“O Fórum de Gestão Anual da Fundação Dom Cabral (FDC) tem a importância de celebrar a presença da instituição em São Paulo após 25 anos. Além disso, ele destaca a inauguração de um campus na cidade de São Paulo. A Fundação, reconhecida como a quarta melhor escola de educação executiva pelo Financial Times, tem como objetivo transformar a sociedade brasileira. E isso se dá através da capacitação de executivos e do apoio a médias empresas, que desempenham um papel crucial na economia”. Foram essas as palavras que Antonio Batista da Silva Junior, presidente executivo da FDC, escolheu para dar início ao 10º Fórum Anual das Médias Empresas. O evento está sendo realizado no Teatro Claro Mais, em São Paulo, nos dias 2 e 3 de setembro.
Na ocasião, ele destacou algumas iniciativas implementadas pela FDC recentemente, como:
- Um observatório de estudos sobre produtividade;
- A formação de uma comunidade de líderes;
- E a criação de um prêmio para destacar empresas do setor.
Observatório de Médias Empresas
Na sequência, foi a vez do diretor-executivo de Médias Empresas da FDC, Leonardo Scartelli, explicar que a a Fundação opera com três pilares principais. Em primeiro lugar, está o crescimento e longevidade das médias empresas. Em segundo lugar, o fornecimento de inteligência por meio de dados e pesquisas. E, por fim, mas não menos importante, está a promoção de conexões entre empresas para fortalecer o ecossistema delas próprias.
Scarpelli disse então que as médias empresas frequentemente buscam referências, dados e informações, mas muitas vezes não conseguem encontrá-los.
“Esse desafio não é exclusividade do Brasil. Nós estamos envolvidos no Centro de Inteligência, agora em processo de transformação para o Observatório de Médias Empresas“, explicou Leonardo Scartelli. “Nele, podemos realizar estudos, pesquisas e indicadores que estarão disponíveis para todo o mercado. Não restringimos essas informações apenas aos nossos clientes; elas estão acessíveis no site da FDC.”
Mentalidade aberta

O primeiro painel do dia tratou o tema “Futuros positivos: o que esperam as médias empresas“. A atividade contou com a participação dos seguintes especialistas: Adriano Amui, professor da FDC; Grazi Mendes, diretora de DEI na Thoughtworks Latam; Patrícia Prado, diretora de Soluções de Data&AI na Accenture; e Sabina Deweik, pioneira em Cool Hunting no Brasil, futurista, coach ontológica e SXSW speaker.
No painel ficou óbvio uma coisa: em um cenário de incertezas políticas, sociais e econômicas, as empresas enfrentam desafios sem precedentes. No entanto, todos os especialistas afirmaram que esses momentos de turbulência podem também representar uma oportunidade ímpar para o fortalecimento e crescimento dos negócios. Nesse sentido, o professor da FDC, Adriano Amui, destacou a importância de enxergar além dos obstáculos imediatos. “Nesses momentos, sempre vai ter alguém que vai quebrar. E seu concorrente pode te dar de 20% a 30% de novos clientes de lambuja”, enfatizou Amui. A afirmação ressalta um aspecto crucial do ambiente empresarial: a resiliência e a capacidade de adaptação podem resultar em benefícios significativos para aqueles que souberem aproveitar as oportunidades que surgem em meio à crise.
O professor Amui também abordou os futuros positivos que se desenham para as médias empresas, que muitas vezes se encontram em uma posição privilegiada para se reinventar e inovar. A flexibilidade e a agilidade das organizações podem se traduzir em vantagens competitivas em tempos desafiadores. Diante desse contexto, é fundamental que os empresários mantenham uma mentalidade aberta e proativa, buscando constantemente formas de se destacar no mercado. “A capacidade de transformar crises em oportunidades não apenas fortalece as empresas, mas também contribui para a recuperação econômica mais ampla, reforçando a importância das médias empresas como motores do desenvolvimento.”
O que é o futuro?
Por sua vez, Sabina Dewiek, professora da FDC e especialista em tendências, considera crucial entender que o futuro não é um destino predeterminado, mas sim um espaço que deve ser moldado ativamente. Dewiek observa que a percepção predominante sobre o futuro é negativa, caracterizada por uma “futurofobia corporativa”. Essa visão limitante pode impedir que organizações e indivíduos vislumbrem as oportunidades que o amanhã pode oferecer.
“A maioria das pessoas olha para o futuro com um olhar distorcido, seja pela lente da distopia ou da utopia. O que precisamos é de um horizonte mais plural, sustentável e feliz”, enfatizou Dewiek. De acordo com a especialista, essa mudança de perspectiva é fundamental para que as empresas não apenas aceitem as transformações em curso, mas também participem da construção de um futuro que realmente atenda às necessidades da sociedade.
Mas, afinal, quais os fatores que alimentam a ansiedade em relação ao futuro?
IA nas empresas
Sobre essa pergunta, Patrícia Prado, diretora da Accenture, apontou que a Inteligência Artificial (IA) já se configura como uma realidade presente, e não como uma promessa distante. “Até 2029, 80% dos problemas comuns de atendimento ao cliente serão resolvidos por agentes de IA”, revela Prado, destacando como essa tecnologia pode transformar a experiência do consumidor e otimizar processos nas empresas.
“Essa visão pragmática sobre a IA e outras inovações tecnológicas abre um leque de possibilidades. Ao invés de temer o que está por vir, é essencial adotar uma postura proativa, preparando-se para integrar essas ferramentas em estratégias que visem o bem-estar coletivo e a sustentabilidade. Assim, o futuro pode ser visto não como uma ameaça, mas como uma oportunidade de evolução e crescimento“, garantiu Patrícia Prado.
Portanto, ao invés de se deixar levar pela futurofobia, é hora de abraçar a responsabilidade de construir um amanhã mais positivo. “A colaboração entre profissionais, empresas e a sociedade civil é mais necessária do que nunca para que possamos desenhar um futuro que reflita nossas aspirações e valores. A transformação começa agora, e a maneira como a encaramos moldará o que está por vir”, ressaltou a diretora.
Futuro não é apenas destino
“Em um mundo em constante evolução, a maneira como os líderes empresariais percebem o futuro pode ser fundamental para a criação de um legado significativo.” Com essa afirmação, Grazi Mendes, diretora de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) na Thoughtworks Latam, deu início à sua reflexão sobre a relevância de uma abordagem coletiva e responsável ao considerar o que, em suas palavras, “desejamos deixar para as próximas gerações”.
Em suas reflexões, Grazi Mendes destaca que o futuro não é apenas um destino, mas sim um exercício de imaginação coletiva. “As lideranças devem considerar que tipo de empresa e tecnologias desejam transmitir para o futuro”, enfatiza. Para ela, o verdadeiro legado não se resume a um edifício ostentando um nome ilustre, mas sim se reflete na qualidade das vidas impactadas ao longo de nossa jornada.
Lideranças realistas
A diretora ressaltou ainda a importância de que as lideranças sejam “realistas e esperançosas”. “É fundamental que cada líder entenda seu papel na transformação social e tecnológica”, afirma Grazi.
Nesse contexto, Grazi Mendes convidou as empresas a se engajarem em diálogos que promovam a inovação responsável, onde as tecnologias sejam desenvolvidas e implementadas tendo em mente seu impacto nas comunidades e no meio ambiente. A visão de um futuro colaborativo e sustentável deve ser um compromisso coletivo, onde todos têm a oportunidade de contribuir para um mundo mais justo.
Em suma, a mensagem de Grazi Mendes é clara: a construção do futuro não é uma tarefa solitária, mas um esforço conjunto que exige coragem, compromisso e uma visão compartilhada. “As lideranças têm a responsabilidade de moldar não apenas suas organizações, mas também o legado que deixarão para as próximas gerações. É hora de imaginar e criar um futuro que todos desejamos”, pontuou a especialista.






