A Inteligência Artificial já assume um papel central nas estratégias das empresas de consumo e varejo. É o que revela o KPMG Global Tech Report 2026 – Consumo & Varejo: 90% das organizações já integraram agentes de IA aos principais fluxos de trabalho e ofertas, enquanto 74% esperam implementar a tecnologia em escala nos próximos 12 meses, um dos índices mais elevados entre todos os setores analisados.
O estudo indica que o avanço da IA está diretamente ligado à busca por eficiência operacional, maior capacidade analítica e ganhos de competitividade. Tanto que 93% dos líderes acreditam que tecnologias avançadas ampliarão suas vantagens competitivas, ou seja, a corrida pela adoção da IA já se tornou uma prioridade estratégica para o varejo.
Outro indicador que chama atenção é a transformação do mercado de trabalho: 94% dos executivos afirmam que saber gerenciar agentes de IA será uma habilidade essencial nos próximos cinco anos, alterando a forma como as atividades serão executadas dentro das empresas.
“O estudo mostrou que a IA está transformando o modo como a indústria de consumo e varejo está se posicionando. Além disso, ficou claro que as prioridades de investimento para os líderes são a previsão, segurança e análise baseadas em dados, ao mesmo tempo, em que a governança também está no foco”, analisa o sócio-líder de consumo e varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul, Fernando Gambôa.
Dados de qualidade são a base para a IA
Se a IA ganha espaço, a qualidade dos dados passa a ser um dos principais fatores para garantir resultados. O levantamento mostra que 49% dos líderes pretendem ampliar os investimentos em dados em pelo menos 10%, ficando atrás apenas dos aportes em segurança cibernética.
Ao mesmo tempo, 63% afirmam que a área de TI lidera a implementação da Inteligência Artificial nas organizações.
Entre as prioridades de investimento aparecem segurança dos dados, análises avançadas, geração de insights e modelos preditivos, refletindo a necessidade de criar uma base sólida para sustentar aplicações de IA em larga escala. O relatório também destaca que a governança continua no centro das decisões, embora ainda exista uma divisão entre modelos centralizados e federados de gestão e responsabilidade sobre os dados.
Retorno financeiro impulsiona investimentos
A percepção de valor também contribui para acelerar a adoção tecnológica. Segundo a pesquisa, 45% dos líderes do setor afirmam obter retornos superiores a US$ 250 milhões provenientes dos investimentos em tecnologias digitais, reforçando que a transformação digital já apresenta impactos concretos nos resultados das empresas.
Além da IA, outras tecnologias seguem no radar das organizações. Embora os modelos de entrega em formato XaaS (Everything as a Service) sejam hoje a tecnologia moderna mais difundida, mais de 40% dos executivos esperam ampliar investimentos em soluções como gêmeos digitais, Web3 e edge computing nos próximos anos.
O caminho para escalar a IA
Para transformar iniciativas isoladas em vantagem competitiva, a KPMG aponta seis recomendações para as empresas de consumo e varejo:
- Fortalecer a base de dados com governança e métricas claras.
- Simplificar arquiteturas e processos para reduzir complexidade.
- Utilizar dados em tempo quase real para apoiar decisões e planejamento.
- Substituir projetos-piloto por plataformas escaláveis de IA.
- Preparar a força de trabalho para atuar ao lado de agentes inteligentes.
- Colocar segurança, confiança e ética no centro da estratégia de IA desde o início.
Segundo a consultoria, a combinação entre dados confiáveis, governança robusta e desenvolvimento de competências será determinante para que as empresas consigam capturar todo o potencial da IA sem comprometer a confiança dos consumidores.





