A Inteligência Artificial já está craque em dizer qual campanha performou melhor, qual anúncio trouxe mais resultado, onde vale investir mais dinheiro e até quais estratégias têm mais chance de dar certo na próxima rodada.
Mas ela provavelmente nunca levantaria a mão em uma reunião e diria: “E se a gente chamasse o Will Smith?”. Esse é o exemplo favorito da Tahiana D’Egmont, diretora de Growth da Nomad, para explicar as limitações da IA no dia a dia da empresa. A tecnologia ficou muito boa em encontrar respostas, mas para isso, alguém ainda precisa fazer as melhores perguntas.
Na Nomad, que nasceu digital e atua com conta internacional e investimentos no exterior, a Inteligência Artificial faz parte da rotina há bastante tempo. Principalmente quando o assunto é analisar resultados.
“Quando a gente faz campanha, faz muitos testes. E fica muito mais fácil usar IA para olhar esse volume todo e mostrar o que funcionou melhor, o que não funcionou e onde dá para otimizar”, conta ela. Até aí, nada muito surpreendente, mas o mais interessante acontece antes disso.
Etapa 1: Brainstorming
Enquanto a IA analisa o que já aconteceu, a próxima ideia continua surgindo do jeito mais simples possível: uma conversa entre pessoas.
“Nós usamos muito a experiência do time, a intuição e a criatividade para pensar o que nossos clientes querem ver, o que importa para eles, tanto quando falamos de viagem quanto de investimentos internacionais”, explica Tahiana.
É nessa etapa que ninguém consulta algoritmos. O time reunido levanta hipóteses, imagina campanhas, testa possibilidades e faz perguntas que ainda não têm resposta. Só depois a Inteligência Artificial entra novamente para organizar tudo. Assim, hoje o trabalho por lá acontece quase em duas etapas: primeiro as pessoas expandem as possibilidades e depois a IA ajuda a descobrir quais realmente funcionaram.
Nem tudo cabe em um dashboard
A campanha estrelada por Will Smith é um exemplo disso. A ação em que o ator, com ajuda de IA, apresenta em português os serviços da empresa, fez a Nomad crescer oito pontos em brand awareness e aumentou em 540% os acessos ao site na semana seguinte ao lançamento, usando apenas 25% do orçamento investido pelo principal concorrente.
Mas, olhando para trás, Tahiana questiona: “Será que a IA teria dado esse insight? Acho que não. Era uma decisão muito ligada ao contexto cultural, ao momento e à conexão emocional que os brasileiros tinham com ele.”
É por isso que, para ela, criatividade continua sendo uma habilidade essencialmente humana.”A intuição é uma experiência acumulada, coisa que a IA ainda não tem.”
O melhor uso da IA é te devolver tempo
A mesma lógica aparece no atendimento. Como muitos clientes da Nomad estão viajando quando precisam de ajuda, velocidade faz diferença.
Chegar a um hotel em outro país, precisar resolver um problema rapidamente e conseguir uma resposta quase imediata muda completamente a percepção daquela experiência.
Segundo Tahiana, a IA consegue resolver boa parte dessas demandas iniciais e identificar rapidamente quando é hora de passar a conversa para um atendente. Ela é essencial para que as pessoas gastem menos tempo fazendo tarefas repetitivas e mais tempo pensando.
“A gente incentiva muito o uso da IA justamente para liberar tempo do time e permitir um pensamento mais estratégico e criativo.”
A criatividade continua sem botão
Nos últimos anos, a Inteligência Artificial passou a escrever textos, criar imagens, programar, resumir reuniões e analisar milhares de dados em poucos segundos. Mas ela ainda depende de alguém que diga para onde olhar e o que fazer.
Por isso, na Nomad, cada um tem o seu papel para entregar o melhor serviço e uma experiência surpreendente. Segundo eles, é preciso deixar que a IA faça aquilo em que ela é excepcional: analisar, organizar e acelerar. E preservar para as pessoas o que só vem de observar comportamento, conectar referências e entender cultura. Ou seja, a boa ideia.





