O AI Brasil Experience abriu seu primeiro dia deixando claro tudo o que a Inteligência Artificial ainda não é: humana. Alexandre Caramaschi, cofundador da AI Brasil, abriu o evento entre robôs, reforçando: “A IA não sente, não tem vontade, não entende o que estamos fazendo aqui. Só nós sentimos essa energia!”.
A fala arrancou aplausos e risadas, mas também alertou que a tecnologia deve estar a serviço das pessoas e dos negócios – e não o contrário. Foi esse o fio condutor das apresentações ao longo dos 9 palcos do evento, mostrando como empresas brasileiras estão equilibrando inovação e responsabilidade na adoção da IA.
IA, a mais nova aliada da saúde

Fernando Varela, vice-presidente Digital da RD Saúde, mostrou o tamanho da transformação digital que a companhia atravessou desde 2019, quando as vendas digitais eram praticamente inexistentes. Isso até chegar a R$ 8,6 bilhões em faturamento digital e 96% das entregas realizadas na mesma hora da compra.
Segundo ele, a RD estruturou sua estratégia de IA em duas frentes:
- Deep, guiada pela área de ciência de dados, é voltada a aplicações complexas e de alto impacto (como antifraude, supply chain e IA em farmácia);
- E Wide, que busca democratizar o uso da IA em toda a companhia.
“Quem não entende tecnologia, não estará fora do futuro – já está fora do presente”, destaca.
Desde 2022, já somam mais de 100 projetos que envolvem IA. Cada um passa por revisões trimestrais entre CEO, VPs e times de negócios e ciência de dados. E há uma fila viva de priorização, em que projetos que não entregam resultado real são descontinuados. “Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo e nem perder tempo com o que não traz retorno”, aponta.
Entre as ferramentas criadas internamente, está o RD Flow, que integra e controla agentes de IA generativa utilizados por cada uma das áreas da companhia.
Com o avanço da tecnologia, o objetivo da RD é se tornar um agente de saúde no Brasil, usando dados, de acordo com as regras da LGPD, para guiar e reforçar o papel humano dos farmacêuticos no atendimento.
IA generativa X Segurança: riscos e vulnerabilidades
Na Arena IA em Tech e Agências Digitais, Sérgio Gaiotto, Chief Data & Artificial Intelligence Officer (CDAIO) da Claro Brasil e professor da FIA, trouxe um contraponto essencial: a importância de aplicar IA com segurança, governança e ética.
O executivo compara a adoção irresponsável da tecnologia a “dirigir um carro além do limite de velocidade e sem cinto de segurança”, e destaca três grandes vulnerabilidades da IA generativa:
• Data leaking, quando modelos reproduzem informações confidenciais;
• Data poisoning, quando atacantes manipulam dados de treinamento para distorcer resultados;
• Prompt injection, quando comandos maliciosos distorcem as respostas de uma IA.
Gaiotto também apresentou casos reais, como o vazamento de códigos corporativos da Samsung via ChatGPT. Ele defende a criação de métricas concretas de confiança. São os chamados 7 KPIs de AI Trust, que medem transparência, robustez, rastreabilidade e responsabilidade.

O professor destaca a importância do letramento de IA para todos, especialmente para os jovens, para que saibam utilizar a tecnologia com segurança, ética e responsabilidade. “A primeira batalha, que foi com as redes sociais, nós já perdemos. Agora, precisamos lutar a segunda, protegendo nossos jovens dos riscos e alfabetizando o uso da IA”, alerta.





