Abrir o aplicativo do Mercado Livre para buscar exatamente o que procura já virou rotina para os brasileiros. Basta digitar “camiseta preta”, comparar as opções e avaliações, encontrar o melhor preço e comprar.
Mas e quando você ainda não sabe que quer uma camiseta nova? É nesse momento, anterior à busca, que o Mercado Livre pretende estar a partir de agora.
No dia 5 de setembro, durante o Rock In Rio, a empresa estreou o Mercado Livre Live, ferramenta que permite acompanhar transmissões, conhecer produtos, conversar com quem está apresentando e comprar sem sair do aplicativo amarelo. E, dias depois, inaugurou, na Community Creators Academy, em São Paulo, um estúdio, com nove ambientes dedicados a ensinar vendedores, afiliados e criadores a fazer exatamente isso.

Foto: divulgação
As duas novidades chegam juntas para acompanhar uma tendência de mercado. “A maneira de comprar está mudando”, afirma Renata Gerez, diretora de Social Commerce LATAM do Mercado Livre. Conteúdo, entretenimento, recomendação e consumo passaram a ocupar espaços cada vez mais próximos e plataformas que antes entravam em momentos diferentes da compra começam a se encontrar.
“Antes, a gente comprava de uma forma completamente diferente. Hoje, a compra acontece muito mais através de conteúdo”, afirma a diretora. “Vejo como um momento-chave de atualização, de mudança, de transformação na forma de comprar. E as plataformas naturalmente precisam acompanhar essa transformação.”
Da procura à descoberta
O Mercado Livre já vinha construindo essa frente com vídeos curtos dentro do aplicativo. Depois, ampliou sua aposta em afiliados e criadores. Hoje, o programa reúne 9 milhões de participantes na América Latina e registrou 208 pedidos por minuto no Brasil no segundo trimestre de 2026.
Agora, as lives acrescentam uma nova possibilidade a essa experiência. Quem entra no aplicativo sabendo exatamente o que quer continuará podendo buscar e comprar diretamente. A novidade está em atender o comportamento de quem quer navegar, assistir, descobrir um lançamento, encontrar uma oferta ou ser apresentado a um produto por alguém.
“Se você já tem uma decisão de compra, vai buscar o produto no melhor preço e fazer a sua compra. Isso vai continuar existindo”, explica Renata. “O que a gente está construindo através de conteúdo é essa outra opção, para que a pessoa não precise ir para outro lugar e consiga ter toda essa jornada dentro do nosso aplicativo.”
Na live, vendedores, afiliados e criadores podem demonstrar produtos e responder a perguntas em tempo real. Cupons e ofertas exclusivas ajudam a aproximar aquela interação da compra.
Brasil é o projeto piloto
O Brasil foi escolhido para estrear a ferramenta dentro da operação latino-americana do Mercado Livre. Segundo Renata, a maturidade do mercado brasileiro e do próprio programa de afiliados e criadores no País pesou para a decisão.
E essa não é a primeira tentativa da empresa nesse formato. Em 2021, o Mercado Livre já experimentou o live commerce. Cinco anos depois, volta ao modelo com uma ferramenta desenvolvida internamente e um consumidor que também mudou ao longo desses anos.
Segundo Renata, os primeiros sinais desta nova fase, ainda na semana de lançamento, já eram mais representativos do que os observados naquela experiência.
A empresa, porém, ainda não divulga uma taxa de conversão para o Mercado Livre Live. Renata diz que os resultados variam bastante conforme categoria, apresentador, plataforma, oferta e incentivos usados durante a transmissão.
Também não há um valor divulgado especificamente para o desenvolvimento do live commerce ou para o novo estúdio. Segundo Renata, as iniciativas fazem parte dos R$ 57 bilhões em investimentos anunciados pelo Mercado Livre para o Brasil em 2026, que contemplam diferentes frentes da operação, como logística, crédito e tecnologia.
Se precisa de conteúdo, precisa de quem produz
É assim que o novo Estúdio Mercado Livre materializa essa nova frente. Localizado na Vila Leopoldina, em São Paulo, o espaço de 193 m² reúne nove ambientes, entre estúdios individuais, área multiuso, estrutura para podcasts e uma pequena arquibancada para eventos. Há microfones, iluminação, tripés, cenários e produtos de marcas parceiras disponíveis para as gravações.

Foto: Consumidor Moderno
Mas a estrutura não foi criada para emprestar câmera e cenário. O local receberá treinamentos, workshops, encontros e trocas entre vendedores, afiliados e criadores. A ideia é ajudar essa comunidade a aprender como transformar conteúdo em negócio.
E qualquer pessoa pode se tornar afiliada, mesmo sem uma grande audiência nas redes sociais. “Você pode ter zero seguidores”, exemplifica Renata. A abertura das lives será progressiva, começando pelos participantes mais engajados, mas a expectativa da empresa é ampliar o acesso à ferramenta para todos.
O mesmo deve acontecer com o estúdio. Inicialmente, o uso será liberado gradualmente, por meio de agendamento. Se houver adoção e resultado, a estrutura pode crescer.
“É um primeiro passo. A gente vai entender como vai ser a adoção, se está fazendo sentido, se está gerando resultado”, diz Renata. A partir daí, a empresa poderá avaliar novos estúdios e outras regiões.
Essa estrutura física complementa uma frente de capacitação que já acontece online, com webinars, canais dedicados, WhatsApp e uma Academia de Afiliados.
Disputa acirrada por quem vende

Foto: Consumidor Moderno
Hoje, creators e afiliados podem trabalhar com diferentes plataformas. Exclusividade está longe de ser uma prática desse mercado. Então, se conteúdo passa a ter mais peso na venda, conquistar o tempo de quem produz esse conteúdo é igualmente importante.
“Temos uma busca incessante para garantir as melhores ferramentas para esse afiliado, esse criador preferir trabalhar com o Mercado Livre. O estúdio é um belo exemplo”, afirma.
Os atrativos vão desde suporte, facilidade de uso, recompensas, capacitação até ao acesso a novidades e integrações. O Mercado Livre já permite, por exemplo, que criadores do YouTube incluam produtos do marketplace em seus conteúdos por meio do YouTube Shopping.
Por que mudar?
Para o usuário, mais conteúdo pode significar mais motivos para abrir o aplicativo e permanecer nele mesmo quando ainda não existe uma compra decidida. Para vendedores e creators, significa uma nova vitrine e uma possibilidade de monetização.
Renata diz que essa é, inclusive, a principal lógica de negócio por trás da aposta. “É uma oportunidade de trazer cada vez mais usuários, fazer com que eles permaneçam mais tempo e lembrem cada vez mais de procurar e fazer a compra. A gente sempre busca que as pessoas entrem no nosso app e entrem com frequência. A recorrência é uma coisa muito importante para nós”, diz.
Isso não significa transformar todo usuário em espectador de live. Quem interage com transmissões pode receber mais lives; quem prefere vídeos curtos pode encontrar mais desse formato. E quem só quer buscar um produto precisa continuar conseguindo fazer isso sem atravessar uma sequência de conteúdos.
“O consumidor não te compara só com o seu concorrente, ele te compara com todas as experiências de aplicativo que tem”, afirma Renata. E essa comparação ilimitada ajuda a explicar por que um marketplace de mais de duas décadas agora está construindo estúdios, formando creators e colocando transmissões ao vivo no meio da experiência de compra.
Renata relembra que no começo do Mercado Livre, havia anúncios que nem sequer tinham fotos. Hoje, comprar um produto online apenas por uma descrição parece distante. Depois vieram imagens melhores, avaliações, vídeos e recomendações.
Agora, o próximo teste acontece ao vivo. O consumidor continuará entrando no Mercado Livre quando souber o que quer. A aposta é que, cada vez mais, ele também entre para descobrir.





