A forma como os brasileiros se relacionam com suas casas mudou de maneira profunda. O lar extrapolou a função tradicional de abrigo e se tornou um espelho do modo de vida, das emoções, das rotinas e até das aspirações de quem o habita. Não é à toa que as categorias ligadas à casa – como construção, decoração, móveis, pintura, serviços de reforma e até arquitetura – têm passado por transformações aceleradas.
Hoje, a casa virou palco de experiências íntimas – de cuidado, de descanso e também de produtividade. A pandemia catalisou parte desse movimento. Mas, o que se vê agora é um comportamento consolidado: as pessoas querem viver em espaços que traduzam quem são, absorvam seus rituais diários e ampliem sua qualidade de vida.
A Leroy Merlin acompanha essa mudança de perto. A empresa percebe o fenômeno como um deslocamento cultural significativo. Flávia Barros, CMO da marca, resume a virada com clareza. “O lar deixou de ser apenas um local de residência e passou a ser um espaço de autocuidado, identidade e pertencimento”, afirma.
Para ela, essa mudança não é um ciclo passageiro. Trata-se de um comportamento que veio para ficar. “Essa transformação foi acelerada por novos estilos de vida, do home office ao desejo por ambientes mais funcionais, acolhedores e conectados ao bem-estar físico e emocional.”
Uma nova jornada de compra
Com a mudança na relação entre consumidor e lar, a jornada de compra também se transformou. Ela se tornou mais híbrida, profunda e, sobretudo, mais orientada à solução do que ao produto.
Flávia explica que esse novo consumidor chega mais informado e mais exigente. Ele pesquisa antes de comprar, busca inspiração em diferentes canais e espera encontrar continuidade entre o digital e o físico.
“Outro ponto importante é que o consumidor não quer apenas comprar um produto: ele quer resolver uma necessidade, expressar seu estilo, melhorar seu bem-estar e refletir seus valores no lar. Isso exige que o varejo esteja atento às tendências de comportamento, cultura, sustentabilidade e tecnologia, entregando experiências completas, não apenas itens isolados”, comenta.
Essa fluidez exige que as marcas ofereçam experiências consistentes em todos os pontos de contato. Uma pessoa pode começar no aplicativo, visitar a loja, tirar dúvidas por vídeo, definir cores pelo Instagram e finalizar a compra pelo e-commerce. Tudo isso sem querer perder tempo, sem querer retrabalho e sem aceitar atritos no caminho.
A sazonalidade deixa esse comportamento ainda mais evidente. No Natal, por exemplo, a demanda por serviços cresce de forma expressiva. A Leroy Merlin percebe que o cliente não quer apenas comprar itens decorativos, mas precisa de soluções completas para montar, instalar, ajustar ou transformar ambientes rapidamente.
Personalização como extensão da identidade
Entre todos os movimentos observados pela Leroy Merlin, a personalização aparece como um dos mais relevantes. Os consumidores desejam ambientes que contem suas histórias e reflitam seus gostos individuais, e não apenas espaços bem montados, mas lugares com significado.
“A personalização é parte central do nosso posicionamento. Acreditamos que cada casa tem uma história e cada cliente merece as ferramentas para contá-la”, destaca.
Na prática, isso se traduz em coleções exclusivas, produtos assinados, ambientações inspiradoras e parcerias com artistas e designers.
Tendências que moldam o lar
A compreensão desse novo cenário também levou a marca a identificar tendências que têm guiado as escolhas dos consumidores. O design biofílico aparece com força, refletindo a necessidade de reconexão com a natureza. Ambientes multifuncionais ganham importância à medida que a casa acumula funções e se adapta a diferentes momentos do dia.
A tecnologia se integra de maneira mais orgânica, com automação mais acessível e dispositivos inteligentes que facilitam a rotina. A sustentabilidade deixa de ser diferencial e passa a ser premissa.
“O grande movimento é a combinação entre estética e funcionalidade. Permitindo, assim, que o lar evolua junto com as necessidades das pessoas”, explica Flávia.
Encontro entre design, bem-estar e estilo de vida
A mudança no comportamento do consumidor também é nítida para a Tok&Stok. A marca observa que o lar deixou de ser um lugar de passagem e se transformou em um ambiente de experiência. Um espaço onde as pessoas relaxam, trabalham, estudam, recebem amigos, fazem exercícios e realizam rituais de cuidado pessoal.
De acordo com o head de Design da empresa, Ademir Bueno, a Tok&Stok posiciona a casa como um espaço de experiência e bem-estar, tratando tendências de moradia como oportunidades para oferecer soluções que vão além do móvel. Essa visão é transmitida por meio de campanhas e de um posicionamento aspiracional nas lojas físicas e no site.
Essa abordagem fica evidente nas criações da marca. A curadoria melhora, a estética evolui, a funcionalidade se torna protagonista e a ergonomia ganha espaço. O consumidor valorizou a ideia de ambientes inteligentes e otimizados, especialmente diante da redução das metragens e da multiplicidade de usos nos mesmos espaços.
“A utilização de aromas de ambientes, como óleos essenciais e velas aromáticas, tem se popularizado por criar uma atmosfera de relaxamento, reduzir o estresse e melhorar o humor. Além disso, esses produtos costumam ter design moderno e minimalista, alinhado às tendências de decoração e bem-estar”, relata Ademir.
Experiências do lar: do digital para a loja
A Tok&Stok tem desenvolvido um modelo em que o digital inspira e a loja física transforma essa inspiração em vivência concreta. O e-commerce cumpre o papel de vitrine ampliada, na qual o cliente explora estilos, combinações e layouts completos.
“Há ênfase na jornada omnichannel, fazendo o digital servir como vitrine e a loja física como palco para vivência e conversão”, frisa.
O design brasileiro como força criativa
Outro aspecto é o compromisso da marca com a brasilidade. A Tok&Stok valoriza o trabalho de designers brasileiros e concentra sua produção em uma cadeia com forte presença nacional. Ademir reforça esse ponto ao destacar que cerca de 68% dos fornecedores são brasileiros.
Essa escolha traduz não apenas uma estratégia de negócio, mas também uma resposta à demanda por identidade, originalidade e impacto econômico positivo.
“Além de fortalecer a identidade brasileira, essa estratégia também contribui para a geração de renda e a valorização de comunidades artesãs de várias regiões do Brasil, promovendo economia local e sustentabilidade”, pontua.
Bem-estar e propósito na moradia acessível
No setor imobiliário, a MRV identifica um perfil de comprador que vê a casa como conquista emocional e símbolo de autonomia. Trata-se de um público jovem, majoritariamente entre 18 e 30 anos, altamente conectado e atento ao papel que o lar desempenha em sua rotina.
Flávio Paulino de Andrade e Silva, diretor de Produtos e Projetos, destaca que essa visão influencia diretamente as decisões da companhia.
“A MRV tem buscado transformar o conceito de morar acessível no Brasil, tornando o lar um ambiente que promova bem-estar, conforto e conexão. A nova geração de empreendimentos foi pensada para equilibrar mobilidade, comodidade e sustentabilidade. Elementos que, hoje, definem qualidade de vida”, conta.
Biomas brasileiros como inspiração estética
Entre as iniciativas recentes, a renovação das fachadas dos empreendimentos chama atenção. Inspiradas em biomas como Mata Atlântica, Cerrado, Pampas e Pantanal, elas trazem cores e texturas que dialogam com a natureza brasileira e criam uma conexão emocional mais forte com os moradores.
Essa estética não é apenas decorativa. “Essa mudança foi resultado de uma pesquisa nacional com clientes da marca e o projeto foi pensado para criar experiências que unem estética, uso racional de materiais, durabilidade e funcionalidade”, conta.
Multifuncionalidade como requisito da vida urbana
A MRV também observa que o lar ganhou funções que vão além do descanso. As áreas comuns refletem essa mudança ao oferecer coworking, espaços de leitura, academias, hortas e ambientes de convivência pensados para estimular socialização e rotina saudável.
Dentro das unidades, o foco recai sobre ventilação natural, iluminação, eficiência energética e plantas mais inteligentes. A personalização cresce como demanda e traz opções de acabamentos que ajudam cada morador a imprimir sua identidade no espaço.
“Além disso, os empreendimentos são concebidos com plantas inteligentes e ambientes multifuncionais, que permitem ao cliente definir se um cômodo servirá como quarto, escritório ou área de estudo, por exemplo”, acrescenta.
A empresa ainda mantém um monitoramento constante das tendências de consumo e comportamento social. As decisões de produto são baseadas em dados e feedbacks de clientes, desde pesquisas de satisfação até o acompanhamento da jornada de compra e moradia. Essa escuta ativa tem sido fundamental para moldar lançamentos, aprimorar a experiência de compra e desenvolver campanhas que refletem o novo estilo de vida dos brasileiros.
“As pessoas querem viver em locais que reflitam quem elas são, com design acolhedor, áreas verdes e infraestrutura completa. Espaços multifuncionais, condomínios conectados à natureza e soluções tecnológicas acessíveis serão as bases da moradia contemporânea. O lar será cada vez mais um espaço de propósito, conforto e pertencimento”, finaliza Flávio.





