Em Davos, na Suíça, a 56ª edição do Fórum Econômico Mundial começou esta semana com um foco intenso naquilo que tem sido o hype das mesas de negócios nos últimos anos: a Inteligência Artificial.
Dario Amodei, da Anthropic, Demis Hassabis, do Google, e Satya Nadella, da Microsoft – alguns dos maiores líderes de negócios com IA – discutiram com grandes mentes do setor os caminhos que essa tecnologia está desenhando para 2026 e os próximos anos.
Em resumo, Dario Amodei critica a recente política do presidente dos EUA, Donald Trump, de permitir a venda de chips de IA para a China, comparando-a a “vender armas nucleares para a Coreia do Norte”. Demis Hassabis acredita que 2026 pode resultar em desacelerações nas contratações de juniores impulsionadas pela automação da IA. Mas que as ferramentas de IA podem, em última análise, permitir mais criação de habilidades do que os caminhos tradicionais.
Dario Amodei também afirma que, em poucos meses (6 a 12), modelos de IA irão fazem “a maior parte, talvez tudo” o que engenheiros de software fazem. Satya Nadella aponta que nenhuma empresa pode “simplesmente ficar de passagem” na era da IA, ressaltando que as grandes empresas que não acompanharem esse movimento serão “ensinadas por alguém pequeno”.
Prazo apertado e novos desafios
Com o tema Espírito de Diálogo, o Fórum Econômico Mundial 2026 busca ampliar a conversa entre temas espinhosos. Entre alertas geopolíticos, tarifas e outras turbulências, a mensagem dos líderes de IA sobre o futuro com essa tecnologia é clara: a janela para se adaptar está fechando rapidamente.
Aashna Kircher, diretora de RH e gerente geral da Workday, empresa americana de software empresarial, avalia o debate, e diz que a primeira promessa da revolução com IA parecia simples: ganhar tempo. E diz que, em grande parte, essa promessa está sendo realizada. No entanto, ela afirma que ao olharmos para 2026, um paradoxo está surgindo: tarefas individuais estão ficando mais rápidas, mas os resultados organizacionais não melhoram na mesma velocidade.
Para ela, o próximo horizonte é a tão falada transformação organizacional. Apesar da IA liberar as pessoas para fazerem trabalhos mais significativos, uma quantidade surpreendente de tempo nas empresas é gasta em retrabalho, supervisão e burnout. “A métrica de sucesso não pode ser mais simplesmente as horas economizadas. Deve ser valor criado.”
A próxima fronteira para Aashna é a IA para contexto: sistemas inteligentes que entendam pessoas, habilidades, políticas organizacionais e riscos profundamente suficientes para se tornarem “delegados confiáveis”. No entanto, mesmo a IA mais rica em contexto precisa de um parceiro, de pessoas capacitadas e que trabalhem junto com ela. Aashna diz que a questão para os líderes não é mais: “Devemos investir em IA?” Agora é: “Estamos investindo em nossas pessoas junto com as ferramentas certas?”.
À medida que líderes se reúnem em Davos para avaliarem o cenário global, a jornada com IA também esbarra em uma comunidade cada vez mais afetada por inúmeras circunstâncias. No caso dessa tecnologia, o objetivo do debate com a IA precisa urgente ir além da velha pergunta: “O que a IA pode fazer?”. Aashna alerta que essa questão precisa ser mais profunda agora: “Quem queremos que as pessoas se tornem em um mundo movido por IA, e estamos investindo corretamente?“.





