A Inteligência Artificial já ocupa um papel de destaque no universo digital infantil. De acordo com o mais recente relatório da Kaspersky sobre o interesse digital das crianças, entre maio de 2024 e abril de 2025 houve um crescimento expressivo no uso e na busca por ferramentas de IA, além da popularização de memes e novos jogos online.
Os dados revelam que 7,5% de todas as pesquisas feitas por crianças no período foram sobre chatbots, como ChatGPT, Gemini e Character.AI. Este último se trata de uma plataforma que permite criar ou interagir com bots que simulam personalidades fictícias ou reais. O aumento chama atenção: no levantamento anterior, consultas relacionadas a IA representavam apenas 3,19% das buscas.
“Não se trata mais de decidir se elas terão contato com essa tecnologia, mas de criar condições para que essa vivência seja segura, enriquecedora e compatível com cada etapa de seu crescimento”, afirma Fabiano Tricarico, diretor-geral de produtos de consumo da Kaspersky para as Américas.
O relatório alerta, no entanto, para os riscos desse contato precoce. Plataformas de IA, principalmente as que permitem conteúdo gerado por usuários, podem expor crianças a informações falsas, temas inadequados e interações emocionalmente intensas. Por isso, a recomendação é que pais e responsáveis acompanhem o uso, conversem sobre segurança e utilizem recursos de controle parental.
“O maior desafio não é erguer barreiras, e sim preparar crianças e famílias para compreender, questionar e usar essas ferramentas de forma consciente. Proteger não significa afastar, mas estar junto: orientando, estimulando e ajudando a construir uma base sólida de competências digitais que as capacite para um futuro em que a Inteligência Artificial fará parte da rotina”, comenta Fabiano Tricarico
Cultura digital: do “tralalero tralala” ao Sprunki
Além da IA, o estudo identificou tendências curiosas, como a ascensão de memes absurdos, conhecidos como “brainrot”. Um tipo de humor absurdo e deliberadamente caótico que se espalha por meio de vídeos curtos que circulam em vídeos curtos e viralizam entre crianças e pré-adolescentes. Um dos mais buscados foi a frase do meme italiano “tralalero tralala”.
Nos games, um novo título ganhou espaço: Sprunki, jogo de navegador baseado em ritmo e interação visual, que exige precisão para acertar batidas musicais em alta velocidade. A estética vibrante e a jogabilidade viciante fizeram o título aparecer entre os mais pesquisados no Google e no YouTube, ao lado de favoritos como Brawl Stars e Roblox.
YouTube lidera, WhatsApp ultrapassa TikTok
O YouTube segue como o aplicativo mais popular entre crianças, subindo de 28,13% para 29,77% de participação nas preferências. O WhatsApp assumiu a segunda posição (14,72%), ultrapassando o TikTok (12,76%). Segundo a Kaspersky, a mudança pode refletir a intensificação do uso de aplicativos de bate-papo para compartilhar vídeos, links e memes entre amigos.
Em média, crianças de 8 a 10 anos passam seis horas por dia diante das telas. Já os pré-adolescentes, entre 11 e 14 anos, chegam a nove horas diárias. Quase 18% das buscas feitas no Google foram sobre plataformas de streaming, com Netflix, Twitch e Disney+ se mantendo entre as favoritas.
Debate sobre exploração infantil ganha força
O relatório foi divulgado em um momento em que a segurança digital infantil está no centro do debate público. A discussão ganhou força após o influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca, denunciar o fenômeno chamado “adultização” de crianças em conteúdos online. Após a publicação do vídeo, Hytalo Santos, citado entre as denúncias, teve suas contas no Instagram e TikTok desativadas e passou a ser investigado pelo Ministério Público.
O caso ultrapassou as redes sociais, resultando na apresentação de mais de 30 projetos de lei na Câmara dos Deputados para endurecer punições contra a exploração e sexualização infantil online. No Senado, parlamentares formalizaram pedido de abertura de uma CPI.
Como manter a navegação segura
A Kaspersky recomenda que pais e responsáveis:
- Mantenham comunicação aberta com as crianças sobre riscos online e estabeleçam limites claros.
- Utilizem ferramentas de controle parental para gerenciar tempo de tela, bloquear conteúdos impróprios e rastrear localização.
- Mantenham-se informados sobre novas ameaças e acompanhem as atividades digitais das crianças.
- Protejam os dispositivos com soluções de segurança






