/
/
O problema de gênero nos assistentes de voz

O problema de gênero nos assistentes de voz

A inteligência artificial tem sido programada através de um viés de gênero que pode carregar estereótipos nocivos para alguns grupos de pessoas. Como repensar as máquinas para que sejam mais éticas em termos de gênero?
Legenda da foto

Em maio deste ano a UNESCO publicou um relatório de 145 páginas sobre os problemas de gênero no setor digital, entre eles a falta de representatividade feminina, e como os produtos tecnológicos refletem esse desequilíbrio.
Uma parte do estudo foi destaque na mídia ao classificar os assistentes de voz como sexistas, perpetuando estereótipos prejudiciais de submissão e servidão às mulheres.

Viés de gênero

Não é nenhuma surpresa que sistemas humanóides sejam criados com base naquilo que entendemos como seres humanos, e é impossível abrir mão de todos os estereótipos existentes.
Contudo, o baixo índice de mulheres e pessoas de diferentes gêneros, como não-binários, por exemplo, nos setores de ciências tecnológicas, resulta em pouca orientação de diversidade nos modelos robóticos atuais.
Todos os principais assistentes de voz do mercado são dublados por vozes femininas, e à medida que a relevância desta tecnologia aumenta, cresce a preocupação de que elas possam reforçar a ideia de que as mulheres são mais adequadas para os serviços que exigem subserviência.

Riscos reais para pessoas transgênero

Pessoas de gênero neutro, andróginas ou não-binárias também passam por problemas com as inovações criadas com viés de gênero.
Softwares de reconhecimento facial normalmente atribuem a cada rosto um rótulo entre feminino ou masculino, não conseguindo fazer o reconhecimento adequado de pessoas cuja aparência fuja dessa estética padrão.
Em uma entrevista à CNN Business, o estudante não-binário de tecnologia Os Keyes, da Universidade de Washington, comenta que o problema não está em o software errar o gênero das pessoas, mas sim como essas classificações arbitrárias da IA podem policiar, restringir ou prejudicar pessoas trans nos locais em que essas tecnologias estão sendo implementadas – aeroportos, arenas esportivas, shows e aplicativos de segurança, para começar.

Possíveis soluções

O relatório da UNESCO compartilhou uma lista de recomendações que orientam desenvolvedores de tecnologias IA a encerrarem a perpetuação de estereótipos de gênero, entre elas:

Abolir a prática de tornar assistentes digitais femininos por padrão;

Explorar a viabilidade de desenvolver um gênero de máquina neutro para assistentes de voz;

Ensinar máquinas IA a responderem aos comandos dos usuários utilizando linguagem neutra;

Programar os assistentes digitais para que desencorajem insultos baseados em gênero e linguagem abusiva;

Desenvolver habilidades técnicas avançadas de mulheres e meninas, para que possam orientar a criação de tecnologias de fronteira ao lado dos homens.

Assistente de voz sem gênero

Durante a última Parada do Orgulho LGBTQ+ de Copenhague, a empresa de publicidade Virtue Nordic anunciou o lançamento de um assistente de voz nos moldes de Alexa e Siri, mas de gênero totalmente neutro, em uma tentativa de erradicar o viés de gênero da tecnologia.
O produto se chama Q, e foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores, linguistas e designers de som que analisaram as vozes de dezenas de pessoas, as classificando de acordo com escalas de som e chegando em uma faixa de frequência que fosse totalmente neutra.

Fazer com que as empresas adotem Q, ou outros robôs sem gênero, não será uma tarefa fácil, uma vez que nossos cérebros são culturalmente programados para um mundo que vê os gêneros estritamente masculinos ou femininos.
Contudo, a empresa faz um apelo em seu site oficial, para que grandes corporações, como Apple, Amazon, Google e Microsoft considerem tecnologias neutras em seus produtos de voz.

Assistentes de voz serão onipresentes nos carros dos próximos três anos
Cresce uso dos assistentes de voz para fazer compras online
Assistentes de voz: como elas podem melhorar seu cotidiano?
Assistentes virtuais? Consumidor ainda prefere contato humano

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Com parceria de afiliados da Shopee, Meta tenta transformar Reels e Feed em vitrine de comissão para criadores de conteúdo.
Instagram disputa creators com expansão do programa de afiliados
Com parceria de afiliados da Shopee, Meta tenta transformar Reels e Feed em vitrine de comissão para criadores de conteúdo
Prime Day: como Nubank e Amazon blindam milhões de transações contra fraudes
Amazon Brasil e Nubank ampliam parceria com checkout completo e reforço da cibersegurança
Com 94% dos atendimentos digitais e 388 mil medidores inteligentes, Comgás acelera o CX
Presença confirmada no CONAREC 2026, Thiago Trevisan explica como tecnologia, dados e governança estão impulsionando a transformação da Comgás
AWS investe US$ 1 bilhão para acelerar a adoção de IA em empresas
Empresa acaba de lançar uma frente de negócios dedicada à implantação de IA dentro das empresas clientes

Webstories

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]


Leandro Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Carolina Paes
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Gerente
Leonam Dias

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

O seu @ será o novo contato Protocolo pode virar prova na Justiça Quem assiste futebol só pelo futebol? Parceria entre McDonald’s e Coca-cola pode estar em crise