/
/
“A IA reflete a cultura da organização que a adota”, diz diretora da ABRAREC

“A IA reflete a cultura da organização que a adota”, diz diretora da ABRAREC

Gabriela Glinternik analisa 23 anos de transformação nas relações de consumo e aponta os desafios para unir tecnologia, atendimento humano e resolutividade
Gabriela Glinternik analisa 23 anos de transformação nas relações de consumo e aponta os desafios para unir tecnologia, atendimento humano e resolutividade.
Legenda da foto
Shutterstock
A tecnologia mudou. E a experiência do consumidor? Em 23 anos, canais se multiplicaram, relações se digitalizaram e a Inteligência Artificial chegou ao atendimento. Mas antigos gargalos ainda resistem. Para Gabriela Glinternik, diretora-executiva da Abrarec, a explicação passa pela cultura das empresas: “A IA reflete a cultura da organização que a adota.” No encerramento da Semana do Cliente, a CM Entrevista olha para os próximos anos dessa transformação. O desafio agora é fazer tecnologia, atendimento e dados produzirem mais resolutividade e confiança — e não novas barreiras.

Em pouco mais de duas décadas, a relação entre empresas e consumidores passou por uma transformação profunda. A digitalização multiplicou canais, ampliou o acesso à informação e acelerou as interações. Além disso, aumentou o poder de comparação e manifestação dos clientes.

No entanto, alguns problemas conhecidos atravessaram esse período. Dificuldade para resolver demandas, repetição de informações e jornadas fragmentadas ainda desafiam consumidores e empresas.

Agora, a Inteligência Artificial acrescenta uma nova camada a essa transformação. A tecnologia amplia as possibilidades de automação, personalização e eficiência. Porém, também levanta uma questão central: como avançar tecnologicamente sem criar novas barreiras para o consumidor?

Para Gabriela Glinternik, diretora-executiva da Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente (ABRAREC), a resposta passa pela cultura das organizações. “A IA reflete a cultura da organização que a adota, simples assim”, afirma.

Gabriela Ribas, diretora-executiva da ABRAREC

No encerramento da Semana do Cliente, a Consumidor Moderno conversou com a executiva para fazer um balanço dessa trajetória. Em 2026, a ABRAREC completa 23 anos de atuação. A entrevista aborda as mudanças nas relações de consumo, os gargalos que resistiram à digitalização e os desafios trazidos pela IA.

Da venda ao relacionamento

Consumidor Moderno: Em 2026, a Abrarec completou 23 anos de atuação e a Semana do Cliente também chega à mesma idade. Partindo dessa coincidência, quando olhamos para essas mais de duas décadas, o que mais mudou na relação entre empresas e consumidores no Brasil?

Gabriela Glinternik: Mais do que pelas tantas transformações que se pode observar no dia a dia de todos nós, as últimas duas décadas têm sido marcadas, em especial, pela velocidade com que todo o mercado vem se reinventando. Isso ocorre por força dos impactos profundos que os avanços tecnológicos têm provocado.

Esses impactos aparecem não apenas nas relações de consumo, mas na forma pela qual nos comunicamos, interagimos e tomamos decisões. Enfim, na forma como vivemos!

Olhando especificamente para as relações entre empresas e consumidores, creio que seja essencial destacar a passagem do foco nas vendas, algo mais pontual, para a ênfase nos relacionamentos, algo mais duradouro e sustentável.

Produtos transformados em serviços, átomos transformados em bits. Essas mudanças impactam imensamente os modelos de negócio e, com isso, a qualidade das interações entre esses atores.

O consumidor elevou suas expectativas

CM: Nesse período, o consumidor ganhou novos canais, mais acesso à informação e muito mais poder de comparação e manifestação. Como essas mudanças transformaram o que ele espera das empresas e o que hoje define uma boa experiência?

Gabriela Glinternik: Os níveis de expectativa e de exigência cresceram muito, sem dúvida alguma. Tudo é on-line e em tempo “quase real”.

Estar presente e funcionando com a mesma qualidade em múltiplos canais, muito diferentes entre si, não é mais uma “opção estratégica”. É uma necessidade para qualquer empresa que se pretenda realmente relevante no cenário atual.

A “boa experiência”, hoje, passa por encontrar um equilíbrio muito fino e eficiente entre analógico e digital, entre humanizado e automatizado.

Nem tudo funciona como deveria com a automação. Da mesma forma, não parece mais possível pensar em interações apenas humanas. Encontrar esse equilíbrio é algo muito complexo, sem dúvida alguma.

Os velhos problemas do atendimento

CM: Ao mesmo tempo, alguns problemas atravessaram essas duas décadas. Dificuldade para resolver demandas, repetição de informações e jornadas fragmentadas continuam presentes. Por que gargalos tão antigos resistem mesmo com tantos avanços em tecnologia e atendimento?

Gabriela Glinternik: Não podemos olhar para as soluções tecnológicas como alguma espécie de “magia”, capaz de endereçar todos os nossos problemas.

Não raro, observamos empresas que parecem crer no contrário. Elas mantêm um foco inabalável em promover a “transformação digital” sem antes tomar algumas decisões estratégicas indispensáveis. Essas decisões envolvem, sobretudo, a cultura organizacional.

É nesse tema sempre desafiador da cultura organizacional que se podem encontrar os maiores diferenciais entre empresas que se destacam pela qualidade de seus relacionamentos com os consumidores. Isso vale para quaisquer segmentos de mercado que analisarmos.

IA pode melhorar a experiência

CM: Agora, a Inteligência Artificial abre uma nova etapa nessa trajetória. Onde a IA já melhora efetivamente a experiência do consumidor e quais limites as empresas precisam observar para que a automação não se transforme em uma nova barreira ao atendimento?

Gabriela Glinternik: Tecnologia de ponta não substitui visão de negócio. Inteligência Artificial útil pressupõe capacidade decisória humana, empática e corajosa.

Essa capacidade é necessária para conduzir esse processo da forma que ele exige e gerar os resultados que todos esperam dele.

A IA reflete a cultura da organização que a adota, simples assim. Ou ela está a serviço dos melhores relacionamentos, ou muito facilmente pode se transformar em um gargalo praticamente intransponível para os consumidores.

Nesse caso, pode causar danos profundos nessa relação.

Os próximos 23 anos

CM: Se os últimos 23 anos foram marcados pela digitalização da relação de consumo, o que deve definir os próximos anos? Quais mudanças precisam avançar para que atendimento, tecnologia e dados se traduzam em mais resolutividade e confiança para o consumidor?

Gabriela Glinternik: Uma vez mais, insisto na questão da cultura, na clareza de propósito que haverá de guiar as decisões daqueles que conduzem os processos de transformação.

Compreender que a tecnologia não é um fim em si mesma nem sempre é tão fácil. Sobretudo quando tantas soluções aparentemente “milagrosas” prometem resultados quase instantâneos.

Ouvir o consumidor para além do óbvio e refinar a sensibilidade da escuta humanizada em ambientes cada vez mais digitalizados é um desafio imenso.

Ao mesmo tempo, é um caminho indispensável.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

ACP pede limite de tempo, restrição de acesso noturno, feed cronológico e mudanças no uso de dados de menores no Instagram e Facebook.
Ação contra Meta pede mudanças para menores e R$ 3 bilhões
ACP pede limite de tempo, restrição de acesso noturno, feed cronológico e mudanças no uso de dados de menores no Instagram e Facebook
Declaração do Secretário Nacional do Consumidor marcou a abertura da comissão que formulará, ao longo de um ano, novas regras e ferramentas de fiscalização para o e-commerce. 
Defesa do consumidor foi ‘apagada’ do debate digital, diz Morishita
Declaração do Secretário Nacional do Consumidor marcou a abertura da comissão que formulará, ao longo de um ano, novas regras e ferramentas de fiscalização para o e-commerce
Jornada de 40 horas avança no Senado e coloca empresas diante de desafios de produtividade, custos e novas expectativas dos trabalhadores.
Fim da escala 6x1 entra na reta decisiva e pressiona empresas a rever custos
PEC que reduz jornada para 40 horas aguarda Plenário do Senado; apoio popular, produtividade, automação e novas expectativas dos trabalhadores colocam empresas diante de uma equação que vai além das horas trabalhadas
Proteção de dados, bets, superendividamento e relações digitais ampliam o conhecimento necessário para escolhas de consumo mais conscientes
Dia do Cliente: o que significa educar para o consumo em 2026?
Proteção de dados, bets, superendividamento e relações digitais ampliam o conhecimento necessário para escolhas de consumo mais conscientes

Webstories

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]


Leandro Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Carolina Paes
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Gerente
Leonam Dias

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Prime Video aposta em vídeos curtos e amplia funções do streaming Do clique ao dano: quem responde nas novas relações de consumo? Menos estímulos, mais experiência? Quando o tempo perdido vira indenização