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Varejo cresce pelo terceiro mês seguido, mas já não acelera como antes

Varejo cresce pelo terceiro mês seguido, mas já não acelera como antes

Vendas do comércio sobem 0,5% em agosto e 7% na comparação anual, segundo o Índice do Varejo Stone; crédito caro e endividamento das famílias impedem retomada mais uniforme
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As vendas do varejo brasileiro cresceram 0,5% em agosto na comparação com julho, a terceira alta mensal consecutiva, e avançaram 7% sobre o mesmo mês de 2025, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). Cinco dos oito segmentos subiram no mês, com destaque para Combustíveis e Lubrificantes (2,7%), e 25 estados registraram alta anual, liderados pelo Amazonas (21,8%). Para a Stone, o mercado de trabalho segue sustentando o consumo, mas o crédito caro e o endividamento das famílias tornam a recuperação mais lenta e desigual entre setores e regiões.

  • Alta de 0,5% em agosto sobre julho, a terceira consecutiva
  • Avanço de 7% em relação a agosto de 2025
  • Cinco dos oito segmentos cresceram no mês; sete dos oito, no ano
  • 25 estados registraram alta anual; Amazonas lidera, com 21,8%
  • Região Norte puxa o crescimento, com 10,4%

Apesar das incertezas o comércio brasileiro segue positivo, mas o passo ficou mais curto. As vendas do varejo cresceram 0,5% em agosto de 2026 na comparação com julho, a terceira alta mensal consecutiva, de acordo com o Índice do Varejo Stone (IVS), levantamento mensal produzido pelo banco voltado a empreendedores. Contra o mesmo mês do ano passado, o avanço foi de 7%.

O número confirma que a recuperação está em curso, mas também indica que ela perde intensidade de um mês para o outro. Para Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o motor do consumo continua ligado, só que sem a mesma potência.

“O varejo completou três meses consecutivos de alta e segue em um patamar superior ao observado no ano passado. O mercado de trabalho continua sustentando a renda e o consumo, mas sem o mesmo impulso dos trimestres anteriores. Ao mesmo tempo, o custo elevado do crédito e o peso do endividamento das famílias ainda limitam a demanda, especialmente nos segmentos mais dependentes de financiamento. Esse cenário explica por que a recuperação segue acontecendo, mas de forma mais contida e desigual entre os diferentes setores”, afirma.

Combustíveis na frente, vestuário para trás

Na comparação mensal, cinco dos oito segmentos acompanhados pelo índice cresceram. Combustíveis e Lubrificantes lideraram, com alta de 2,7%, seguidos por Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (1,6%). Móveis e Eletrodomésticos, Tecidos, Vestuário e Calçados e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico avançaram 0,6% cada. No campo negativo ficaram Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-2,5%), Material de Construção (-0,8%) e Artigos Farmacêuticos (-0,3%).

O retrato anual é mais favorável e mostra por que a leitura de um único mês pode enganar. Sete dos oito segmentos cresceram em relação a agosto de 2025, novamente com Combustíveis e Lubrificantes no topo (15,2%). Na sequência vêm supermercados e alimentos (8,5%), Material de Construção (7,8%), que recuou no mês mas acumula forte alta no ano, Artigos Farmacêuticos (5,1%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (4,6%), Móveis e Eletrodomésticos (3,1%) e Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (2,4%). O movimento oposto aparece em Tecidos, Vestuário e Calçados: o segmento subiu em agosto, mas é o único com retração na base anual, de 3,5%.

Norte lidera, Sul fica na lanterna

Regionalmente, a expansão foi ampla. Dos 27 estados, 25 venderam mais do que em agosto do ano passado. O Amazonas teve o maior salto, de 21,8%, seguido por Acre (12,8%), Tocantins (11,4%), Mato Grosso do Sul (10,7%) e Amapá (10,5%). Entre os maiores mercados consumidores, São Paulo cresceu 6,7%, Rio de Janeiro 4,9% e Minas Gerais 4,8%. Na outra ponta, Mato Grosso avançou apenas 0,8%. Espírito Santo (-0,4%) e Rio Grande do Sul (-1,6%) foram os únicos com queda.

Por regiões, o Norte apresentou o desempenho mais forte, com alta de 10,4%. Nordeste e Centro-Oeste cresceram 5,1% cada, à frente do Sudeste (4%) e do Sul (2,3%).

Para o economista da Stone, a disseminação do crescimento convive com uma distância relevante entre as regiões, e o crédito segue como o fator que impede o nivelamento. “O resultado de agosto mostra uma retomada ainda disseminada pelo país, mas com diferenças importantes entre as regiões. O Norte apresentou o maior crescimento, puxado pelo Amazonas, enquanto Nordeste e Centro-Oeste também ficaram acima do desempenho observado no Sudeste e no Sul. A força do mercado de trabalho continua ajudando a sustentar o consumo em boa parte do país, mas as condições de crédito ainda limitam uma recuperação mais homogênea. Nos próximos meses, a evolução da renda e a melhora das condições financeiras devem continuar determinando o ritmo do varejo”, conclui Guilherme Freitas.

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