e precificação em tempo real. Reduzindo, assim, a necessidade de intermediários e eliminando etapas antes essenciais para justificar taxas de transação.

Nesse cenário, empresas começam a avaliar modelos mais recorrentes e orientados a resultados, em vez de depender exclusivamente de receitas por operação.

Mudança na relação com clientes

Apesar das transformações internas, a pesquisa mostra que os CEOs não esperam uma ruptura tão grande na base de clientes quanto ocorreu durante a onda de digitalização dos últimos anos. Apenas 17% dos entrevistados acreditam que a IA mudará significativamente sua base de consumidores, percentual bem inferior aos 39% registrados durante a era digital.

A tendência, segundo o estudo, é que as empresas utilizem a IA para aprofundar o relacionamento com clientes já existentes e, cada vez mais, com clientes-máquina.

O Gartner projeta que, até 2026, o número de grandes empresas com unidades de negócios ou canais de vendas dedicados ao mercado de clientes-máquina dobrará em relação a 2024.

Para os CIOs, o cenário amplia a pressão por sistemas mais confiáveis e preparados para atender tanto decisões humanas quanto automatizadas, tendo qualidade de dados e integridade das informações como pilares centrais.

Segundo Scheibenreif, a transformação exigirá uma revisão ampla das bases operacionais das companhias. “Para se preparar para esse futuro inevitável, CEOs e CIOs devem liderar suas organizações na reconstrução de suas bases operacionais e na reestruturação de seus recursos humanos, ativos e estruturas financeiras”, afirma Scheibenreif.

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