A Inteligência Artificial (IA) está cada vez mais presente no dia a dia das empresas, mas ainda não atingiu o potencial de transformação prometido. Uma pesquisa global realizada da McKinsey, entre junho e julho de 2025, revela que 88% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma área de negócios, contra 78% no ano passado. Apesar do avanço, quase dois terços das companhias ainda estão restritas à fase de experimentação ou projetos-piloto, sem conseguir escalar a tecnologia para toda a operação.
O levantamento ouviu 1.993 profissionais em 105 países e abrangeu empresas de diferentes setores e portes. Entre os entrevistados, 62% afirmam que suas companhias estão testando agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma e tomar decisões em fluxos de trabalho reais. No entanto, apenas 23% conseguiram implementar esses agentes de maneira mais ampla. O uso ainda se concentra em uma ou duas funções, como marketing e atendimento ao cliente.
Desafios de escala
Segundo o estudo, as empresas de maior porte, com receita acima de US$ 5 bilhões, são as que mais avançaram. Quase metade delas já atingiu a fase de expansão dos programas de IA, contra apenas 29% entre aquelas com receita inferior a US$ 100 milhões. O redesenho de processos internos aparece como um dos fatores mais decisivos para capturar valor da tecnologia.
Os líderes em IA estão indo além da automação e da eficiência. Eles usam a tecnologia para repensar fluxos de trabalho e acelerar a inovação, aponta o relatório. Entre as empresas consideradas de alto desempenho em IA, cerca de 6% das entrevistadas, metade pretende usar a tecnologia para transformar completamente o negócio.
Impacto ainda discreto nas finanças
Embora o entusiasmo com a IA seja evidente, o impacto financeiro ainda é limitado. Apenas 39% dos entrevistados relatam algum efeito sobre o EBIT (lucro antes de juros e impostos) de suas empresas, e a maioria estima que a contribuição da tecnologia represente menos de 5% do total.
Mesmo assim, os ganhos qualitativos são claros, sendo que 64% dizem que a IA tem impulsionado a inovação, e quase metade percebeu aumento na satisfação do cliente e na diferenciação competitiva. As companhias que definem o crescimento e a inovação como objetivos, e não apenas a eficiência, tendem a capturar mais benefícios da tecnologia.
O impacto da IA sobre o mercado de trabalho segue incerto. 32% dos entrevistados esperam redução no número de funcionários no próximo ano, enquanto 13% preveem aumento. A maioria (43%) acredita que não haverá mudanças significativas. As grandes empresas são mais propensas a prever cortes, mas as que estão mais avançadas em IA também relatam novos postos de trabalho surgindo com a transformação dos processos.
Gestão de riscos amadurece
O estudo mostra ainda um avanço na mitigação de riscos relacionados à IA. O número médio de riscos monitorados pelas organizações dobrou desde 2022, de dois para quatro. Mais da metade das empresas que usam IA já enfrentaram consequências negativas, principalmente por imprecisões nos resultados. Apesar disso, questões como explicabilidade e privacidade ainda recebem atenção insuficiente.
A pesquisa aponta que a IA deixou de ser uma promessa distante e se tornou uma realidade em expansão. No entanto, a maioria das empresas ainda está longe de extrair todo o valor da tecnologia.





