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O que os Rolling Stones podem nos ensinar sobre IA?

O que os Rolling Stones podem nos ensinar sobre IA?

Em novo clipe, que antecede o lançamento do novo álbum da banda, os Rolling Stones decidiram encarar de frente a tecnologia que parte da indústria cultural trata como uma ameaça existencial.
Em novo clipe, que antecede o lançamento do novo álbum da banda, os Rolling Stones decidiram encarar de frente a tecnologia que parte da indústria cultural trata como uma ameaça existencial.
Foto: Reprodução/YouTube.
Novo clipe de “In The Stars", dos Rolling Stones não é apenas mais um vídeo de uma das maiores bandas de rock da história. É um manifesto visual sobre permanência, provocação e domínio narrativo em plena era da IA generativa. Entenda porque isso tem uma lição valorosa para a indústria cultural e para marcas.

Enquanto muitos artistas mundo afora travam batalhas públicas contra a IA, os Rolling Stones fizeram o que sempre souberam fazer melhor: ignoraram o medo, aumentaram o volume e seguiram em frente.

O novo clipe de In The Stars, do novo álbum Foreign Tongues (com lançamento previsto para julho deste ano), não é apenas mais um lançamento de uma das maiores bandas de rock da história. É um manifesto visual sobre permanência, provocação e domínio narrativo em plena era da IA generativa.

Estes senhores do rock, Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood, decidiram encarar de frente a tecnologia que parte da indústria cultural trata quase como uma ameaça existencial. E fizeram isso do jeito mais Stones possível: com provocação diante do conservadorismo contemporâneo.

O resultado é um videoclipe que divide opiniões. Mas, a veia “stoneana” está ali: selvagem, sensual e propositalmente desconfortável.

Não há tentativa de esconder a tecnologia. Pelo contrário. O vídeo exibe a artificialidade como linguagem estética, transformando a IA não em substituta da arte, mas em combustível para ampliar o imaginário rock’n’roll que os Stones ajudaram a construir.

Uma provocação geracional

Existe uma ironia poderosa no fato de uma das bandas mais antigas do planeta estar mais aberta à experimentação tecnológica do que parte significativa da indústria audiovisual atual.

Nos últimos anos, Hollywood mergulhou em debates intensos sobre IA. Roteiristas e atores entraram em greve; artistas denunciaram clonagem de imagem e voz. Nesse contexto, o movimento dos Stones parece quase uma provocação geracional.

Enquanto muitos enxergam a IA apenas pelo prisma da substituição e do colapso criativo, a banda escolheu a apropriação artística dela. Não para parecer jovem novamente – claramente, os Stones não dão a mínima para isso –, mas para brincar com o próprio mito.

É quase como se os Stones estivessem dizendo: “Se a tecnologia existe, vamos transformá-la em espetáculo – ao nosso modo – antes que ela vire burocracia”.

E faz sentido. Desde os anos 1960, os Rolling Stones sobreviveram justamente porque nunca se comportaram como patrimônio histórico intocável. Eles sobreviveram porque permaneceram atentos e perigosos.

Deepfake como linguagem pop

O clipe foi dirigido por François Rousselet (que já trabalhou com a banda em outros clipes) e usa tecnologia da empresa Deep Voodoo, especializada em efeitos de IA e fundada por Matt Stone e Trey Parker, criadores de South Park.

Em vez de buscar realismo absoluto, o vídeo aposta numa espécie de hiper-realidade: rostos rejuvenescidos e uma atmosfera que parece oscilar entre memória, delírio e simulação digital.

E talvez esteja justamente aí sua força cultural e estética desse trabalho dos Stones. Durante anos, o entretenimento tentou esconder os limites dos efeitos visuais. Os Stones fazem o contrário: exibem a “costura digital” com orgulho, transformando a estranheza em complemento da linguagem pop. O resultado não parece um funeral nostálgico do rock clássico. Parece uma reinvenção debochada dele.

O rock precisa ser experimental e provocador

Boa parte da discussão sobre IA no entretenimento gira em torno de proteção, regulação e medo do futuro. O clipe dos Stones desloca a conversa para outro lugar: o da experimentação.

Esse é o ponto. Os Stones nunca foram uma banda preocupada em oferecer conforto moral ou respostas simples. O papel deles sempre foi tensionar cultura, comportamento e estética – assim como tensionam acordes, criando riffs viscerais e canções atemporais.

Agora fazem isso também no debate sobre IA.

O que as marcas podem aprender com os Stones

Existe uma lição importante aqui para empresas e marcas que tentam entender o lugar da IA na cultura contemporânea. Os Rolling Stones não usaram tecnologia para parecer eficientes. Não usaram IA para automatizar criatividade. Não venderam inovação como produtividade.

Usaram IA para amplificar identidade. Essa diferença é crucial.

Em um momento em que muitas empresas adotam IA apenas como discurso corporativo ou ferramenta operacional, os Stones mostram que tecnologia só ganha relevância cultural quando reforça narrativa, personalidade e atitude.

No fim, talvez seja essa a grande provocação dos Rolling Stones para a indústria cultural: a tecnologia pode mudar muita coisa, mas inovação sem personalidade continua sendo apenas efeito especial.

Tecnologia nunca matou o rock. O que mata o rock é o medo de experimentar. Como escreveu Keith Richards em sua autobiografia Life: “Essa é a vida do roqueiro, e você precisa inventá-la enquanto segue em frente”.

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