Quem não lembra onde estava quando assistiu o Brasil conquistar seu pentacampeonato? Ou então, quando a Seleção tomou uma goleada de 7 a 1 da Alemanha? O brasileiro tem uma forte conexão emocional com a Copa do Mundo e, por isso, os momentos mais marcantes, compartilhados entre amigos e família, são aqueles que levamos para o próximo Mundial. Sempre na esperança de um novo título.
Por décadas, a transmissão da Copa do Mundo foi concentrada entre poucos players, especialmente na televisão aberta. Mas, nos últimos anos, a CazéTV vem crescendo como um destino para fãs de esportes. O que começou com um streamer falando sobre esporte, jogos e situações cotidianas para uma base fiel, se tornou um verdadeiro ecossistema de experiências que, agora, avançam para o mundo físico.
É essa mesma conexão que a CazéTV quer levar aos torcedores. O canal é o único que irá transmitir todos os jogos da Copa do Mundo FIFA 2026 em sinal aberto. Serão 104 partidas em três países-sede – Estados Unidos, Canadá e México – com conteúdos que vão muito além dos jogos em si, como comentários, humor e interações com o público.
Agora, a CazéTV quer levar essa experiência para um espaço físico. Na Casa CazéTV, o público pode torcer na arquibancada, interagir com marcas em ativações exclusivas, assistir a shows de música, trocar figurinhas e até narrar um lance da Copa em um estúdio de gravação.
“Tenho certeza de que todo mundo se lembra onde assistiu a última Copa”, afirma Bernardo Dinardi, fundador da tm1, agência de brand experience parceira da CazéTV no projeto. “Um dos principais pontos dessa construção foi gerar uma memória na vida de cada um que passar por essa casa.”
Casa CazéTV com DNA ao vivo
A CazéTV nasceu para transmitir a Copa de 2022, realizada no Qatar. Com um total de zero seguidores iniciais e um canal fundado 30 dias antes do mundial, a Casa CazéTV transmitiu 22 partidas.
Agora, já conta com mais de 28 milhões de inscritos no YouTube com os direitos de transmitir todas as 104 partidas – sendo que metade delas só poderão ser visualizadas por lá. O objetivo é superar a maior audiência da história do canal: as quartas de final da Copa de 2022, contra a Croácia.
“A transmissão cresce porque a gente conseguiu conectar com uma comunidade que precisava de um jeito novo de consumir conteúdo. Consumir o esporte não só pelo esporte, mas como entretenimento”, explica Giamile Rossato, diretora de Vendas da CazéTV.
Futebol na economia da atenção
Afinal, a mesma pessoa que assiste a transmissão da CazéTV compartilha memes nas redes sociais e comenta no chat. E, claro, agora poderá ir até o espaço físico do canal e ter novas experiências.
“Vivemos a era da economia da atenção. O entretenimento invadiu nosso dia a dia, ocupando todos os dispositivos, telas e superfícies. Assim, o esporte compete com redes sociais, games, séries e outros tipos de conteúdo”, afirma Eduardo Abreu, head de Marketing da tm1.
Segundo o executivo, esse movimento pode ser visto em outras ligas esportivas, que passaram a oferecer maneiras de consumidor o jogo que herdam a linguagem das redes sociais, com cortes, stories e formato vertical. “Assim, em um projeto como a Casa CazéTV, sabemos que a expectativa do público jovem precisa estar representada na forma, na linguagem e no código. E a própria CazéTV, como veículo que reinventou a forma de falar de esporte e de transmiti-lo, é o melhor player para tangibilizar isso ao vivo e atender às expectativas do público.”
Experiência compartilhada
Assim, mais do que uma pseudo-religião do brasileiro, o futebol está, cada vez, se transformando em entretenimento.
Esse modelo se conecta muito bem com a Geração Z, que associa seus momentos de maior felicidade a experiências coletivas. A memória é construída a partir de estímulos multissensoriais – o mesmo impulso que leva alguém ao estádio ou a encarar o futebol como algo além do esporte.

Foto: Jorge Alexandre.
“Há também o fenômeno da experiência compartilhada, que é fator determinante para a geração de memória social e de longo prazo. O ‘ao vivo’ promove encontro, saúde social, reação coletiva e participação”, afirma Eduardo Abreu.
É comum encontrar pessoas que acompanham a CazéTV mesmo sem acompanhar o esporte. O espaço também foi pensado para proporcionar uma experiência complementar. “Casas de experiência e watch parties ampliam o tempo de atenção ao jogo se comparado com o consumo doméstico de esporte. Funcionam como porta de entrada para novos fãs”, afirma Eduardo.
“Agora, pela primeira vez, a gente tem um outro touch point com a nossa comunidade e com as marcas no mundo físico”, reforça Giamille.
Além da transmissão
A CazéTV e o iFood – patrocinador oficial das Seleções Brasileiras de Futebol – se juntaram para lançar o Bolão da CazéTV. A experiência, sediada no app de delivery, foi pensada para ir além do bolão tradicional.
A iniciativa, segundo Ana Gabriela Lopes, vice-presidente de Marketing do iFood, nasce da vontade de transformar a experiência da Copa para os usuários, unindo entretenimento, competição e recompensa em uma plataforma inédita. “Agora, ao lado da força da CazéTV no entretenimento esportivo, criamos uma experiência que recompensa tanto o conhecimento quanto o engajamento.”
Os usuários poderão acompanhar as partidas, acumular pontos, conquistar figurinhas temáticas e até criar ou participar de ligas privadas. Já os assinantes do Clube iFood terão acesso à participação de até 100 ligas. Os 100 melhores colocados de cada ciclo serão premiados. Ao todo, a iniciativa irá distribuir R$ 3,5 milhões em prêmios ao longo do torneio.
Ainda, a experiência será integrada à cobertura da Copa do Mundo, realizada pela CazéTV. Serão ativações durante transmissões, programas e conteúdos especiais ao longo de todo o torneio. Os fãs também poderão acompanhar e desafiar os integrantes do elenco do canal por meio de ligas e experiências dentro da plataforma.
Segundo Roberto Cabrini, head de Negócios da CazéTV, o objetivo é que o torcedor vivencie a Copa do Mundo para além da transmissão. “Queremos que o fã não apenas assista aos jogos, mas interaja, palpite, compartilhe e participe da conversa em torno de cada partida. Ao lado do iFood, criamos uma iniciativa simples, divertida e acessível, que amplia a experiência da Copa e coloca o torcedor ainda mais perto da emoção do torneio.”
A sátira do futebol
Nas décadas de 1980 e 1990, a regra da cobertura jornalística do futebol era colocar a paixão pelo esporte – e, às vezes, até pelo seu próprio clube – em xeque. Comentaristas debatiam lances, decisões e falhas dos clubes na mesma intensidade de uma conversa em mesa de bar e com o rigor de um técnico esportivo. O resultado era um debate muito mais passional e inflamado, em que as emoções pelos clubes camuflavam qualquer neutralidade ou seriedade informacional.
É justamente essa a inspiração do Falha de Cobertura. O programa criado pelos roteiristas Daniel Furlan e Caito Mainier nasceu em 2014 como uma paródia desse formato. Os personagens apresentadores, Craque Daniel (Furlan) e Professor Cerginho (Mainier) fazem comentários esdrúxulos que, de tão absurdos, têm um tanto de verdade.
É o caso do episódio em que revelou as minúcias do contrato de Memphis Depay, atacante do Corinthians, que previa um bônus ao jogador por cada gol emplacado. Isso em um momento em que o clube atravessava uma séria crise financeira.
“Para a gente ter uma ideia um pouco melhor, um pouco mais aprofundada do nível de desespero financeiro do Corinthians. Houve um lance em que o Memphis bateu uma falta para o gol, e o seu companheiro de equipe, André Ramalho, se atirou na frente da bola em desespero para impedir o gol do Memphis e impedir o pagamento de bônus”, afirma Craque Daniel.
Voz ao torcedor
Como bem define Daniel Furlan, o programa “dá voz ao torcedor que está puto”. Para Caito Mainier, o programa ocupa um espaço que o jornalismo esportivo convencional perdeu. “A paixão envolve a raiva também. E a gente dá um pouco de vazão a isso.”
Por essa combinação de humor, sátira e análises críticas, o Falha de Cobertura atrai tanto os apaixonados pelo esporte quanto aqueles que sequer acompanham futebol. Quem não fica pelas análises cirúrgicas de Craque Daniel e Professor Cerginho, fica pelo jeito caótico de conhecer um pouco mais da cena atual do esporte.

Guia da Copa
Agora, para a Copa do Mundo, o Falha de Cobertura se juntou ao Podpah, expandindo o alcance para novos públicos e aumentando a frequência de episódios para acompanhar o ritmo frenético do Mundial.
Além disso, o programa lançou o seu próprio Guia da Copa. O livro traz um breve histórico de cada País candidato a participar do campeonato – antes das repescagens e, portanto, antes da convocação oficial. Ao final, uma tabela ajuda o torcedor a registrar os placares das partidas até a decisão da Copa do Mundo. Figurinhas completam o pacote, com momentos e memes preferidos dos fãs do programa.
Um capítulo especial é dedicado ao Brasil, com especulações sobre os atletas convocados, o estrangeirismo do técnico Carlo Ancelotti e, claro, o mistério que cerca a ida de Neymar para a Copa.
“Mas o que ninguém nega é que Neymar pode, ou poderia, trazer a experiência necessária à seleção brasileira durante uma Copa. Não há dúvidas de que se trata de um atleta cascudo. Tão cascudo que hoje ele é praticamente só uma grande casca ambulante e contundida. Mas a questão é: seria essa grande casca ambulante, inflamada e contundida ainda capaz de trazer o hexa para o povo brasileiro?”, dizem Craque Daniel e Professor Cerginho na obra.
A emoção do futebol na era das redes
Por muito tempo, o jornalismo esportivo brasileiro foi popular, humorado e visceralmente enraizado na linguagem da arquibancada. Nelson Rodrigues, por exemplo, escrevia sobre futebol como quem descrevia a condição humana. Outros programas narravam com a autoridade de quem entendia o jogo de forma passional, opinativa, às vezes injusta, sempre viva. “Era muito baseado nessa cultura popular, na linguagem popular, no humor”, diz José Paulo Florenzano, sociólogo, professor da PUC-SP e pesquisador do futebol brasileiro.
Esse jornalismo perdeu terreno a partir dos anos 1990, com a chegada da ESPN e de uma narrativa quantitativa, técnica, que tratava o futebol como objeto de análise fria. Assim, a emoção foi cedendo espaço para o dado.
A resposta a esse esvaziamento veio das redes – mais rápida, mais fragmentada, mais próxima do torcedor. CazéTV, Falha de Cobertura, os streamers que reagem ao jogo em tempo real: todos são, de alguma forma, filhos dessa insatisfação com o jornalismo que foi longe demais na direção da técnica e esqueceu que futebol, antes de qualquer coisa, é emoção.
Mas, Florenzano identifica novos desafios para esses meios. A transmissão que nasceu para ser livre, sem o engessamento da TV aberta e o jargão dos estúdios tradicionais, dependem agora da lógica dos algoritmos e do apoio de patrocinadores para financiar os projetos.
“Hoje, estamos entre um jornalismo que continua cada vez mais baseado nesse ‘terno e gravata’, com um discurso sério e uma análise científica do jogo e a outra das redes sociais, dessa agilidade e desconstrução. Tem um sabor muito interessante também, crítico, às vezes.”
Afinal, nunca foi tão fácil falar de futebol para tanta gente. E nunca foi tão difícil fazer com que alguém preste atenção.





