Mesmo diante de incertezas macroeconômicas e pressão sobre investimentos, empresas conseguem crescer e redefinir seu posicionamento competitivo. Segundo relatórios do Gartner, o segredo está em alinhar expansão estratégica, evolução tecnológica e foco em valor real ao cliente. É o caso da Almaviva, que ganhou destaque nos levantamentos sobre a participação de mercado em Serviços e Infraestrutura e Serviços Gerenciados da consultoria.
Mais do que números expressivos, o avanço da companhia ajuda a revelar quais são, hoje, os verdadeiros vetores de transformação do setor. Especialmente em um cenário em que tecnologia, experiência e resultado passam a caminhar de forma cada vez mais integrada.
Crescimento acima da média
O pano de fundo não é trivial. Em 2025, o Gartner aponta que o mercado global cresceu de forma moderada:
- Infraestrutura e serviços gerenciados: +3,4%;
- Serviços (geral): +3,8%.
Mesmo com essa expansão contida e impactada por incertezas macroeconômicas e redução de gastos, alguns fornecedores conseguiram romper a média. A Almaviva aparece como destaque em ambos os estudos:
- +20,3% em infraestrutura e serviços gerenciados;
- +29,6% em serviços.
Na prática, isso posiciona o Grupo Almaviva entre os fornecedores de crescimento mais acelerados globalmente. Feito relevante em um mercado altamente competitivo e fragmentado.
O que explica esse avanço?
Os relatórios do Gartner são bastante objetivos ao apontar os motores desse crescimento. Além disso, ajudam a entender a trajetória da Almaviva e a lógica atual do setor.
1. Expansão geográfica como estratégia de escala
A aquisição da TIVIT em 2025 é destacada como um dos movimentos mais relevantes da Almaviva. A operação ampliou a presença da empresa na América Latina e fortaleceu ofertas em cloud e cibersegurança, abrindo oportunidades de cross-selling. A transação é apontada pelo Gartner como um dos principais motores de crescimento da companhia em 2025.
Após a aquisição, a Almaviva registrou crescimento de 25% na receita anual, alcançando faturamento combinado de cerca de R$ 11,1 bilhões a R$ 12 bilhões anuais. A operação fortaleceu a presença da companhia europeia na América Latina. O grupo registrou R$ 4,5 bilhões anuais em receita (somando as operações da TIVIT, Almawave, Almaviva Solutions e Almaviva Experience).
Aqui há um ponto estratégico importante: em um mercado fragmentado, expansão regional e consolidação via fusões e aquisições (M&A: Mergers and Acquisitions) não são apenas táticas, como também caminhos diretos para ganhar relevância global.
2. A corrida por capacidades críticas: cloud, IA e cibersegurança

Outro fator central é o fortalecimento de portfólio em áreas de alto impacto. O Gartner destaca que a Almaviva vem direcionando investimentos para cloud computing, cibersegurança, IA, saúde digital e plataformas próprias de tecnologia.
Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla: os líderes do mercado deixaram de tratar IA como diferencial e passaram a tratá-la como infraestrutura básica de competitividade.
Os próprios relatórios reforçam que os players vencedores são aqueles que integram IA ao core das operações. Criam modelos de entrega baseados em automação e escalam capacidades com parceiros e ecossistemas.
3. Aquisições como motor estrutural – e não oportunista
Os estudos deixam claro que o crescimento inorgânico deixou de ser complementar para se tornar central. Salientando a estratégia de M&A, em 2025, as fusões e aquisições foram impulsionadas principalmente por:
- Expansão de capacidade para IA;
- Fortalecimento de data centers;
- Entrada em novos mercados estratégicos.
No caso da Almaviva, a TIVIT cumpre exatamente esse papel: não apenas amplia presença, mas acelera a maturidade tecnológica e comercial da companhia.
“A integração com o Grupo Almaviva eleva claramente o nosso posicionamento”, afirma Valdinei Cornatione, CEO da TIVIT Brasil. “Passamos a competir com maior diferenciação tecnológica, maior profundidade de conhecimento setorial e maior relevância nas decisões estratégicas dos nossos clientes. Isso nos posiciona como um dos principais players para impulsionar a transformação digital na América Latina.”
Um mercado fragmentado e aberto a novos líderes
Um dos pontos mais interessantes dos relatórios é o retrato do mercado: baixa concentração entre líderes (top 10 com menos de 20% em infraestrutura); forte presença de players regionais e competição baseada em especialização e proximidade local.
Isso explica por que empresas como a Almaviva conseguem ganhar espaço rapidamente: o jogo não está totalmente dominado pelos gigantes globais.
Ao contrário, o Gartner destaca que expertise local aliada a aquisições estratégicas + foco em nichos de alto valor têm sido a combinação vencedora.
O que isso diz sobre o futuro do setor?
Mais do que um case isolado, o desempenho da Almaviva aponta para três movimentos maiores:
- A consolidação ainda está em curso: O mercado segue fragmentado e deve continuar sendo palco de aquisições relevantes.
- IA deixou de ser tendência e virou pré-requisito: Empresas que não integrarem IA de forma estrutural tendem a perder competitividade.
- A disputa será por plataformas completas, não serviços isolados: O Gartner aponta uma mudança clara para ofertas end-to-end, combinando cloud, dados, segurança e automação
Crescimento revela mais do que números
O avanço da Almaviva nos rankings do Gartner não é apenas um indicador de performance. Ele funciona como um termômetro do setor.
Em um mercado onde o crescimento médio é modesto, destacar-se exige algo além de escala: exige estratégia clara, capacidade de execução e leitura precisa das transformações tecnológicas.
E, nesse sentido, o recado dos relatórios é de que os próximos líderes globais não serão apenas os maiores, mas os mais rápidos em se adaptar.
Ainda, os relatórios indicam um deslocamento do modelo tradicional de prestação de serviços, baseado em entregas operacionais e cumprimento de escopo, que está sendo substituído por uma lógica orientada a impacto e, sobretudo, à experiência.
As empresas que estão priorizando engajamentos de transformação, que combinam IA com mudanças estruturais nos processos de negócio e, principalmente, modelos baseados em resultado, seguirão mais competitivas.
Cocriação de valor
Esse movimento altera a régua de avaliação do mercado. O fornecedor deixa de ser medido pela execução técnica ou pelos níveis de serviço e passa a ser avaliado pelo efeito concreto que gera no negócio do cliente.
A incorporação acelerada de IA, especialmente com o avanço de GenAI e sistemas mais autônomos, intensifica ainda mais essa transformação. Os relatórios mostram que os líderes do mercado estão operando com níveis inéditos de automação, reduzindo tempo de entrega, aumentando a qualidade e criando operações mais preditivas e escaláveis.
Ao mesmo tempo, cresce a centralidade da confiança como elemento competitivo para os fornecedores. A experiência do cliente, nesse sentido, passa a incluir não apenas a eficiência da entrega, mas a segurança e a previsibilidade da operação. Quem oferta tecnologia para CX precisa agora sair da lógica de fornecimento e avançar – e bem rápido – para uma atuação de cocriação de valor.
Enfim, a leitura combinada dos relatórios aponta para uma inflexão relevante em tecnologia: o mercado não está apenas mais competitivo – ele está menos tolerante a promessas.
Nesse novo contexto, crescer acima da média não depende apenas de escala ou portfólio, mas da capacidade de alinhar tecnologia, experiência e geração real de valor. E é justamente esse alinhamento que começa a separar os fornecedores que acompanham o mercado daqueles que, progressivamente, deixam de ser relevantes.





