Nos últimos meses, os brasileiros têm enfrentado um aumento significativo nos preços das refeições fora de casa, refletindo a inflação e o encarecimento dos insumos. Em suma, restaurantes, lanchonetes e até os estabelecimentos mais populares têm reajustado seus cardápios, e o impacto está sendo sentido em diferentes classes sociais.
De acordo com dados recentes, o custo médio de um almoço em um restaurante simples subiu cerca de 11% em comparação ao ano anterior, tornando-se um desafio para muitas famílias que buscam equilibrar suas finanças.
E, agora, para muitos, a opção de comer fora, antes vista como um prazer ou uma conveniência, agora se transforma em um ônus. Prova disso, nesse ínterim, está em uma nova pesquisa realizada pela Fundação Procon-SP em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Juntos, eles revelam que os preços das refeições self-service por quilo na capital paulista tiveram um aumento de 10,82% em apenas um ano. E, por lógica, São Paulo, como a maior cidade do País, impacta diretamente todas as outras regiões.
Para chegarem a essa conclusão, eles analisaram os dados de 54 estabelecimentos que fazem parte dessa série histórica, notando que o preço médio das refeições saltou de R$ 80,84 em junho de 2024 para R$ 89,59 em junho deste ano.
Comer fora: a viagem no tempo dos preços
Os pesquisadores começaram a realizar essa pesquisa em janeiro de 2020 e revelaram uma variação surpreendente de 59,8% no preço médio das refeições self-service. Importante destacar que, em seu início, o preço era de R$ 56,06. Para se ter uma ideia, essa alta está muito acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC-IBGE), que registrou uma variação de 37,8% no mesmo período. Ou seja, o levantamento é um convite à reflexão sobre como a inflação tem impactado o dia a dia de todo consumidor, especialmente na hora de escolher onde almoçar.
Na edição mais recente da pesquisa, pesquisadores coletaram os dados em 350 restaurantes espalhados pelas cinco regiões de São Paulo: Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro. E aqui estão os números que podem fazer você o consumidor brasileiro repense suas escolhas na hora do almoço:

Preços e pratos
Importante destacar que esses valores são de junho de 2025. Constatou-se o preço médio de R$ 84,52 em 152 restaurantes que servem no sistema buffet self-service cobrando por quilo; constatou-se o preço médio de R$ 52,15 em 74 que oferecem o sistema buffet self-service com cobrança a preço fixo; coletou-se o preço médio de R$ 36,49 em 225 que oferecem pratos do dia (prato feito); e constatou-se o preço médio de R$ 40,82 em 135 que oferecem prato executivo de frango.
Veja abaixo a variação de preços em refeições self-service por quilo de janeiro de 2020 a junho de 2025:

O Procon-SP não apenas se preocupa em coletar dados, mas também em educar os consumidores. Portanto, ao escolher o local para sua refeição, a Fundação recomenda avaliar a relação entre preço e qualidade, com algumas dicas:
- Transparência nos Preços: Os estabelecimentos comerciais devem informar os preços de forma clara e objetiva, antes de o consumidor fazer seu pedido.
- Gorjeta: Lembre-se, pagar gorjeta é uma escolha sua. O restaurante deve deixar claro que essa prática é opcional e só deve ser cobrada se houver um serviço efetivo prestado.
- Vale Refeição: Se um restaurante exibe adesivos ou outras formas de comunicação indicando que aceita vale refeição, ele não pode recusar essa forma de pagamento, independentemente do valor consumido ou do dia da semana.
Regras para self-service
Além disso, é bom saber que restaurantes que operam no sistema de self-service devem seguir algumas regras:
- Não podem informar preços apenas por 100g.
- Devem informar o peso do prato (tara).
- Não podem veicular informações que não correspondam ao que é mostrado na balança.
- É proibido cobrar taxa de desperdício quando você deixa sobras no prato e também não é permitido fazer promoções que só informem que são por tempo limitado sem apresentar uma data de término.
Confiança dos empresários em queda
A confiança dos empresários brasileiros apresentou nova queda em julho. O Índice de Confiança Empresarial (ICE), divulgado pelo FGV IBRE no dia 4 de agosto, ficou em 91,3 pontos no mês anterior, marcando a segunda retração consecutiva – 0,8 ponto a menos em comparação ao resultado de junho. A média móvel trimestral também diminuiu, reforçando a percepção de um ambiente econômico mais instável.

A pesquisa indica que todos os principais setores da economia registraram perda de confiança. O comércio liderou a queda (-2,2 pontos), enquanto o setor de serviços, que inclui bares e restaurantes, também foi afetado pela piora nas expectativas (-1,0 ponto), refletindo uma maior cautela entre os empresários do setor de alimentação fora do lar.
Para bares e restaurantes, os sinais de alerta não são novos. Desde junho, os indicadores já indicavam dificuldades. Segundo o Índice Abrasel-Stone, que monitora o desempenho do segmento, as vendas caíram 3,7% em relação a maio. Essa retração nas receitas impactou diretamente o caixa dos estabelecimentos e 59% dos empresários finalizaram junho sem lucro.
“A confiança é um termômetro crucial da saúde econômica. Quando ela recua, os empresários tendem a adiar decisões estratégicas, como a contratação de novos funcionários ou a abertura de novas unidades”, observa Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). “Em um setor que demanda muita mão de obra como o nosso, isso pode também significar menos oportunidades de trabalho.”
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