O Brasil vem se consolidando como um importante polo tecnológico na América Latina quando o assunto é Inteligência Artificial (IA). Por anos, tudo aquilo que era novidade tecnológica no Vale do Silício, ou em outro polo de inovação ao redor do mundo levava pelo menos dois anos para chegar aqui. Agora, esse tempo é quase imediato.
À medida que o consumidor se tornou mais digital e as empresas brasileiras se tornaram sedentas por tecnologia e inovação, o mercado brasileiro disparou na adoção de IA. Agora, líderes de negócios passaram a enfrentar um novo desafio: gerar valor com IA sem perder o controle sobre seus dados, governança e custos.
Nesse cenário, a Databricks tem se destacado como uma companhia que não apenas cria soluções e tecnologia necessárias para esse entendimento, mas auxilia seus clientes na construção de um modelo de negócios de sucesso com IA.
Ricardo Buffon, country manager da Databricks no Brasil, chegou à companhia em agosto de 2025, vindo de duas décadas de mercado passando por gigantes de tecnologia como a Oracle. Ao assumir a operação brasileira, Ricardo notou como a empresa estava em crescimento acelerado – os negócios da Databricks quase triplicaram nos últimos dois anos, segundo a companhia.
Hoje, a Databricks afirma que pelo menos oito das dez maiores empresas dos setores de educação, varejo, saúde e serviços financeiros do Brasil confiam na Databricks Data + AI Platform para unificar dados, analytics e IA. Recentemente, a empresa anunciou planos de investir mais R$ 1,5 bilhão no País nos próximos três anos.
Passado pouco mais de um ano à frente dessa operação, Ricardo recebeu a Consumidor Moderno durante um evento da companhia em São Paulo, o Data + AI World Tour, para falar sobre esse momento da empresa e o que muda no mercado brasileiro de CX quando a IA agêntica se torna imperativo.
IA e o desafio do contexto
CM – O Data + AI World Tour trouxe como mensagem central que “a IA tem um problema de contexto, não de inteligência”. Na sua visão, quanto desse discurso já é realidade no dia a dia das empresas brasileiras e quanto ainda é aspiracional?
Eu acho que toda empresa no Brasil já tem consciência de que o contexto é fundamental para você ter sucesso sobre aquilo que você está construindo com Inteligência Artificial. Assim como todo mundo já tem consciência de que esses projetos precisam ter retorno. Ou seja, tem que ter um sentido para o negócio e trazer ou melhorar a sua produtividade, reduzir o seu custo e, claro, aumentar a sua venda. Eu acho que o mercado brasileiro tem uma ótima maturidade sobre esses pontos. E quando olho os cases de sucesso que estamos construindo por aqui, o mercado local realmente já entendeu o recado.
CM – De onde vem essa maturidade, Ricardo?
Essa maturidade vem de um mercado que está bem esclarecido sobre IA na experiência do cliente e, sobretudo, de organizações que se apoiam em quatro pilares que sustentam qualquer estratégia de dados e IA hoje: o contexto dos dados da empresa, como já salientei no início; a escolha, a liberdade de eleger entre modelos e provedores de nuvem para evitar dependência de um único fornecedor; o controle de custos como forma de garantir retorno sobre o investimento; e uma camada de governança que amarre tudo isso.
CM – Custo é impeditivo para um maior avanço?
Eu acho que o custo é um fator sempre importante, independentemente do mercado em que você esteja inserido. E a estratégia que a Databricks entrega é exatamente a possibilidade de você conseguir controlar o que está acontecendo. Então, o custo deixa de ser um impeditivo quando a empresa tem instrumentos para medir o retorno gerado.
Agent Bricks no Brasil
CM – No Brasil, como está esse cenário de atuação de Agent Bricks, e o que você tem acompanhado de resultados concretos e que estão te surpreendendo?
A adoção por aqui já é robusta. Genie, a nossa suíte de colaboradores de IA, tem auxiliado nossos clientes a transformar dados corporativos em respostas e ações confiáveis. Com nosso agente de IA o Genie One você conversa em linguagem natural, e vários CEOs de empresas o utilizam no dia a dia para entender o que está acontecendo no seu negócio. Na Databricks, todos os colaboradores também têm o agente instalado no celular, o que permite consultar em qualquer lugar dados de consumo de clientes, casos de uso ativos ou projeções futuras. Eu mesmo uso no meu dia a dia. Faz uma diferença enorme quando você tem um trabalho agêntico que conhece sua empresa profundamente.
Escalar agentes de IA
CM – Ricardo, se a adoção já avança e o entendimento é amplo, o que ainda trava uma escalada mais ampla de agentes de IA no mercado brasileiro? Cultura de dados, governança, orçamento ou talento técnico?
Eu não diria que existe um gargalo. O que existe são diferentes níveis de maturidade em IA entre as empresas. Mas vejo um movimento comum entre todas elas: o de buscar formas de governar essa nova camada de agentes de IA. Como é que eu consigo garantir que esses agentes vão estar governados e executando aquilo que precisam executar? Como é que eu pego o contexto do seu dado e conecto a esse agente, controlo a tomada de decisão, agilizo o desenvolvimento desse agente? É nesse sentido que temos ajudado muito as empresas. Acho que o mercado brasileiro caminha em velocidade adequada, e com uma consciência crescente de que escala sem contexto e governança em IA é risco, não avanço.
Um ano à frente da operação brasileira
CM – Você completa cerca de um ano no comando da Databricks no Brasil, o que tem guiado sua estratégia de liderança por aqui?
Estamos vivendo um momento maravilhoso na Databricks. Foi um ano de muito aprendizado e de muita coisa nova. O mercado está mudando e a empresa tem conseguido ajudar os clientes a direcionar melhor suas decisões. De um ano para cá, a Databricks está mais especializada por indústrias e cada vez mais dentro do processo de negócio do cliente, auxiliando ele a criar hiperpersonalização, precificação dinâmica, melhorar um produto, uma cadeia logística etc. Estamos cada vez mais não somente organizando dados, mas ajudando nossos clientes a construírem um modelo de negócios de sucesso. E tenho visto que a nossa operação tem ido muito bem nessa direção, e isso me enche de orgulho.
CM – Olhando para 2027, o que definirá o CX brasileiro à medida que as empresas entram de vez na era da IA agêntica?
Acho que vamos entrar numa onda de inovação sem precedentes muito em breve. Eu realmente acredito nisso. Estamos vendo as empresas preparando toda essa fundação para isso, organizando os seus dados, sedimentando essa base e entendendo o contexto do negócio. E toda essa tecnologia que criamos é para potencializar esse direcionamento e a criatividade humana. E com certeza a questão geracional toca muito nisso. Tecnologia para algumas gerações é básica, então a relação é diferente, e temos uma geração fantástica para consolidar todo esse avanço e inovação. Esse efeito certamente vai aparecer em diversas camadas e nos negócios de forma transversal, passando necessariamente pelo mercado da experiência do cliente.





