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A relação da Geração Z com músicas nostálgicas como diferenciação

A relação da Geração Z com músicas nostálgicas como diferenciação

Para a Geração Z, as músicas representam um retorno a tempos mais simples, e a nostalgia pode impactar a curadoria de grandes festivais.
Uma jovem mulher ouve música por meio de um headset branco. Ela usa um moletom colorido e está com o cabelo preso em um rabo de cavalo.
Uma jovem mulher ouve música por meio de um headset branco. Ela usa um moletom colorido e está com o cabelo preso em um rabo de cavalo.
Foto: Shutterstock.

Você já parou para pensar quanto tempo passa escutando música por dia? É provável que não. A relação da nossa sociedade com a música evoluiu bastante com o tempo. Antigamente, o acesso era limitado e, para ouvir uma canção, as pessoas se reuniam na casa de alguém, geralmente em volta de uma vitrola e depois de um rádio, para que pudessem desfrutar daquele momento juntos. A música era elitizada, principalmente pelo alto investimento em equipamentos de áudio ou nos próprios discos.

Hoje em dia, ouvir música é muito mais simples e rápido, não sendo necessário ter o CD físico e muito menos o álbum de vinil para colocar para tocar em algum aparelho de som. A música está a apenas um click no seu celular e até mesmo no computador. Com os streamings musicais, a vida de quem gosta de ouvir música diariamente tornou-se bem mais prática.

Streamings como Spotify serviram como grandes democratizadores da música, sem contar a potencialização de artistas fora do radar das grandes gravadoras que puderam ter seus trabalhos descobertos, mesmo sem que milhares de reais fossem investidos para isso. Esse processo ajuda a descentralizar o poder da indústria fonográfica e consequentemente seu monopólio.

A música move culturas e podemos perceber a sua grande influência na Geração Z, que são as pessoas entre 13 e 27 anos. Também é possível notar a mobilização que gera nas redes sociais com ‘eventos’ como o Spotify Wrapped (retrospectiva do Spotify), por exemplo, que virou uma sazonalidade importante, trazendo as músicas mais ouvidas por cada usuário do streaming do mundo todo.

Essa retrospectiva foi um grande acerto e surgiu diante do fato de que milhares de pessoas não passam um único dia sem ouvir pelo menos uma canção que gostam muito, a favorita do momento ou aquela ‘chiclete’ que não sai da cabeça por nada. Foi uma oportunidade de mostrar o que foi escutado ao longo do ano, o que é positivo. Inclusive, a GenZ é um dos nichos que consome muita música, de variados gêneros.

De acordo com dados do relatório Culture Next, feito pelo Spotify, serviço de streaming de música mais popular e usado do mundo, a Geração Z foi a que teve um crescimento mais acelerado em número de streamings de músicas e podcasts mundialmente na plataforma. Foi um aumento de 76% no primeiro semestre de 2023 em relação a 2022 e a tendência é que 2024 supere esse número.

Nostalgia

No entanto, engana-se quem acredita que a GenZ ouve apenas os hits do momento, muito pelo contrário. Desde o ano de 2020, a tendência é uma onda de viralização de músicas nostálgicas entre os mais jovens, como por exemplo de artistas como a Madonna e a banda Green Day – ambos ganharam destaque nas principais trends do TikTok por um período. E por que será que isso acontece?

Uma forte característica da GenZ é conseguir resgatar coisas antigas, neste caso as músicas, e fazer com que fiquem em alta de novo. Esse movimento está diretamente ligado ao fenômeno da diferenciação, que funciona quando as pessoas querem a todo custo se diferenciar da comunidade em que estão inseridas e fazem isso por meio do que estão consumindo.

Essa diferenciação pode ser do seu grupo de amigos, da sua cultura local e do espaço que você ocupa. E para fazer isso com maestria é necessário buscar referências em outras épocas, que existiram antes de você. É uma espécie de processo de resgate, para poder dizer frases assim: “Eu não ouço o que está tocando na rádio agora, mas sim o que meus pais escutavam na época deles”.

Isso permite que a Geração Z forneça um novo sentido para a palavra ‘nostalgia’, pois enquanto os Millennials sentem saudade da época em que viveram, o pessoal da GenZ reinventa o sentimento, vendo a época passada sob uma ótica totalmente atual, em busca de inspirações para que possam mesclar o ‘antigo’ com o ‘novo’, assim criando algo diferente do padrão.

Novamente citando um estudo do Spotify, foi confirmado que cerca de 69% da Geração Z no Brasil gosta de ouvir e ver conteúdo de décadas passadas porque lembra o tempo em que as coisas eram mais simples. Ou seja, aliado à vontade de mostrar que são autênticos, a GenZ também busca uma sensação de conforto e pertencimento, diante de tantas incertezas do mundo atual.

Além disso, o consumo dessas novas gerações é capaz de gerar uma grande influência na curadoria de atrações dos festivais de música. E quando algumas marcas conseguem entender isso, colocam a Geração Z em um lugar de protagonismo, possibilitando uma conexão maior com os consumidores. Aliás, a decisão de patrocinar festivais e entrar mais profundamente nesse universo faz com que o laço com a marca se fortaleça.

Diante deste comportamento, fica evidente como a música possui o poder de mover as narrativas e está presente em diferentes momentos da nossa jornada, sejam bons ou ruins. E com o aumento do acesso e também a democratização que foi trazida pelos streamings, esse movimento da Geração Z de se expressar por meio de música que ouve se intensificou ainda mais.

Luiz Menezes

Luiz Menezes é fundador da Trope, uma consultoria de geração Z que ajuda marcas a rejuvenescerem suas estratégias de negócio. Aos 24 anos, Luiz é nativo digital, creator, apresentador, empresário e empreendedor.

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