A trajetória do Magalu rumo à transformação digital não começou recentemente. A empresa construiu, ao longo de décadas, uma cultura que combina varejo e tecnologia. Algo que se tornou ainda mais evidente com a criação do Luizalabs, laboratório responsável por desenvolver soluções digitais para a companhia.
O movimento reflete uma mudança estrutural no setor: a tecnologia deixou de ser apenas suporte para operações e passou a ocupar posição central na estratégia de crescimento e inovação.
Segundo André Fatala, VP de Plataformas do Magalu, a criação do Luizalabs, em 2014, marcou um ponto de inflexão na estratégia tecnológica da empresa. O laboratório surgiu com a missão de acelerar a inovação e atualizar a forma como a companhia lidava com desenvolvimento tecnológico.
O objetivo inicial era tornar processos mais ágeis e aproximar as áreas de tecnologia do negócio, gerando impacto direto nas operações.
“Durante o ciclo de 2016 a 2020, a aposta estava na aceleração da inovação e digitalização da companhia, com foco em arquitetura de sistemas e e-commerce. A partir desse momento, houve a construção de um ecossistema digital inspirado nos modelos internacionais, visando a diversificação de resultados”, relata.
A força da cultura de inovação e IA no centro
Com o crescimento do laboratório, o Luizalabs conta hoje com uma identidade própria dentro da organização. A cultura de desenvolvimento, experimentação e colaboração passou a atrair profissionais de tecnologia e dados, criando um ambiente mais próximo ao de empresas nativas digitais.
O time dedicado a dados e IA, por exemplo, saltou de 40 para 100 funcionários em apenas 12 meses. Além disso, é responsável pela criação de ferramentas internas, como o “Lu Assistance“, que ajuda os desenvolvedores a programar com muito mais eficiência.
André reforça ainda que a longa história do Magalu com o e-commerce evoluiu junto com a forma de trabalhar do setor.
“Ao longo desse tempo, valorizamos uma filosofia de integração, não de substituição. A loja física e seus colaboradores são ativos valiosos pelo contato humano e social, essencial para o consumidor brasileiro, além de fazerem parte de um pilar essencial da omnicanalidade”, frisa.
Nesse cenário, a Inteligência Artificial ocupa posição central na estratégia do Magalu. A tecnologia deixou de ser apenas um recurso de otimização da experiência digital e passou a influenciar diretamente o modelo de negócio da companhia.
Uma das iniciativas nesse sentido é a utilização de IA na infraestrutura tecnológica oferecida pela Magalu Cloud. Além disso, a empresa também investe em experiências conversacionais que integram IA ao processo de compra.
“O Cérebro da Lu, uma IA generativa, guia toda a jornada de compra no WhatsApp. Isso muda o modelo de varejo de transacional para conversacional”, explica.
Tecnologia com identidade brasileira
Para garantir que as soluções digitais reflitam o comportamento do consumidor local, o Magalu aposta em modelos de IA treinados com dados brasileiros. Essa estratégia busca evitar a chamada “diluição cultural”, que pode ocorrer quando sistemas são baseados apenas em dados internacionais.
O treinamento das ferramentas considera o repertório cultural e linguístico do público do País. Assim, permite que a tecnologia compreenda melhor as interações dos consumidores.
“O Cérebro da Lu é alimentado com dados de 40 milhões de clientes brasileiros e interações reais, garantindo que a IA entenda a linguagem e a cultura local, mantendo o calor humano”, comenta.
Infraestrutura própria e independência tecnológica
Outro ponto estratégico na transformação digital do Magalu é a decisão de construir parte relevante da sua própria infraestrutura tecnológica. Em vez de depender exclusivamente de provedores globais, a empresa investiu na criação de sua própria stack.
A iniciativa traz benefícios tanto em eficiência operacional quanto em autonomia tecnológica. Entre os ganhos, está a redução de custos de nuvem em 50%.
“Outra vantagem é a latência: estar fisicamente no Brasil melhora a velocidade de resposta. Além disso, a independência e soberania ao construir a própria stack protege a empresa de depender exclusivamente de modelos fechados de companhias estrangeiras, o que garante controle sobre os dados e a cultura”, destaca.
Do laboratório ao negócio
As expectativas para o futuro da unidade são altas. O avanço das iniciativas tecnológicas dentro da companhia abre caminho para uma nova etapa na evolução do Luizalabs. O laboratório pode seguir o caminho de outras unidades do grupo que começaram como áreas internas e se tornaram operações com receitas próprias.
Essa lógica já aconteceu com áreas como logística e infraestrutura digital, que passaram a atender clientes externos e se tornaram novos vetores de crescimento para o ecossistema da empresa.
“O Luizalabs foi o motor que permitiu a execução do ciclo estratégico inspirado em experiências internacionais, que visavam criar um “super app” e diversificar receitas. Essa visão se consolidou com a integração de varejo, serviços financeiros e serviços de nuvem”, finaliza.
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