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8 em cada 10 profissionais da música já utilizam IA em fluxos de trabalho

8 em cada 10 profissionais da música já utilizam IA em fluxos de trabalho

Estudo global revela que uso de IA cresce entre músicos profissionais como ferramenta de evolução e produtividade.
Estudo global revela que uso de IA cresce entre músicos profissionais como ferramenta de evolução e produtividade.
Foto: Shutterstock.
Um estudo global com mais de 1.500 músicos mostra que a IA já faz parte do cotidiano da indústria musical, com 78% dos profissionais adotando a tecnologia. Longe de substituir artistas, a IA está sendo utilizada como ferramenta de apoio, embora preocupações com autenticidade e direitos autorais ainda persistam. O movimento sinaliza uma transformação mais ampla sobre IA na produção musical baseada em valor, pragmatismo e adaptação contínua.

A IA já não é uma promessa distante para a indústria musical e já está, de fato, dentro do estúdio. Um estudo global conduzido pela Water & Music em parceria com a Moises, com mais de 1.500 músicos, revela que a adoção da tecnologia é liderada por profissionais, desmontando a narrativa de que a IA seria uma ferramenta restrita a iniciantes ou amadores.

Segundo o levantamento, 78% dos músicos profissionais (cerca de 8 em cada 10 profissionais) utilizaram IA no último ano, contra 60% dos “hobbistas” (pessoas que praticam música por interesse pessoal, prazer ou lazer). O dado evidencia que quem depende financeiramente da música está mais disposto a incorporar novas tecnologias ao processo de trabalho.

Mais do que substituir a criatividade, a IA vem sendo utilizada como uma extensão das capacidades humanas, um novo “instrumento” na jornada artística.

IA como ferramenta, e não como atalho

Apesar de muitas artistas, músicos e puristas inflarem o debate público, frequentemente associando a IA à automação criativa, o estudo aponta um uso muito mais pragmático. A principal aplicação pela maioria dos profissionais não é a geração de músicas completas, mas sim tarefas operacionais que facilitam o fluxo de trabalho.

Essa dinâmica revela um ponto crucial: a tecnologia está sendo usada para potencializar a criação, e não para substituí-la.

Crescimento profissional impulsionado por IA

Os ganhos percebidos pelos músicos também vão além da eficiência operacional.

A pesquisa mostra que a IA tem impacto direto no desenvolvimento artístico:

  • 40% afirmam que aprenderam mais músicas com o uso da tecnologia;
  • 33% experimentaram novos gêneros;
  • 30% melhoraram a qualidade da produção.

A separação de stems (isolamento de instrumentos ou vocais) lidera com 71% de adoção, quase três vezes mais do que a criação de músicas completas por IA (24%). Essa técnica auxilia muito no estudo musical, além de acelerar processos de pesquisas, ajustes técnicos e de repertório.

Além disso, entre músicos que monetizam seu trabalho, 26% relatam aumento de renda com o uso de IA, enquanto menos de 4% observaram queda.

O paradoxo da confiança

Mesmo com a adoção crescente, a relação com a IA ainda é marcada por ambivalência. Mais da metade dos usuários (58%) demonstra preocupação com autenticidade, enquanto 55% citam questões de direitos autorais e licenciamento.

Ainda assim, 92% recomendariam o uso de ferramentas de IA para outros músicos, um indicativo claro de que valor e risco coexistem.

Quem lidera a transformação

Um dos dados mais relevantes do estudo é a inversão de expectativa. Não são os iniciantes que puxam a inovação, mas os profissionais.

Além de maior adoção, eles também investem mais. Músicos profissionais têm o dobro de probabilidade de gastar mais de US$ 50 mensais com ferramentas de IA.

O comportamento reforça um padrão já observado em outros setores: tecnologias emergentes ganham tração quando geram valor direto para quem depende delas economicamente.

Principais achados do estudo

  • 78% dos músicos profissionais usam IA, contra 60% dos amadores.
  • 71% utilizam IA para separação de stems (principal uso).
  • Apenas 24% usam IA para gerar músicas completas.
  • 26% dos músicos que monetizam viram aumento de renda.
  • 40% aprenderam mais músicas com apoio da IA.
  • 58% têm preocupações com autenticidade.
  • 55% apontam riscos ligados a direitos autorais.
  • 92% recomendariam o uso de IA para outros músicos.
  • Profissionais investem até 2x mais em ferramentas de IA.

Mercado em transformação e impacto no CX

Embora os dados indiquem crescimento consistente, vale mencionar possíveis vieses: cerca de 80% dos respondentes vieram da base de usuários da própria Moises, o que pode inflar a percepção de adoção.

Ainda assim, o estudo oferece um retrato relevante de um segmento já imerso no ecossistema de IA e aponta tendências que tendem a se expandir.

O avanço da IA na música acende um alerta para um movimento maior que vai além da indústria criativa. Ele antecipa transformações profundas na experiência do consumidor.

Primeiro: há uma mudança na lógica de valor. O foco deixa de ser apenas o produto final (a música) e passa a incluir o processo, a personalização e a experimentação. Isso abre espaço para experiências mais interativas, cocriativas e sob demanda para quem trabalha com produção musical.

Segundo: o estudo evidencia um comportamento típico do consumidor contemporâneo, a adoção pragmática. O interesse não é apenas na tecnologia em si, mas no valor que ela entrega, seja em eficiência, aprendizado ou personalização.

Por fim, o paradoxo entre adoção e desconfiança aponta para um desafio central na experiência do cliente: construir confiança em ambientes mediados por IA.

É nesse cenário de produtividade extrema, urgência, transparência, ética e controle do usuário, elementos-chave da experiência, que o CX caminha lado a lado com a IA.

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CAPA: Camila Nascimento
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