/
/
Etiquetas eletrônicas transformam gôndola em canal de comunicação

Etiquetas eletrônicas transformam gôndola em canal de comunicação

Etiquetas eletrônicas substituem a precificação por papel, indo além da eficiência operacional e ampliando a experiência do consumidor.
Etiquetas eletrônicas substituem a precificação por papel, indo além da eficiência operacional e ampliando a experiência do consumidor.
Foto: Selbetti Tecnologia/Divulgação.
Etiquetas eletrônicas com botões, LEDs e NFC avançam nas gôndolas brasileiras, transformando a prateleira em canal de mídia e não só em ferramenta de preço. Selbetti já opera a tecnologia em milhares de lojas no país, seguindo um movimento global liderado por redes como Carrefour, Tesco e Walmart. Mas a mesma velocidade que corrige preços em segundos alimenta, nos EUA, o temor de precificação dinâmica, debate que ainda não chegou ao Brasil.

Imagine ir ao supermercado e, em vez de se deparar com as tradicionais etiquetas de papel, encontrar pequenas telas na prateleira. Ao apertar um botão, uma delas pisca, outra acende em um LED colorido, e uma tela próxima, no corredor, começa a exibir um vídeo sobre aquele mesmo produto. Essa já é uma realidade em diversas lojas varejistas no País.

A responsável por essa cena é a Selbetti Tecnologia, que lançou uma nova geração de etiquetas eletrônicas interativas. Equipadas com botões programáveis, LEDs em sete cores e tecnologia NFC, elas permitem que o consumidor acesse informações do produto direto na prateleira. Ao mesmo tempo, podem acionar conteúdos em telas de digital signage espalhadas pelo ponto de venda.

Da eficiência operacional à experiência

O movimento das etiquetas eletrônicas nasceu como uma solução operacional. O objetivo é reduzir o tempo e o custo de trocar preços manualmente, evitar divergências entre o valor exibido na gôndola e o cobrado no caixa, e diminuir o desperdício de papel.

As etiquetas da Selbetti usam tecnologia e-paper de alta resolução, com telas de 1,6 a 11,6 polegadas, adaptáveis ao tamanho de cada gôndola. A bateria dura mais de dez anos em uso normal, o que reduz a necessidade de manutenção constante. São resistentes à água e à poeira (certificação IP67) e funcionam em ambientes refrigerados, como em seções de frios e congelados. Além disso, usam criptografia para proteger os dados.

Cada etiqueta eletrônica armazena até sete páginas de informação, que o cliente navega pelos botões. Entre elas estão:

  • Preço.
  • Informação nutricional.
  • Origem do produto.
  • Avaliações de outros consumidores.
  • QR codes para cupons digitais.

É justamente aqui que a tecnologia dá um salto de propósito. Ao integrar a etiqueta com telas de digital signage no ponto de venda, a Selbetti transforma um item de controle de estoque em um canal de comunicação com o consumidor. Para a indústria e o varejo, trata-se de uma nova forma de exposição de marca.

“Quando apresentamos essa integração para indústrias e varejistas, a reação é imediata: eles enxergam ali uma ferramenta de retail media que não existia para lançamento de produtos no ponto de venda”, explica Paulo Moratore, head da Selbetti Retail Experience. “O consumidor aperta o botão na etiqueta, e o conteúdo da marca aparece na tela ao lado. É simples, é direto e não depende de aplicativo nem de QR Code.”

A gôndola como plataforma de mídia

A leitura de Moratore reflete uma mudança mais ampla na forma como o varejo passa a enxergar o espaço físico da loja. Se antes a prateleira era apenas o lugar onde o produto esperava para ser escolhido, agora ela se torna um ponto de interação. E, principalmente, um espaço de mídia mensurável. Nele, indústrias podem pagar para aparecer no momento exato em que o consumidor está diante da decisão de compra.

Um exemplo prático desse cruzamento entre tecnologia, personalização e ponto de venda é o Sommelier Digital. O totem com tela touch e Inteligência Artificial da Selbetti já opera integrado às etiquetas eletrônicas na seção de vinhos de redes varejistas. O consumidor informa a ocasião, o tipo de harmonização desejado e a faixa de preço, e o sistema recomenda rótulos disponíveis na loja. Ao selecionar um vinho, a etiqueta eletrônica correspondente pisca na prateleira, guiando o cliente até o produto físico.

“A etiqueta eletrônica entrou no varejo brasileiro pela porta da eficiência operacional, que é reduzir o custo de troca de preços e eliminar divergências no caixa. Mas o que estamos mostrando agora é que ela pode ir muito além: se tornar um canal de mídia, uma ferramenta de trade marketing e um ponto de interação com o consumidor. É a gôndola se transformando em plataforma”, resume Moratore.

Foto: Divulgação/Selbetti Tecnologia.

Expansão das etiquetas eletrônicas

A companhia já opera sua plataforma de gestão de preços, promoções e ofertas em mais de 16 mil lojas de 240 redes varejistas no Brasil. A empresa atende nomes como Carrefour, Casas Bahia, Raia Drogasil, Pão de Açúcar, Leroy Merlin e Grupo Mateus.

Na última virada de preços do setor farmacêutico, em abril, a plataforma processou mais de 90 milhões de alterações de preço em uma única operação. O volume ilustra por que a etiqueta eletrônica, e não mais o papel, se torna o único formato capaz de sustentar esse tipo de operação em escala.

Segundo a empresa, 85% dos contratos fechados neste ano pela unidade de Retail Experience foram justamente de etiquetas eletrônicas. A meta é chegar a 100 lojas equipadas até o fim de 2026.

Movimento global

O avanço das etiquetas eletrônicas no Brasil acompanha uma tendência que já é consolidada em outros mercados. Na Europa, redes como Carrefour, Tesco, Lidl, Aldi, Morrisons e Co-op já adotam ou expandem sistemas de etiquetas digitais em milhares de lojas.

Nos Estados Unidos, o Walmart é o expoente mais visível dessa transição. A rede vem ampliando a instalação de etiquetas eletrônicas desde 2024 e projeta ter a tecnologia em todas as suas lojas americanas até o fim de 2026. Segundo a companhia, a mudança reduz significativamente o tempo que os funcionários gastam trocando preços manualmente, que é redirecionado para o atendimento ao cliente. Além disso, a tecnologia melhora a velocidade de separação de pedidos online.

No Brasil, a escassez de mão de obra operacional no varejo começa a reproduzir um cenário parecido com o que a Europa viveu há uma década. O que, por sua vez, ajuda a explicar a aceleração da demanda por automação na execução de preços e ofertas e, por consequência, por soluções como a da Selbetti, o que garante competitividade de custo e agilidade na cadeia de suprimentos.

O outro lado da etiqueta

Se a promessa de eficiência e de mídia no ponto de venda anima varejistas e indústrias, o mesmo avanço tecnológico já provoca reação em sentido oposto entre consumidores e legisladores. Isso especialmente nos Estados Unidos, onde a adoção é mais madura.

O principal argumento comercial das etiquetas eletrônicas é a capacidade de alterar milhares de preços simultaneamente e em segundos. Mas é também o que alimenta o receio de que a tecnologia seja usada para precificação dinâmica ou personalizada. Ou seja, preços diferentes para consumidores diferentes, definidos por algoritmos com base em dados de comportamento, horário ou até perfil de compra.

Nos EUA, esse temor já chegou ao Congresso. Parlamentares apresentaram projeto de lei para restringir o uso de etiquetas eletrônicas para esse tipo de precificação, muitas vezes descrita como “surveillance pricing”, ou precificação por vigilância.

O Walmart, maior varejista do país e o rosto mais visível da expansão da tecnologia, tem reagido publicamente ao debate. A empresa afirma que o sistema mantém o mesmo preço para todos os consumidores em uma mesma loja, independentemente de horário, demanda ou perfil de quem compra. Além disso, segundo o Walmart, as etiquetas não coletam dados do consumidor nem operam com câmeras ou microfones.

A controvérsia expõe uma tensão: a mesma infraestrutura que permite corrigir um preço errado em segundos é, tecnicamente, capaz de personalizar esse preço com a mesma velocidade. Porém, a diferença entre um uso e outro não está no hardware da etiqueta, mas na governança, na regulação e na transparência de cada rede sobre como e por que um preço muda.

O que fica no meio do caminho

No Brasil, o discurso em torno das etiquetas eletrônicas ainda está concentrado na eficiência operacional e, mais recentemente, no potencial de mídia no ponto de venda.

O debate sobre os limites éticos da precificação dinâmica, que já mobiliza legisladores americanos, ainda não chegou com a mesma força ao mercado nacional. Mas, tende a acompanhar o ritmo de adoção da tecnologia, à medida que mais redes brasileiras integrarem etiquetas eletrônicas aos seus sistemas de gestão de preços.

Assim, o consumidor brasileiro que topar com uma dessas telas na prateleira vai perceber, antes de tudo, uma gôndola mais interativa, mais informativa e mais conectada ao ponto de venda digital.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

No maior Prime Day da história da companhia, a Amazon Brasil aposta cada vez mais em criadores de conteúdo como extensão do próprio time interno, estratégia que combina credibilidade, nicho e inteligência.
Os influenciadores viraram parte do time da Amazon no Prime Day
No maior Prime Day da história, a Amazon Brasil aposta cada vez mais em criadores de conteúdo como extensão do próprio time interno
Do WhatsApp à Copa do Mundo: como o Bradesco encontra seus clientes
Para o banco, o desafio não é escolher um canal, é estar no certo, na hora certa.
Antes da IA dizer o que funciona, alguém precisa imaginar o que testar
Tahiana D'Egmont conta que na Nomad, a IA já analisa campanhas, identifica padrões e acelera decisões. Mas as melhores ideias ainda nascem em uma sala cheia de gente
Executiva analisa os impactos da IA, creator economy, retail media e hiperpersonalização na publicidade digital e defende que inovação e transparência precisam caminhar juntas para preservar a confiança do consumidor.
Denise Hruby, CEO do IAB Brasil, analisa os fatores que estão transformando a publicidade digital
Executiva analisa os impactos da IA, creator economy, retail media e hiperpersonalização na publicidade digital

Webstories

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]


Leandro Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Carolina Paes
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Gerente
Leonam Dias

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

O seu @ será o novo contato Protocolo pode virar prova na Justiça Quem assiste futebol só pelo futebol? Parceria entre McDonald’s e Coca-cola pode estar em crise