Em meio a um cenário de crédito mais caro e seletivo, os brasileiros não têm recuado na busca por recursos financeiros, pelo contrário. Segundo levantamento do Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian, a procura por crédito avançou 17,1% no acumulado dos últimos 12 meses até julho no Brasil.
O crescimento foi registrado em todas as Unidades Federativas e revela que são as famílias de menor renda que mais recorrem ao crédito no país, pressionadas por um orçamento cada vez mais apertado entre contas básicas, fatura de cartão e pagamento de dívidas.
No Sudeste, Minas Gerais teve a maior variação entre os estados da região, com alta de 17,2%, à frente de Espírito Santo (16,1%), Rio de Janeiro (13,3%) e São Paulo (12,8%).

Visão nacional
Entre as faixas de renda, os consumidores que recebem de 1 a 2 salários mínimos apresentaram a maior alta na busca por crédito no período (38,8%). Na sequência, aparecem os que possuem renda de até 1 salário mínimo (16,7%) e, em seguida, pessoas de 5 a 10 salários mínimos (14,8%). Já a faixa de 2 a 5 salários mínimos registrou retração de 0,6%.


Brasileiro tem 74,6% da renda comprometida
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a composição da demanda segue refletindo um ambiente de crédito desafiador. Os dados ajudam a explicar. Enquanto o Banco Central mostra que o comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas permanece em patamar historicamente elevado, próximo de 29% da renda mensal, e o endividamento segue ao redor de 50% da renda acumulada em 12 meses, há uma pressão ainda maior sobre o orçamento das famílias quando considerados também os gastos essenciais do dia a dia.
Os brasileiros têm, em média, 74,6% da renda comprometida entre contas básicas, fatura do cartão de crédito e pagamento de dívidas. Entre os consumidores que recebem de um a dois salários mínimos, esse percentual chega a 87,8% e 87,0%, respectivamente, indicando uma margem muito limitada para absorver imprevistos ou despesas adicionais.
Nesse contexto, Camila diz que a demanda por crédito está menos associada à expansão do consumo discricionário e mais à administração do orçamento e das despesas do dia a dia. Na análise da especialista, o modelo também chama a atenção. “As modalidades de crédito com taxas menores vêm apresentando uma desaceleração mais acentuada na concessão, enquanto linhas rotativas, com juros significativamente mais elevados, continuam sendo acessadas por uma parcela importante da população”, explica Camila.
Mato Grosso lidera a demanda por crédito entre os estados
Na análise por Unidades Federativas, a procura dos brasileiros por crédito apresentou crescimento em todo o país no acumulado dos últimos 12 meses até julho. Mato Grosso (36,7%) liderou o ranking nacional, seguido por Acre (26,5%) e Amapá (25,6%). Também se destacaram Rio Grande do Sul (25,4%) e Roraima (24,5%). Na outra ponta, os menores crescimentos foram observados no Distrito Federal (11,3%), São Paulo (12,8%) e Rio de Janeiro (13,3%).

Variação anual mantém crescimento de dois dígitos
Na comparação entre julho de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a demanda dos consumidores por crédito cresceu 16,9%. Entre as faixas de renda, os consumidores com rendimento de 1 a 2 salários mínimos registraram a maior expansão (57,3%), seguidos pelos de 2 a 5 salários mínimos (10,8%). As demais faixas apresentaram retração.







