Segurança alimentar refere-se ao direito de todos os cidadãos terem acesso, de forma regular e permanente, a alimentos de qualidade. Esses alimentos devem estar em quantidade suficiente para cobrir suas necessidades nutricionais, sem comprometer o acesso a outras necessidades básicas.
Em suma, é garantir que as pessoas tenham acesso a alimentos seguros, nutritivos e em quantidade suficiente para uma vida saudável. Sabendo disso, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu, em 2018, uma Resolução estipulando o 7 de junho como o Dia Mundial da Segurança Alimentar.
Alimento em foco
Esta data representa uma celebração, óbvio. Entretanto, ela é um apelo à ação e à reflexão sobre a importância de assegurar que todos tenham acesso a alimentos de qualidade. No Brasil, a última pesquisa Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que 27,6% dos domicílios (21,6 milhões) enfrentam insegurança alimentar. Os dados são do ano de 2023, divulgados em 2024. Desses lares, 4,1% (3,2 milhões) estavam em situação de insegurança alimentar grave. Ademais, 18,2% dos domicílios (14,3 milhões de pessoas) passam por insegurança alimentar leve; e 5,3% (4,2 milhões de indivíduos) com insegurança alimentar moderada.
Contudo, é importante destacar que, no quarto trimestre de 2023, tendo como referência o período de três meses anteriores à data de realização da pesquisa, o Brasil tinha 72,4% (ou 56,7 milhões) dos seus domicílios em situação de segurança alimentar. Essa proporção cresceu 9,1 pontos percentuais frente à última pesquisa do IBGE a investigar o tema, que havia encontrado 63,3% dos domicílios do país em situação de segurança alimentar.

O perfil da insegurança alimentar
A proporção de domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave nas áreas urbanas em 2023 (8,9%) era inferior à das áreas rurais (12,7%). As regiões Norte (60,3%) e Nordeste (61,2%) tinham as menores proporções de domicílios em segurança alimentar, enquanto Centro-Oeste (75,7%), Sudeste (77,0%) e Sul (83,4%) tinham os maiores percentuais.
Em 42% dos domicílios do país, a pessoa responsável era branca, em 12,0% era preta e em 44,7% era parda. Entre os domicílios com insegurança alimentar, 29,0% dos responsáveis eram brancos, 15,2% eram pretos e 54,5% eram pardos. Em metade (50,9%) dos domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave no Brasil, o rendimento domiciliar per capita era inferior a meio salário mínimo. Nos domicílios em insegurança alimentar, 59,4% tinham responsável mulher.
Veja abaixo o quadro comparativo das regiões que estão em nível de insegurança alimentar:

O Brasil na produção de alimentos
O Brasil é o 4º maior produtos global de alimentos. O País está atrás da China, Índia e Estados Unidos. O Brasil é o maior exportador mundial de alimentos industrializados e ocupa a segunda posição no ranking mundial de exportadores de produtos agrícolas. A informação é da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). De acordo com o último balanço econômico da entidade, em 2024, o Brasil produziu 283 milhões de toneladas de alimentos e bebidas, sendo que 72% de toda essa produção é destinada para abastecer o mercado interno.


Justificativa para a alta dos alimentos

Sobre a alta dos alimentos nas gôndolas dos supermercados, Luiz Guilherme Schymura, cita dois fatores:
- Em primeiro lugar, as condições climáticas;
- E, sem segundo, as alterações no uso da terra que favoreceram culturas voltadas para a exportação. Como resultado, há uma diminuição do crescimento da produção de alimentos no País, o que, por sua vez, contribui para o aumento dos preços dos alimentos.
O depoimento de Luiz Guilherme Schymura na Carta do Ibre é uma análise econômica publicada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Alimentos e IPCA
Fato é que a elevação dos preços dos alimentos tem sido superior à inflação oficial do País. Em 2024, os preços dos alimentos registraram uma alta média de 7,69%, superando a inflação oficial do Brasil, que ficou em 4,83%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE.
Tomando São Paulo como exemplo para falar do aumento dos alimentos em geral, a dúzia de ovos brancos apresentou o maior aumento de preços na cesta básica entre dezembro de 2024 e abril de 2025. Foi uma alta de 43,6%, passando de R$ 10,02 para R$ 14,39. É importante destacar que, entre março e abril, houve a primeira queda no preço do produto, com uma redução de cerca de 5,2% (de R$ 15,18 para R$ 14,39). Os dados são da última pesquisa do Procon-SP em parceria com o DIEESE sobre as variações da cesta básica.
A pesquisa mensal revelou que a cesta básica dos paulistanos teve um aumento de 0,31% em abril de 2025. Em suma, o custo médio subiu de R$ 1.365,51, em 31 de março, para R$ 1.369,81 em 30 de abril. Adicionalmente, a principal pressão sobre os preços veio justamente do grupo de Alimentação, que registrou uma alta de 0,15% no mês.

Os vilões do supermercado
Entre os produtos que mais se elevaram no último mês, destacam-se:
- A batata, que teve um aumento de 16,58%, passando de R$ 6,09 para R$ 7,10 o quilo;
- E o café em pó, cujo pacote de 500 g subiu de R$ 25,87 para R$ 27,86 (alta de 7,69%).
De acordo com a pesquisa do Procon-SP com o DIEESE, o aumento no preço da batata foi influenciado pela redução da oferta devido à entressafra e pelas altas temperaturas, que impactaram a produtividade e a qualidade dos tubérculos. O café ficou sujeito a variações de preço pela maturação irregular dos grãos e incertezas sobre a qualidade da safra.
Segurança alimentar e consumo

No acumulado de 12 meses, entre abril de 2024 e abril de 2025, a cesta básica teve um aumento de 10,71%. Em síntese, o grupo Alimentação foi o principal responsável, com destaque para o café em pó (alta de 88,12%), óleo de soja (29,30%) e carne de segunda sem osso (28,76%).
Luiz Orsatti Filho é diretor-executivo do Procon-SP. Em suas palavras, a segurança alimentar é um aspecto intrínseco à defesa do consumidor. “Por isso, o Procon-SP trabalha continuamente para fazer valer os direitos de quem compra, seja pesquisando preços ou fiscalizando os estabelecimentos. Nossas pesquisas, como a da cesta básica paulistana, buscam oferecer ao consumidor referências para que possa otimizar seus gastos; mas, não só.”
Ele então diz que a Fundação vem trabalhando na criação de estudos comportamentais para identificar constantemente as mudanças nos hábitos de consumo, além de aprimorar o atendimento aos consumidores superendividados – algo que tem impacto direto na segurança alimentar. “Também estamos incorporando novas frentes de atuação, como na conscientização sobre os riscos das bets – mais uma questão que preocupa por causa do impacto na renda das famílias”, diz Luiz Orsatti Filho.
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