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97% das pessoas não conseguem distinguir músicas feitas por IA

97% das pessoas não conseguem distinguir músicas feitas por IA

Pesquisa global revela que, apesar da curiosidade sobre o uso de IA na criação de músicas, muitos ouvintes ainda rejeitam faixas totalmente produzidas por máquinas.
Deezer revela que 97% das pessoas não distinguem músicas feitas por IA
Foto: Shutterstock.com
Uma pesquisa global realizada pela Deezer em parceria com a Ipsos revelou que 97% das pessoas não conseguem distinguir músicas feitas por Inteligência Artificial das compostas por humanos. Apesar da curiosidade sobre o tema, o estudo mostra que grande parte dos ouvintes se sente desconfortável com essa fusão entre arte e tecnologia e pede mais transparência das plataformas. O levantamento também aponta preocupação com os direitos autorais e a remuneração justa de artistas, além de mostrar que muitos consumidores prefeririam filtrar ou evitar músicas totalmente geradas por IA.

Imagine ouvir uma música nova, uma melodia envolvente, uma voz marcante, uma produção impecável. Você se emociona, pensa no artista por trás daquela faixa e talvez até a adicione à sua playlist favorita. Mas, depois, descobre que a canção foi criada inteiramente por uma máquina. A sensação de estranhamento que esse cenário provoca é exatamente o que a Deezer buscou entender com sua nova pesquisa global sobre música gerada por Inteligência Artificial (IA).

Encomendada à Ipsos, a pesquisa é a primeira do mundo a investigar percepções e comportamentos em relação à música feita por IA. Foram entrevistadas 9 mil pessoas em oito países: Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Holanda, Alemanha e Japão. E o resultado é surpreendente: 97% dos participantes não conseguiram distinguir uma música feita por IA de uma composta por humanos.

A maioria (71%) ficou surpresa com o resultado e mais da metade (52%) sentiu desconforto ao perceber que não conseguia diferenciar as faixas. O estudo mostra que, embora a IA já faça parte do cotidiano das pessoas, o público ainda valoriza autenticidade, autoria e transparência no universo musical.

A banda The Velvet Sundown é um dos casos de artistas virais criados com IA.

Deixa a IA me levar

Quase todos os entrevistados (98%) já ouviram falar de Inteligência Artificial, e 72% afirmaram utilizá-la ocasionalmente. A curiosidade é o sentimento dominante: 55% dos participantes se dizem intrigados pela tecnologia, contra apenas 19% que afirmam confiar nela. Ao mesmo tempo, 46% dos entrevistados acredita que as ferramentas e recursos de IA podem ajudá-los a descobrir novas músicas.

Quando o assunto é música, metade dos entrevistados (51%) acredita que a IA desempenhará um papel relevante na criação artística nos próximos dez anos. Ao mesmo tempo, 64% temem que o avanço da tecnologia resulte na perda de criatividade na produção musical, e 51% preveem um aumento nas músicas genéricas e de baixa qualidade nas plataformas de streaming.

Ainda assim, a curiosidade é um motor poderoso: dois terços dos entrevistados (66%) admitiram que ouviriam uma música 100% gerada por IA apenas para experimentar, mesmo que 45% preferissem poder filtrar esse tipo de conteúdo de suas plataformas. Além disso, o estudo mostra que 40% dos ouvintes pulariam a música criada 100% com IA.

A demanda por transparência

Um dos pontos mais contundentes do levantamento é o desejo dos consumidores por clareza. Oito em cada dez entrevistados (80%) afirmaram que faixas geradas por IA devem ser claramente identificadas. Além disso, 73% querem saber se os algoritmos das plataformas estão recomendando músicas criadas por máquinas.

Para 52%, músicas 100% geradas por IA não deveriam competir nas mesmas paradas que as obras humanas, e apenas 11% defendem tratamento igual. O dado reforça a percepção de que, para o público, a origem da música ainda importa. Nesse sentido, a transparência é um requisito essencial para manter a confiança entre artistas, plataformas e ouvintes.

Valorização dos criadores humanos

O avanço da IA na música também levanta uma questão ética e econômica: quem deve ser remunerado e como? De acordo com a pesquisa, 65% dos entrevistados afirmam que não deveria ser permitido usar material protegido por direitos autorais para treinar modelos de IA.

“Não há dúvida de que existem preocupações sobre como a música gerada por IA afetará a remuneração dos artistas e a criação musical, e de que empresas de IA não deveriam treinar seus modelos com material protegido por direitos autorais. É reconfortante ver que temos amplo apoio aos nossos esforços”, comenta Alexis Lanternier, CEO da Deezer.

Sete em cada dez (70%) acreditam que o uso indiscriminado de Inteligência Artificial ameaça a remuneração de músicos, compositores e intérpretes, e 73% consideram antiético que empresas de IA usem obras originais sem autorização dos criadores. A maioria (69%) também defende que músicas geradas inteiramente por máquinas recebam pagamentos menores do que as composições humanas.

Brasil, mostra a sua IA!

Entre os oito países analisados, o Brasil se destacou como o mais curioso em relação à Inteligência Artificial. Cerca de 65% dos brasileiros demonstram interesse pela tecnologia, embora apenas 28% afirmem confiar nela. Quatro em cada dez brasileiros (42%) utilizam ferramentas de IA semanalmente ou com mais frequência.

No campo musical, os brasileiros mostram entusiasmo equilibrado com preocupação. Mais da metade (62%) acredita que as ferramentas de IA podem ajudá-los a descobrir novas músicas, e 59% enxergam um papel importante para a tecnologia na criação artística do futuro. Por outro lado, 60% temem que o uso crescente de IA leve à perda de criatividade.

Assim como no cenário global, 97% dos participantes brasileiros não conseguiram distinguir músicas geradas por IA das compostas por humanos. Ainda assim, o País se destacou pela curiosidade: 76% afirmaram que ouviriam músicas criadas por IA por curiosidade, o maior índice entre os países pesquisados.

É preciso saber… diferenciar músicas feitas por IA

A preocupação com a clareza também aparece entre os brasileiros: 77% querem que músicas geradas por IA sejam identificadas, e 76% gostariam de saber se estão recebendo recomendações automatizadas. Curiosamente, o Brasil é um dos países mais abertos à presença de músicas criadas por IA nas paradas musicais: 52% aprovam a inclusão. Porém, desse número, 34% gostariam que as músicas estivessem identificadas com feitas por IA.

Ao mesmo tempo, uma parcela significativa dos brasileiros demonstra rejeição à música gerada por Inteligência Artificial. Quase metade (46%) dos participantes da pesquisa afirmou sentir desconforto ao perceber que não consegue distinguir canções criadas por IA das compostas por humanos.

Além disso, 45% dos usuários de plataformas de streaming gostariam de ter a opção de filtrar completamente esse tipo de conteúdo, e 42% admitiram que pulariam uma faixa 100% gerada por IA se ela aparecesse em suas playlists.

Já no campo da ética e dos direitos autorais, 56% dos brasileiros defendem que materiais protegidos não devem ser usados para treinar modelos de IA, 65% acreditam que a tecnologia ameaça a remuneração dos artistas, e 67% consideram antiético o uso de músicas originais sem autorização dos criadores.

“A Deezer tem liderado o caminho na criação de soluções que promovem transparência e minimizam o impacto negativo do grande volume de conteúdo gerado por IA chegando à plataforma. Os resultados da pesquisa mostram claramente que as pessoas se importam com a música e querem saber se estão ouvindo faixas feitas por IA ou por humanos”, finaliza o CEO da plataforma de música.

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