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5 estratégias para gerar valor a partir da IA

5 estratégias para gerar valor a partir da IA

Estudo do BCG aponta que apenas 5% das organizações geram valor a partir da IA. Essas empresas seguem 5 estratégicas para isso.
Estudo do BCG aponta que apenas 5% das organizações geram valor a partir da IA. Essas empresas seguem 5 estratégicas para isso.
Foto: Shutterstock.
Apenas 5% das empresas estão gerando valor em escala com IA, segundo o BCG, enquanto 60% ainda não obtêm retorno. O estudo destaca que as chamadas “future-built” se diferenciam por integrar IA generativa e agêntica ao core business, com liderança forte, talentos requalificados e base tecnológica sólida. Essas organizações tratam a IA como estratégia central, focando em inovação, colaboração humano-máquina e reinvenção de processos para criar novas fontes de valor.

Qual valor está sendo extraído da Inteligência Artificial pelas empresas? Segundo novo estudo do Boston Consulting Group (BCG), apenas 5% de um grupo de 1.250 organizações avaliadas globalmente está gerando valor em escala a partir da tecnologia. O relatório The Widening AI Value Gap aponta que o dado sinaliza o quão difícil é a transformação total pela IA.

Além disso, 60% das empresas entrevistadas não estão gerando valor algum. Elas estão, inclusive, reportando faturamento mínimo e aumento de custos, apesar dos altos investimentos. Já 35% estão escalando seus esforços e já obtendo algum retorno. Mas boa parte delas admitem que não estão se movendo rápido o suficiente.

Mas, então, o que diferencia o grupo de 5% das empresas que estão extraindo valor? Segundo o BCG, elas elencaram as habilidades críticas necessárias para fazer com que a IA trabalhe no nível de inovação e reinvenção. Isso ao mesmo tempo em que a tecnologia ajuda a alavancar eficiências.

Future-built

Assim, não apenas essas organizações estão apresentando desempenhos melhores do que a concorrência, também criaram uma lacuna de valor, avançado ainda mais ao reinvestirem os ganhos com a IA em novas habilidades, ferramentas e inovações. Essas são o que o BCG chama de organizações future-built, ou construídas para o futuro.

Essas empresas, segundo o estudo, “estão alcançando um efeito transformador na criação de valor, ao catalisar decisões melhores e ações mais rápidas e eficientes, buscando mudanças significativas que vão muito além do que é possível alcançar apenas com automação e aumentos de produtividade”.

Muito desse valor está concentrado em funções core do negócio, como R&D, Vendas, Marketing, Produção e TI. O estudo ainda destaca que esses avanços estão acontecendo rapidamente – muito mais do que outras disrupções passadas. Ainda, a IA agêntica promete ser a grande aceleradora dessa lacuna de valor. Segundo o estudo, os agentes de IA já representam 17% do total de valor em Inteligência Artificial em 2025. Ainda, espera-se que alcance 29% até 2028.

IA na prática

Assm, as empresas future-built vão além da automação e aumento de produtividade. Elas priorizam os avanços mais recentes, como IA generativa e IA agêntica para criar novas fontes de receita. O valor da IA não vem, portanto, de pilotos ou casos de uso isolados, mas sem de reinventar os fluxo do core business, do início ao fim.

Ainda, essas organizações adotam abordagens centradas na tecnologia, implementando um modelo operacional orientado pela IA e com um engajamento organizacional que sustenta essa estratégia. O modelo combina, segundo o estudo, liderança forte, execução descentralizada e responsabilidade compartilhada entre as áreas de Negócios e TI.

Ainda, essas empresas estão avançando com fluxos de trabalho híbridos, baseados na colaboração entre humanos e IA. São apoiados por capacitação contínua, governança e parcerias estratégicas. Recrutam e formam os talentos necessários, principalmente por meio de programas de requalificação voltados a mais de 50% da força de trabalho.

O que não fazer

Por outro lado, as empresas que estão ficando para trás não apresentam algumas habilidades fundamentais, gerando pouquíssimo valor. Segundo o estudo, um dos principais problemas é a falta de comprometimento da alta liderança.

Nesse ponto, a alta gestão pode até falar sobre IA, mas não define uma ambição de valor ou programa para acompanhar o progresso da adoção. Ou então, essas empresas delegam o tema a gestores de escala menor, que muitas vezes não sabem por onde começar ou têm medo do impacto futuro da IA em suas funções.

Algumas histórias se repetem: lentidão, o uso isolado da tecnologia, experimentos dispersos, fluxos de trabalho confusos, aplicação em funções não críticas e mais. Ou seja, iniciativas desconectadas que consomem recursos sem gerar valor coordenado.

Reinvenção estratégica para IA

Como aponta o BCG, em vez da adoção incremental, é preciso uma reinvenção estratégica para extrair valor da Inteligência Artificial. Três perguntas devem guiar essa construção:

  • O que realmente importa para meus clientes e diferencia o meu negócio?
  • Como a IA e os agentes inteligentes mudarão a forma como entrego esses resultados?
  • Em quais áreas os humanos ainda têm o maior impacto?

Os agentes de IA são verdadeiros aliados nessa construção. Como aponta o estudo, a tecnologia atua como trabalhadores digitais, performando em conjunto ou sob a supervisão de colaboradores humanos. Com feedbacks e treinamento, os agentes aprendem e melhores suas performances.

“As empresas devem enxergar a IA agentiva como o próximo passo na implementação da IA, e não como o ponto de partida”, afirma o relatório. Os pré-requisitos para adotar agentes incluem uma base de dados sólida, capacidades de IA em escala e uma governança bem definida. A melhor forma de implementar agentes é por meio de alguns fluxos de trabalho de alto valor, com planos claros de execução e treinamento adequado das equipes – em vez de realizar um lançamento massivo de agentes em toda a organização de uma só vez.”

Empresas future-built já alocam 15% de seus orçamentos para IA em agentes. E um terço dessas organizações utilizam agentes, em comparação com 12% das empresas que estão ainda avançando no uso da tecnologia.

Geração de valor com IA em 5 estratégias

Independemente de setor ou empresa, as companhias future-built seguem uma espécie de guia com base em um modelo AI-first. São cinco estratégias definidas:

Ambição estratégica de IA de longo prazo

Empresas orientadas para o futuro tratam a IA como uma agenda estratégica patrocinada pela alta liderança, e não como um conjunto de experimentos isolados. Assim, elas definem uma visão de longo prazo, com financiamento contínuo, metas claras e um roadmap de execução estruturado. A liderança executiva se envolve ativamente, traduzindo os objetivos de negócio em ambições concretas de IA e assumindo patrocínio visível.

Além disso, essas organizações instituem modelos de governança com corresponsabilidade entre TI e negócios, removendo barreiras estruturais – como lacunas de talento e gargalos de dados – por meio de intervenção de cima para baixo. Esse envolvimento garante escala, alinhamento e mensuração de impacto em toda a empresa.

Redesenhar e inovar com impacto

As empresas de ponta vão além da automação: elas reimaginam processos e criam novos modelos de negócio alavancados por IA. Em vez de otimizar partes isoladas, repensam funções inteiras de ponta a ponta, identificando fluxos de trabalho de alto valor e priorizando aqueles com maior potencial financeiro e operacional. Essa priorização acelera a entrega de impacto – os projetos atingem resultados em 9 a 12 meses, contra até 18 meses em empresas atrasadas.

Além disso, líderes acompanham rigorosamente os resultados, ajustando a escala de iniciativas conforme a performance. O foco está em inovações que criam novas fontes de receita e eficiência, com exemplos como o uso de IA generativa e de visão para desenvolver negócios digitais inteiramente novos.

Modelo operacional AI-first

Significa reorganizar a empresa em torno da colaboração humano-máquina, e não apenas substituir pessoas por tecnologia. As organizações future-built redesenham fluxos de trabalho híbridos, definindo papéis claros para humanos e agentes digitais, com métricas baseadas em valor e responsabilidade compartilhada entre negócios e TI. Elas equilibram inovação descentralizada com coordenação central estratégica, garantindo governança, rastreabilidade e ética no uso de IA.

Parcerias externas tornam-se essenciais para suprir lacunas de talentos e acelerar a adoção tecnológica, criando ecossistemas colaborativos que impulsionam velocidade, inovação e resiliência organizacional.

Garantir e desenvolver talentos

Para sustentar um modelo AI-first, o talento humano é mais crucial do que nunca. As empresas líderes antecipam novas necessidades de habilidades, atraem talentos especializados e investem intensamente em requalificação e engajamento. Mais de 50% dos colaboradores dessas organizações passarão por programas de upskilling em IA, contra apenas 20% nas empresas atrasadas.

Essas companhias também envolvem ativamente os funcionários no co-design de soluções de IA, promovendo aceitação, confiança e senso de pertencimento. Ao redesenhar fluxos de trabalho e equilibrar papéis humanos e digitais, elas criam ambientes híbridos de trabalho, onde o foco humano se desloca para atividades de maior valor – como análise crítica, tomada de decisão e criatividade.

Arquitetura tecnológica e base de dados sob medida

Capturar valor real da IA exige reconstruir a arquitetura tecnológica e a base de dados da empresa em torno de princípios estratégicos. As empresas future-built adotam stacks tecnológicos horizontais e integrados, com plataformas centrais de IA e agentes, evitando silos e duplicação de esforços. Elas combinam soluções prontas, ferramentas low-code e agentes personalizados em uma estratégia híbrida, sempre priorizando governança e escalabilidade.

Além disso, constroem modelos de dados corporativos unificados, garantindo acesso rápido, seguro e confiável às informações. Com políticas centralizadas e monitoradas, essas empresas asseguram qualidade, interoperabilidade e uso responsável dos dados, criando uma base sólida para inovação contínua.

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