No palco principal do AI Brasil Experience, evento promovido pela AI Brasil nos dias 30 e 31 de outubro, Luis Justo, CEO do Rock In Rio, relembrou o momento em que compreendeu o verdadeiro propósito do trabalho que lidera – que vai muito além de vender ingressos para shows. “O que fazemos é proporcionar experiências inesquecíveis por meio da música e do entretenimento”, afirmou.
Durante a apresentação, ele destacou que o segredo do sucesso do festival está na combinação entre propósito e capacidade de sonhar. “A tecnologia virou commodity. O que diferencia é a capacidade de sonhar e fazer acontecer.”

Celebrando 40 anos de história, Justo lembra que o Rock in Rio, criado por Roberto Medina, nasceu movido pela insatisfação e pelo desejo de mostrar ao mundo a força criativa e empreendedora do Brasil.
Coragem como pilar da inovação
Hoje, o festival é referência global de entretenimento, com edições em Portugal, Espanha e Estados Unidos, impactando mais de 10 milhões de pessoas presencialmente e mais de 1 bilhão pelo mundo.
Essa visão orienta todas as inovações do evento. Da criação do ingresso digital antifraude, desenvolvido durante a pandemia após perder milhões de pulseiras datadas, ao uso de reconhecimento facial integrado à polícia, apresentação de drones sincronizados e coletes vibratórios para ampliar a acessibilidade do público com deficiência auditiva.
Ele reforça que a inovação nasce de dois impulsos: necessidade e propósito. “Durante a pandemia, tivemos que reinventar o modelo de ingresso por necessidade. Já o projeto dos coletes vibratórios veio do propósito de entregar uma experiência melhor para todos. Nem toda inovação vem de urgência, algumas vêm do desejo de fazer o certo.”
Luis destaca que, para ele, o principal pilar da cultura de inovação é a coragem. “Coragem não é ausência de medo. É fazer o que precisa ser feito, mesmo com medo. Foi assim que arriscamos tantas vezes, inclusive no primeiro show de drones no Brasil, que aconteceu no festival. Corríamos o risco de perder o investimento se o vento estivesse mais forte do que o esperado. Tivemos muito medo, mas deu certo e se tornou inesquecível.”
Campeonato de Futebol de robôs humanoides
Enquanto isso, na quadra de futebol ao lado da arena principal, as equipes BahiaRT e Pinguim Bots se enfrentavam na etapa AI Brasil do Circuito Brasileiro de Futebol de Robôs, promovido pela RoboCup Brasil. A associação sem fins lucrativos busca divulgar e aprimorar pesquisas sobre Inteligência Artificial e Robótica no País.
Em campo, três robôs humanoides chineses de cada time competiam em uma partida de 20 minutos. A categoria apresentada é totalmente autônoma: não há controle remoto, piloto ou interferência humana.
Os robôs operam com programação de IA, processando dados de mapeamento de espaço, posicionamento, bola e ações em campo. A partir dessas informações, tomam decisões em tempo real (atacar, defender, reposicionar) com base em aprendizado contínuo.
Até mesmo o juiz é uma central de controle que utiliza IA para identificar saídas de bola, gols e faltas, enviando sinais diretamente aos robôs. Todos os competidores utilizam a mesma base de hardware, mas cada equipe desenvolve sua própria estratégia e modelo de IA, o que torna cada jogo único.
O futebol de robôs nasceu nos anos 2000 com uma meta clara. “Nosso objetivo é, em 2050, ter um time de robôs capaz de jogar e vencer uma seleção campeã da Copa do Mundo”, contam os organizadores.
A partida foi mais lenta que a de humanos, com movimentos pausados e simples, apesar de a categoria ser, atualmente, a mais avançada e próxima do comportamento humano. A intervenção de pessoas reais foi necessária em momentos pontuais, mas isso não diminuiu o entusiasmo do público, que vibrou a cada gol.





