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Insegurança alimentar: app reduz preços nas compras de supermercado

Insegurança alimentar: app reduz preços nas compras de supermercado

O Facily foi fundamental na vida de milhares de brasileiros em situação de insegurança alimentar para reduzir as compras em supermercados
Legenda da foto

Há quem diga que a inovação vem dos momentos de maior necessidade. Não à toa, as ideias disruptivas se proliferam nas dores do consumidor e, portanto, em seus períodos de dificuldade. E para o consumidor do Brasil, isso fica ainda mais evidente com a situação atual econômica do País: o famoso jeitinho brasileiro encontra seu jeito de inovar e amenizar determinadas situações. A insegurança alimentar é uma delas.

Com as frequentes altas em supermercados, ir às compras ficou mais difícil justamente para quem mais precisa. O aumento dos preços veio, principalmente, em produtos que compõem a cesta básica, algo que afetou milhares de brasileiros e os integrou, infelizmente, a situação de insegurança alimentar — na qual a pessoa não consegue garantir que terá o que comer em um futuro próximo. E foi da necessidade de reduzir o valor investido no mercado que surgiram aplicativos que dividem compras de atacado, ou seja, tornam o produto mais barato.

No Brasil, o aplicativo mais utilizado para esse recurso foi o Facily: nada mais nada menos que uma plataforma que reúne um grupo de pessoas para comprar produtos com preço de atacado e dividi-los. Com mais de dois milhões de downloads nos dois primeiros anos de funcionamento do País, o app se tornou muito importante para fechar as contas dos brasileiros.

Insegurança alimentar: inovar para ter o que pôr no prato

Em linhas gerais, a atual situação do Brasil tem corroborado para que o País volte ao Mapa da Fome. Segundo estudo do Food for Justice, da Universidade Livre de Berlim, 59,4% das casas brasileiras estavam em situação de insegurança alimentar em abril de 2021. Foi nesse cenário que os aplicativos como o Facily se proliferaram por aqui.

Afinal, o aplicativo funciona de forma bastante prática: o grupo de pessoas pode tanto ser formado por pessoas desconhecidas quanto grupos de família, vizinhos e comunidades. A retirada do produto precisa ser feita pelas pessoas em locais indicados, o que também reduz os preços de forma geral.

Em entrevista à BBC Brasil, Diego Dzodan, presidente e fundador do Facily, destaca que a ideia veio dos social commerces da China. “Aprendemos estudando empresas chinesas. Esse modelo está muito desenvolvido por lá, onde é chamado de social commerce. Identificamos que o Brasil tem muito espaço nesse segmento e estamos crescendo de uma forma muito consistente desde março de 2020”, afirma.

Também em entrevista à BBC Brasil, Tânia Taylor Corrêa da Silva, de 34 anos, destaca que o uso da ferramenta foi fundamental para enfrentar as fases mais severas da pandemia. “Eu tenho três crianças e estou economizando muito nos gastos com leite. Compro uma caixa com 12 unidades por semana. Com o Facily, pago R$ 12. No mercado, custaria R$ 45″, comenta. “Eu recebo Bolsa Família e o pai da minha filha de 1 ano e 6 meses ajuda um pouco financeiramente, mas eu só tive condições de alimentá-la com a ajuda desse aplicativo.”

Tânia é uma das brasileiras responsáveis pelo abastecimento alimentício da casa que teve dificuldades financeiras durante a pandemia. Ela e outros milhares de cidadãos recorreram a outras alternativas fora dos supermercados tradicionais, como o aplicativo o contato direto com o produtor do alimento e a compra em grande quantidade para distribuição por meio de redes atacadistas.

Qual é o papel dos mercados?

E em um período marcado por redução de preços e alternativas para economizar, os supermercados também tiveram que dispor alternativas para manter os consumidores dentro de suas unidades. A grande questão é: em meio à crise econômica que vive o Brasil, o que os supermercados fazem para contribuir com a população mais carente — ou, ainda melhor, como eles contribuem com iniciativas como as da Facily?

Boa parte das compras feitas em aplicativos como o Facily são feitas ou diretamente com o produtor ou por meio de redes atacadistas. Em entrevista à Consumidor Moderno, Marco Oliveira, vice-presidente do Atacadão, destaca a necessidade de os mercados atacadistas estarem abertos a esse tipo de inovação, uma forma de favorecer quem realmente precisa do produto com melhor preço. Afinal, a redução da insegurança alimentar é um trabalho de todos.

“Aqui no Atacadão nós assumimos nosso papel de apoiar os pequenos comerciantes e empreendedores, que precisaram se reinventar buscando soluções na pandemia e para famílias que viram sua renda baixar neste cenário. Oferecemos preços acessíveis para itens alimentares e produtos de qualidade. Estamos sempre atentos às novidades digitais do mercado à medida que encontramos sinergias que possam beneficiar os nossos clientes com qualidade e preços justos”, destaca Marco.

Marco comenta, também, que ainda que haja aplicativos que melhorem a situação dentro da casa do brasileiro, os mercados também podem investir em maneiras para melhorar os preços sempre que possível. “A missão do Atacadão é oferecer acessibilidade a alimentos de qualidade a preços justos. Além disso, nós garantimos eficiência operacional, que é um atrativo ao cliente. Ao mesmo tempo que oferecemos preços acessíveis, assumimos um papel relevante como parceiros de pequenos comerciantes e empreendedores”, explica.

A estratégia do Atacadão, explica Marco, é ter em mãos bons fornecedores. “Por termos parcerias exclusivas com diversos fornecedores, conseguimos oferecer preços extremamente competitivos. Temos iniciativas comerciais que funcionam muito bem, como a Semana do Comerciante, por exemplo. Durante este período, colocamos diversos produtos em oferta em todas as nossas lojas para que o cliente possa fazer suas compras com tranquilidade, segurança e a garantia do melhor preço”, comenta.

No fim, é uma cadeira de recursos. E cada vez mais, os mercados precisam aderir às novas tecnologias do momento. “Os aplicativos de compras e entregas vieram para facilitar a vida e a rotina das pessoas”, complementa.


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