O comércio eletrônico brasileiro acaba de atingir um novo marco tecnológico. O Banco do Brasil e a Visa anunciaram a realização da primeira transação iniciada por um agente de Inteligência Artificial no Brasil.
A operação foi realizada no dia 11 de março, utilizando a plataforma Visa Intelligent Commerce (VIC). Nesse modelo, um agente de IA pode executar determinadas etapas da jornada de compra em nome do consumidor, desde que previamente autorizado.
A transação ocorreu em um ambiente de produção controlado e teve sucesso ao concluir o pagamento com um cartão BB Visa habilitado para esse tipo de operação.
Segundo Pedro Bramont, diretor de Soluções em meios de Pagamento e Serviços do Banco do Brasil, a adoção do Agentic Commerce amplia a conveniência para os clientes, sem abrir mão da segurança e da confiabilidade tradicionais do BB, e aproveita a oportunidade gerada com a adoção massificada de IA pelo mundo.
“Estar à frente desse movimento, em parceria com a Visa, reafirma o papel do Banco como protagonista em novas soluções tecnológicas. Temos orgulho de participar dessa nova tecnologia, combinando IA, segurança e inovação no futuro do comércio eletrônico”, afirma.
Novo momento de compras com IA
O marco sinaliza uma nova fase para o e-commerce brasileiro, que completa 30 anos e passa a avançar para um modelo de consumo mais automatizado. Nesse cenário, surge o chamado comércio agêntico, em que consumidores autorizam agentes de IA a executar etapas da jornada de compra com base em regras e limites previamente definidos por eles.
Com o Visa Intelligent Commerce, agentes de IA podem auxiliar em tarefas como busca de produtos, comparação de ofertas e até iniciar pagamentos. As transações utilizam tokens, códigos que substituem os dados reais do cartão, aumentando a segurança das compras online.
Além disso, os pagamentos contam com autenticação integrada e monitoramento de risco em tempo real, realizados por meio da infraestrutura global da Visa.
Infraestrutura integrada
A solução reúne tecnologia e APIs integradas que utilizam a infraestrutura da Visa para permitir transações baseadas em consentimento. Nesse modelo, os pagamentos podem ser iniciados por agentes de IA em nome dos consumidores, mas dentro dos padrões de segurança e requisitos regulatórios.
A iniciativa também abre caminho para a expansão do comércio agêntico no Brasil, permitindo que parceiros do ecossistema desenvolvam experiências de pagamento baseadas em IA de maneira mais fluida e integrada.
A novidade acontece na mesma semana em que a OpenAI anuncia a descontinuação da funcionalidade Instant Checkout. Ela permitia que usuários pudessem realizar toda a jornada de compra no ChatGPT, sem a necessidade de sair do chat conversacional. Segundo a empresa, apesar de mais de um bilhão de buscas semanais por produtos na ferramenta, consumidores dificilmente concluíam a compra por lá.
O encerramento da solução aponta desafios para compras via agentes em plataformas de IA. É o caso da sincronização em tempo real de preços de milhões de itens, da prevenção de fraudes, além da conformidade com leis fiscais e de proteção ao consumidor. Agora, a transação mostra um possível novo caminho: o comércio agêntico ganhando força em um ambiente mais controlado e protegido, como o de uma instituição financeira.
Segurança nas transações
O VIC também possibilita que agentes ativem credenciais de pagamento Visa com recursos como tokenização, autenticação e controles de segurança em tempo real administrados pela rede global da empresa. Essas ferramentas foram adaptadas especificamente para transações iniciadas por agentes de IA.
Com isso, os dados sensíveis do cartão permanecem protegidos, enquanto emissores financeiros podem oferecer de forma integrada pagamentos iniciados por agentes digitais dentro de suas plataformas.
“A primeira transação agêntica com o Banco do Brasil demonstra, na prática, como estamos preparando o mercado brasileiro para a próxima geração do comércio digital”, destaca Rodrigo Cury, presidente da Visa do Brasil.
Ainda de acordo com o executivo, esse movimento inaugura uma era de conveniência e eficiência sem precedentes, tornando essencial que empresas, consumidores e todos os participantes da cadeia de valor de pagamentos estejam preparados para se adaptar rapidamente a esse novo ‘mundo’, em que a IA redefine padrões de consumo, competitividade e inovação no varejo digital.





