Foi dada a largada do Prime Day, celebração da Amazon aos seus clientes membros do programa Prime, que acontece dos dias 1 a 7 de julho. Para esse ano, a expectativa é que esta seja a maior edição da história do Prime no País, tanto em duração quanto em vendas, quantidade de marcas parceiras e de criadores de conteúdo.
Em 2025, o Prime Day ofereceu até 80% de desconto em dezenas de milhares de produtos em categorias diversas, como livros, beleza, alimentos e itens para casa. Além disso, mais de R$ 20 milhões em cupons foram distribuídos ao longo dos dias de evento e mais de 50 milhões de pedidos no Brasil foram entregues no mesmo dia ou no dia seguinte. A expectativa para a edição de 2026 é superar esses números.
É aí que entra o que a Amazon chama de Associados. Globalmente, o programa conta com mais de 900 mil criadores de conteúdo que formam uma espécie de força de vendas da empresa.
Ao divulgarem produtos e serviços da Amazon, criadores, influenciadores, editores e blogueiros podem monetizar seus conteúdos, ganhando até 15% em comissões de compras e programas qualificados. A plataforma oferece ferramentas de criação de links, materiais educacionais e dicas para ampliar o alcance da publicidade.
Parte dessa estratégia da Amazon foi o Creator Lab, encontro com mais de 300 criadores de conteúdo Associados para revelar a estratégia do Prime Day e conectá-los a marcas parceiras.
Extensão do time da Amazon

Foto: Reprodução/LinkedIn.
Camila Nunes, CMO da Amazon no Brasil, aponta que os associados “são uma extensão do nosso time”. “A gente trabalha com os nossos criadores de conteúdo, influenciadores do programa, o ano inteiro. Eles complementam o nosso time interno – temos 55 mil funcionários hoje –, fazendo essa conexão com a audiência deles e a Amazon”, explica.
Uma das criadoras que vive essa lógica na prática é Ana Gubert, à frente do perfil Promoçãozinha (@promocaozinha). Ela entrou para o programa de Associados em 2020, no meio da pandemia, sem estratégia definida. “Descobri sem querer esse mundo de afiliados”, conta. Na época, ela já pesquisava preços de forma obsessiva por conta própria: tinha dois filhos pequenos e precisava fazer o orçamento render.
O nicho materno-infantil, segundo ela, cresceu de forma orgânica. “A comunidade de mães é muito unida, então eu tive um crescimento grande nessa época, porque uma mãe foi indicando para outra.” Assim, o que começou como um jeito de economizar em fraldas virou um negócio. Hoje, o perfil conta com mais de 2,6 milhões de seguidores no Instagram.
Credibilidade que a marca não compra
Para Camila, a força dos criadores de conteúdo não está apenas em alcance, mas em um tipo de confiança que a Amazon, como empresa, não consegue replicar sozinha. “Eles têm a credibilidade para falar. Quando eles chancelam um produto – seja um hidratante, seja um device Echo, seja uma ferramenta –, a audiência entende que faz sentido”, diz.
Ela cita um exemplo hipotético para ilustrar o ponto. Um criador de conteúdo especializado em resenhas de livros de aventura tem uma audiência pequena, mas extremamente engajada. “A gente nem faria essa segmentação, e a gente nem falaria com tanta propriedade desses produtos”, afirma.
Ana reconhece o mesmo mecanismo do lado de quem posta. Quando começou a divulgar produtos da Amazon para sua audiência de mães, a companhia já chegava com reputação consolidada, o que reduzia a fricção da primeira compra.


Fotos: Divulgação/Amazon.
Nicho vs. Alcance amplo
Camila aponta que a especialização de cada criador de conteúdo é parte do valor do modelo. Mas, ressalta que o nicho não deve virar uma jaula. Segundo a executiva, mesmo um criador de conteúdo nichado consegue influenciar decisões de compra fora do seu tema principal. Isso porque a audiência confia na pessoa, não apenas no assunto.
É a mesma lógica, segundo ela, que sustenta o sistema de recomendação da própria Amazon desde sempre. Trata-se menos do perfil fixo do cliente, e mais sobre o que ele está precisando naquele momento específico. “O influenciador também traz o entendimento desse engajamento do público sobre o que ele está buscando naquele momento, mesmo que não tenha 100% de conexão com aquele nicho.”
Feedback vira produto
Camila relembra uma citação de Jeff Bezos: quando um relatório aponta uma conclusão e o cliente, ouvido diretamente, aponta outra, vale mais acreditar no cliente.
“A gente tem relatórios e informações que não são diferentes de um padrão de acompanhamento de campanha. Mas, para nós, é importante ter esse retorno direto”, diz. Segundo ela, criadores relevantes do programa têm contato direto com a Amazon fora dos canais de autoatendimento e é dali que vem boa parte do feedback sobre lançamentos, preços e até sobre o próprio Prime Day.
Para isso, os associados contam com duas camas de suporte. De um lado, uma estrutura de ferramentas self-service. Com elas, qualquer criador de conteúdo pode criar links, acompanhar a comissão e tirar dúvidas sem depender de atendimento humano. De outro, contas gerenciadas são reservadas a criadores que atingem determinados critérios. Nesse modelo, o influenciador conta com um gerente de conta dedicado, um atendimento mais customizado e acesso antecipado a informações sensíveis, como cupons e ofertas, como o Prime Day, sob confidencialidade.
Ana cita, como exemplo concreto, uma dificuldade que identificou entre sua audiência para aplicar um cupom promocional. Ela repassou o feedback à gerente de conta responsável por seu perfil dentro da Amazon para que o problema pudesse ser solucionado.
A Amazon também mantém um conteúdo educacional voltado a quem está começando no programa. Esse material aponta como gerar a primeira venda, como cumprir as regras para receber comissão e até dicas para maximizar a monetização das vendas.

Foto: Divulgação/Amazon.
Prime Day na Copa do Mundo
Neste ano, a aposta de calendário da Amazon cruza dois eventos: o Prime Day, que a empresa descreve como o maior de sua história, e a Copa do Mundo. Camila destaca que a plataforma conta com uma sessão inteira dedicada ao tema dentro da programação do evento, unindo o comportamento de compra típico da data – eletrônicos, itens para reunir amigos e família, bebidas – ao calendário esportivo. É a chamada Central da Torcida, com diversas ofertas que complementam o Mundial, desde álbum de figurinhas até camisas licenciadas, eletrônicos e snacks.
“A gente investe cada vez mais em fazer isso acontecer”, disse, citando categorias como churrasqueiras, pipoqueiras e televisores como parte do mix reforçado para o período.
É nesse contexto que um produto menos glamouroso, mas estrategicamente relevante, aparece na conversa. O Me Poupe, programa de assinatura recorrente da Amazon para itens de consumo – como papel higiênico, sabão em pó, ração de pet ou fraldas – permite escolher a frequência de entrega, pausar ou pular ciclos e acumular desconto progressivo conforme o número de itens assinados.
Segundo Ana, o programa ganhou tração real entre sua audiência depois que criadores como ela assumiram o papel de explicá-lo. “Esse programa era muito confuso, até pouco tempo atrás. As pessoas não entendiam como funcionava, ou por que era mais barato”, lembra. Hoje, diz, a maioria das pessoas que compra por indicação dela já entende o mecanismo e usa a ferramenta com naturalidade. Inclusive ela mesma, que assina o programa para itens do próprio dia a dia.
Para Camila, é um exemplo direto de como o trabalho dos criadores vai além da divulgação de ofertas pontuais de datas como o Prime Day. Eles também traduzem, para uma audiência específica, mecânicas de produto que a comunicação institucional da marca tem mais dificuldade de explicar com a mesma clareza.
Estar onde o cliente está
Para Camila Nunes, toda essa engrenagem – das ferramentas self-service, contas gerenciadas, conteúdo educacional até o feedback direto – converge para uma frase que ela repete como resumo da estratégia de marketing da companhia: “nós vamos estar onde o consumidor está“.
Como varejista que vende desde sabonete e pasta de dente até televisão e celular, a lógica, segundo ela, é estar presente em todos os momentos da vida do cliente. Inclusive, e cada vez mais, fora do site e do aplicativo da própria Amazon.
É uma aposta que desloca o centro de gravidade da relação com o consumidor. Não se trata de convencer alguém a entrar em um marketplace, mais de aparecer, com credibilidade emprestada, dentro do feed, do grupo de WhatsApp ou da recomendação de alguém em quem essa pessoa já confia.





