/
/
Gorillaz tece arte phygital em meio ao caos da IA

Gorillaz tece arte phygital em meio ao caos da IA

Com o lançamento do seu recente álbum “The Mountain” e todo o conceito artístico e experiência que o envolve, a banda Gorillaz reforça um valor potente em CX: a transformação de jornadas.
Com o lançamento do seu recente álbum “The Mountain” e todo o conceito artístico e experiência que o envolve, a banda Gorillaz reforça um valor potente em CX: a transformação de jornadas.
Foto: Gorillaz/Divulgação.
Capa do álbum "The Mountain".
O novo álbum da banda britânica Gorillaz não é apenas um processo pessoal de cura para seus fundadores, mas também revigora a carreira de uma das maiores bandas do cenário pop e revela uma jornada de ressignificação e equilíbrio entre o humano e o digital — que também pode ser encarada como uma grande lição para o CX.

A banda britânica Gorillaz nasceu no final da década de 90, em um momento em que a MTV dava as cartas na indústria musical. Tempos áureos do videoclipe, televisão e pop manufaturado para a telona.

Na época, os fundadores e criadores do Gorillaz (que ainda nem existia), Damon Albarn (vocalista do Blur) e o cartunista Jamie Hewlett, dividiam um apartamento e assistiam muito à emissora – como todo jovem músico da época.

Foi num desses momentos, e entediado com as entrevistas dos artistas na MTV, que Damon decidiu: “e se criássemos uma ‘banda falsa’ com personagens animados para satirizar isso tudo?”

Boom! Nascia naquele momento pela mente de Damon e as mãos habilidosas de Jamie, o Gorillaz. Quatro personagens fictícios formavam a banda: 2-D, Murdoc Niccals, Noodle e Russel Hobbs. Todos com suas histórias, personalidades e visual intrigantes.

Fundindo o humano e o digital na música pop

O primeiro show ao vivo do Gorillaz aconteceu em março de 2001, no Scala, em Londres. Foi uma apresentação secreta para convidados e que revelava o conceito da banda. Damon Albarn e músicos tocando atrás de uma tela enquanto os personagens animados eram projetados. O show marcou o início da turnê Gorillaz Live (2001-2002).

Mas foi entre 2005 e 2006, quando a banda adotou a tecnologia Musion Eyeliner (hologramas 3D), que tudo mudou. Nas apresentações do MTV EMA e Grammy, os personagens Murdoc e 2-D andavam e interagiam com outros músicos convidados, lado a lado dos artistas, no mesmo plano, no palco. Aquilo foi o ápice da experiência em shows na época.

Apresentação de Madonna ao lado de Gorillaz no Grammy Awards de 2006.

Nesse caso temos a junção do digital e humano criando uma experiência bastante conhecida por todos nós: o phygital. De lá para cá, o Gorillaz conquistou milhares de fãs ao redor do mundo, respeito da crítica, prêmios, fama e dinheiro – e, claro, um espaço de destaque na MTV. Era o inusitado que a emissora tanto procurava para competir com a Internet, que começava a popularizar-se entre os jovens com acesso discado e alguns sites iniciais. E sim, o Gorillaz também estava de olho nesse universo.

The Mountain

Hoje, com o lançamento do seu recente álbum The Mountain, com a internet, IA, redes sociais e streaming a todo vapor, poderíamos pensar que a vida do Gorillaz ficou fácil e ganhou um novo impulso. De certa forma, sim. Mas não se engane.

Damon Albarn é um cara totalmente offline. Ele não usa redes sociais, streaming, sequer tem um smartphone. Seus agentes que se virem para atualizá-lo sobre a repercussão do álbum no digital – que, diga-se de passagem, é estrondosa.

Mas Damon é atento. Como músico e produtor é extremamente interessado na comunhão entre tecnologia e analógico para suas criações. Mas é enfático ao abordar o tema da IA como um “risco” para a criatividade. E prefere manter distância dela para preservar o foco criativo.

Arte em estado phygital convergindo com CX

O novo álbum do Gorillaz foi criado a partir de um mergulho na cultura indiana e tem participações de músicos locais e nomes consagrados da música pop. Elementos digitais soam em harmonia com instrumentos rudimentares e tradicionais da Índia.

As ilustrações de Jamie para o álbum são em 2D. Nascem no papel, desenhadas e pintadas à mão e apenas animadas de forma digital. O disco ganhou um curta-metragem nesse estilo, inspirado – não por acaso – na obra do escritor indiano Rudyard Kipling, do clássico O Livro da Selva (The Jungle Book), que ficou muito conhecido pelo personagem Mogli.

O curta recria visualmente a estética artesanal dos anos 1960, com cenários pintados à mão, texturas ricas em paisagens indianas que evocam a selva de Mogli. Levou 18 meses para ser produzido por Jamie Hewlett e estúdio THE LINE.

Esse é um ponto que o Gorillaz converge com o novo CX. A adoção do digital de uma forma que respeita o processo criativo humano e serve como ferramenta. Tá, mas você vai dizer: eu faço isso hoje com a IA! Faz mesmo? Será que em meio à pressão por desempenho, entrega e prazos muitas vezes não é o inverso? É a IA fazendo isso por você – e com você?

Vale destacar os desdobramentos das ações de lançamento do novo disco do Gorillaz. Cartazes enormes espalhados pelas ruas de metrópoles ao redor do mundo; uma exposição imersiva única em Los Angeles, celebrando o 25º aniversário da banda e o universo do novo álbum. Tudo capitaneado pelo Kong Studios, hub multimídia da banda.

Ressignificando dor em arte

É assim, com muita criatividade, que o Gorillaz segue autêntico em meio ao universo da música pop e ao cenário sufocante de IA. Sufocante não pelo fato de que a arte esteja ameaçada por essa tecnologia (a meu ver, não), mas pela ideia propagada de que a IA possa ser o fim para todo artista.

Uma das canções do novo álbum do Gorillaz versa sobre o fim, a perda. Fala de como é difícil dizer adeus para quem você ama. Damon Albarn e Jamie Hewlett perderam pessoas muito próximas durante o processo do disco. O que os levou à Índia, a uma jornada espiritual através do budismo e a compreensão da morte como transição.

“Se pudéssemos fazer um álbum que reduzisse o medo do inevitável, seria incrível”, disse Jamie Hewlett em entrevista.

E foi assim que nasceu The Mountain. Nele, o Gorillaz reforça uma pequena velha lição para um CX um tanto quanto desesperado hoje: ressignificar jornadas.

No caso dos criadores do Gorillaz, ela foi espiritual pela Índia, com ritmos místicos e temas de aceitação que culminaram em belas canções e um recomeço para a banda, que passava por um hiato criativo de aproximadamente três anos.

Talvez, se olhássemos para esse exemplo artístico em meio a todo esse emaranhado de dados, IA e suposições que orbita nosso dia a dia, poderíamos encarar nossos desafios, provocações, rupturas, medos e dores do mercado não como um fim, mas como uma passagem inevitável. Assim como fez o Gorillaz, transformando e ressignificando a dor em algo novo e potente.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Emília Rabello, da NÓS, revela como impacto social e lucro podem caminhar juntos — e por que o consumo das favelas não deve ser ignorado.
Boteco da CM: Por que o mercado ainda insiste em ignorar o consumo das favelas?
Emília Rabello, fundadora da NÓS, revela como impacto social e lucro podem caminhar juntos – e por que a economia da proximidade é a próxima fronteira do consumo.
Novas lideranças e reposicionamentos estratégicos reforçam foco em inovação, expansão e transformação digital.
Conheça as novas lideranças do Grupo Bimbo, PepsiCo, Ferrero e Eletromidia
Contratações e reposicionamentos estratégicos reforçam foco em inovação, expansão e transformação digital.
Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A..
5 perguntas para Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A.
CEO da Veste S.A. revela os bastidores do crescimento da empresa, as estratégias phygital para 2026 e como competir com o fast fashion no mercado premium.
Entre previsões de desaceleração e um calendário repleto de pausas, como a Copa do Mundo e eleições, o mercado mostra que o ritmo dos negócios já não segue os feriados.
O ano dos feriados, da Copa e das eleições em que ninguém, de fato, parou
Entre previsões de desaceleração e um calendário repleto de pausas, como a Copa do Mundo e eleições, o mercado mostra que o ritmo dos negócios já não segue os feriados.
SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]