O antropólogo Michel Alcoforado, sócio-diretor do Grupo Consumoteca, trouxe para o CONAREC 2025 provocações instigantes sobre um dos ativos mais valiosos da atualidade: a atenção.
Com humor e dados, ele desconstruiu o mito do “peixinho dourado” – usado como parâmetro de foco humano – para mostrar que a atenção é hoje um recurso escasso, disputado por marcas, mídias e relações pessoais.
Atenção é sinônimo de identificação
Segundo Alcoforado, esse fenômeno está diretamente ligado à transformação digital. No passado, entre os séculos XV e XIX, o volume de informações dobrava ao longo de séculos. Com a internet, esse intervalo caiu para décadas. Agora, com a Inteligência Artificial e o 5G, a informação se multiplica em horas, tornando impossível ao ser humano absorver tudo o que circula. A consequência, destaca, é que a atenção se torna um recurso cada vez mais escasso – e, por isso, extremamente disputado.
Dentro desse cenário, ele apresentou três tipos de atenção que definem a forma como nos relacionamos com conteúdos e marcas:
- A hiperfocada ocorre em momentos de total concentração, quando não há espaço para interrupções comerciais.
- A flexível, apontada como a mais estratégica para as marcas, acontece quando o consumidor divide sua atenção entre tarefas – como ouvir um podcast enquanto realiza atividades domésticas.
- Já a fracionada é marcada pela dispersão e pela sucessão de interrupções, típica do uso simultâneo de múltiplos aplicativos.
Conquistar a atenção
Para conquistar espaço nessa disputa, Alcoforado defende que as marcas devem adotar três caminhos complementares. O primeiro é a identificação, permitindo que os consumidores ressignifiquem produtos e os tornem parte de sua própria narrativa, como ocorreu com a sandália “encardida” da Havaianas.
O segundo é a reverberação, ou seja, criar símbolos e elementos icônicos que se espalhem organicamente por diferentes contextos. E o terceiro é a memória, explorando recursos como cores, jingles e imagens que reforçam vínculos emocionais e duradouros.
“O desafio das marcas não é competir pela atenção que já não existe mais, mas, se tornar tão relevante que consiga ocupar o espaço da atenção flexível e criar conexões genuínas”, afirma. Com isso, a palestra reforça que a chamada economia da atenção vai além de capturar olhares momentâneos. Trata-se de criar universos de significado capazes de emocionar, divertir e permanecer vivos na memória coletiva dos consumidores.





