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As engrenagens de uma máquina de vendas, segundo Ricardo Nunes

As engrenagens de uma máquina de vendas, segundo Ricardo Nunes

No CONAREC 2026, o fundador da Ricardo Eletro detalha os pilares para escalar negócios, da formação de equipes ao marketing, planejamento, tributação e à política de não perder vendas
Foto: Bruno Mooca
Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro, afirmou no CONAREC 2026 que construir uma "máquina de vendas" sustentável exige encarar o negócio com visão empresarial e foco em rentabilidade, superando a postura de apenas "dono de empresa". Ele destaca que o crescimento em escala depende da combinação de várias engrenagens estratégicas: profissionalização da gestão, formação de equipes com cultura e valores fortes, inteligência tributária, entre outras.

Construir uma máquina de vendas, na visão de Ricardo Nunes, exige mais do que desenvolver vendedores capazes de fechar negócios. O fundador da Ricardo Eletro relaciona o crescimento sustentável a uma combinação de comportamento empresarial, gestão, planejamento, pessoas, cultura, tributação, marketing e processos. A lógica parte da experiência de quem levou uma operação de uma loja de 20 metros quadrados, em Divinópolis (MG), para 1.100 unidades e faturamento de até R$ 15 bilhões.

“Sempre que se fala em venda, máquina de vendas, o sentimento que passa para as pessoas é que é simplesmente ser um bom atendimento, preocupar com a venda na ponta. Mas uma máquina de venda se constrói através de muitas engrenagens”, afirma.

Para Nunes, o primeiro passo está na mudança de postura de quem decide empreender. Ele diferencia o comportamento de um empresário daquele de alguém que apenas possui um negócio e defende que a geração de receita precisa estar no centro da operação. A preocupação com propósito, segundo ele, não pode substituir a responsabilidade financeira de manter uma empresa funcionando, pagando funcionários e cumprindo compromissos.

“Para um empresário e dono de empresa, o propósito tem que ser ganhar dinheiro. Ao pegar seu CPF e colocar no CNPJ, você não pode brincar de ser empresário, porque empreender não é uma brincadeira“, ressalta.

De dono a empresário

A profissionalização aparece como outra engrenagem da máquina de vendas. Ricardo conta que passou por uma fase em que trabalhava continuamente, mas não conseguia fazer o negócio avançar na mesma proporção. 

A transformação veio quando passou a buscar conhecimento com empresários que já haviam percorrido trajetórias semelhantes no varejo. Para ele, aprender com quem já enfrentou determinados desafios é parte da construção da capacidade de gestão.

“Essas pessoas me tornaram um empresário. É muito importante tomar a atitude de aprender a virar empresário, porque dono, aquele que trabalha 24 horas por dia, trabalha igual um louco, paga todo mundo e, no final, não sobra nada”, destaca.

Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro/Foto: Bruno Mooca

Pessoas e cultura

A formação das equipes ocupa espaço central na estratégia apresentada pelo empresário. Ele chama atenção para o papel dos princípios e valores na construção da cultura organizacional e sustenta que o crescimento depende de fazer com que os colaboradores evoluam junto com a empresa. 

“Para construir uma empresa, escalar e crescer, você tem que aprender como fazer uma construção de gente. E, para construir gente, passa não só por treinar seu time profissionalmente, mas, principalmente, implementar duas coisas fundamentais na empresa: você tem que construir princípios e valores”, aconselha.

Na experiência da Ricardo Eletro, a gestão de uma estrutura que chegou a 45 mil colaboradores exigia justamente transformar valores em práticas compartilhadas e orientar o time para objetivos comuns.

“Não se constrói uma grande empresa sem uma cultura forte. E cultura é como se fosse uma religião, aquilo que você empreende, é que as pessoas acreditam”, afirma.

Gestão antes da delegação

Outro ponto destacado é a necessidade de estruturar a gestão antes de transferir responsabilidades. Delegar, para ele, não significa simplesmente deixar uma tarefa nas mãos de outra pessoa. O processo exige conhecimento prévio das etapas, acompanhamento e controle. 

Dentro disso, o planejamento aparece como base dessa estrutura. Ricardo compara uma empresa sem planejamento a um avião sem plano de voo: existe um destino, mas não necessariamente um caminho definido para chegar até ele. A associação reforça a necessidade de transformar objetivos comerciais em planejamento e orçamento, estabelecendo parâmetros para acompanhar a operação e tomar decisões.

“Como você pode ser dono de empresa no qual você não tem planejamento e orçamento? A base de uma empresa começa pelo planejamento e orçamento”, afirma.

Tributação e margem

Na construção de uma máquina de vendas, a questão tributária também interfere diretamente na capacidade de gerar resultados. A experiência de Ricardo Nunes com uma operação presente em diferentes estados brasileiros é usada para defender que empresários precisam conhecer as regras e os benefícios disponíveis em cada mercado. Segundo ele, desconhecer a estrutura tributária pode afetar a rentabilidade e até limitar oportunidades em canais como os marketplaces.

“O Brasil é um país continental e grande, onde as legislações são todas diferentes e você tem que entender de tributar. Não dá para empreender aqui se você não entende de tributar”, diz.

Marketing como motor de vendas

Entre as engrenagens apresentadas, o empresário coloca o marketing como um dos principais elementos responsáveis por transformar uma operação comercial em uma máquina de vendas. 

Para sustentar o argumento, ele recupera experiências da própria Ricardo Eletro, incluindo campanhas que ampliaram significativamente o volume vendido em determinados períodos. A tese defendida é que o vendedor executa a venda, mas a estratégia de marketing cria as condições para que ela aconteça em escala.

“Marketing é tudo. Eu vejo muitas pessoas que têm produtos bons, serviços bons, mas não entendem de marketing. E gente com produto ruim, com serviço ruim, vende muito. O que vende é marketing”, frisa.

A política de não perder vendas

A última engrenagem apresentada por Ricardo Nunes é sintetizada na política criada dentro da Ricardo Eletro: “É proibido perder venda”. Ele a descreve como uma política empresarial associada à cultura e à responsabilidade da liderança. A estratégia envolve analisar concorrência, produto, marketing, canais, comissionamento, processos, sistemas, autonomia, velocidade e metas.

“É de quem é a responsabilidade? Sua, dono de empresa. A sua equipe, que busca cliente, que vende, executa aquilo que você cria, mas a riqueza, quem cria é você”, finaliza.

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