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CM Responde: O consumidor não compra onde busca – e isso explica o novo jogo do mercado

CM Responde: O consumidor não compra onde busca – e isso explica o novo jogo do mercado

Por que o consumidor não decide mais no Google – e o que isso revela sobre confiança?
O consumidor não decide mais só no Google. Entenda como busca, redes sociais e IA mudam a relação entre empresas e clientes.
Foto: Shutterstock.
Estudo mostra que a jornada de compra no Brasil se tornou fragmentada e multicanal, com consumidores alternando entre Google, redes sociais, marketplaces e IA antes de decidir. O smartphone acelera decisões em tempo real, enquanto confiança, avaliações e conteúdos orgânicos ganham mais peso que anúncios. A IA atua como apoio na busca, mas a decisão final depende da validação em múltiplas fontes, tornando o processo mais criterioso.

Você, consumidor, já percebeu que, antes de comprar qualquer coisa, dificilmente fica em um único lugar?

Às vezes começa no Google.
Depois vai para o Instagram.
Assiste um vídeo no YouTube.
Pergunta para uma Inteligência Artificial.
E, só então, decide.

Se esse comportamento parece familiar, não é coincidência – é tendência.

O estudo O Mapa da Busca no Brasil 2026, desenvolvido pela Optimiza em parceria com a AB Pesquisas, mostra que a jornada de compra do consumidor brasileiro deixou de ser linear e passou a ser fragmentada, multicanal e muito mais exigente. E isso muda completamente a forma como empresas precisam se posicionar.

A busca começa no Google mas a decisão acontece fora dele

O Google segue sendo o principal ponto de partida mental do consumidor: cerca de 64% iniciam suas buscas pela plataforma. Mas o dado mais relevante não é esse – é o que vem depois.

O estudo mostra que o Google deixou de ser o único espaço de decisão. Ele continua organizando a busca, mas não resolve sozinho a jornada. Na prática, o consumidor distribui sua atenção:

  • Começa no Google;
  • Valida nas redes sociais;
  • Compara em marketplaces;
  • Consulta IA para esclarecer dúvidas.

O dado revela uma mudança estrutural: o consumidor não quer apenas encontrar – ele quer confirmar antes de decidir. Por isso, a jornada deixa de ser linear e passa a ser circular e multicanal.

Para as empresas, o impacto é direto: estar bem posicionado no Google já não garante conversão. É preciso existir – com consistência – em vários pontos da jornada.

A fragmentação da jornada não é apenas uma mudança de canal, mas de lógica de consumo. Segundo Lilian Carvalho, educadora empresarial, com atuação em comportamento do consumidor, o processo de busca se tornou distribuído e contextual. “Hoje, a pesquisa é mais fragmentada. O usuário utiliza diversos canais para buscar informações e espera encontrar respostas no próprio ambiente em que está, seja no Google, no YouTube, nas redes sociais ou em ferramentas de Inteligência Artificial”, explica.

Para ela, esse movimento não reduz a importância do Google, mas redefine seu papel como instância de validação dentro de um ecossistema mais amplo.

O celular transforma a busca em decisão imediata

Se a jornada mudou, o dispositivo também mudou.

Hoje, 9 em cada 10 buscas por produtos ou serviços acontecem no smartphone

Mais do que um dado de uso, isso revela uma mudança no contexto da decisão.

O consumidor não pesquisa mais em momentos planejados. Ele decide:

  • No transporte;
  • Dentro da loja;
  • Durante uma conversa;
  • Ou no meio de um impulso.

A relevância do dado está aqui: a busca deixou de ser uma etapa separada – ela passou a acontecer dentro do próprio momento de consumo.

Para empresas, isso impõe um novo padrão:

  • Velocidade;
  • Clareza;
  • E experiência mobile impecável.

Sem isso, a marca simplesmente não entra na decisão.

Redes sociais e marketplaces: influência real

O estudo ainda mostra que o consumidor não apenas busca – ele também descobre produtos fora do Google. Os marketplaces lideram a descoberta (27,3%), enquanto redes sociais e Google dividem a atenção.

Além disso:

  • YouTube e redes sociais funcionam como motores de busca;
  • Conteúdos visuais e experiências reais ganham protagonismo.

O dado aponta uma mudança importante: a decisão começa cada vez mais por estímulo, não por intenção.

Ou seja:

Antes → o consumidor procurava algo.
Agora → ele é impactado e passa a considerar.

Para as empresas, isso muda a lógica de atuação: não basta responder à demanda – é preciso gerar interesse antes mesmo da busca.

Confiança se tornou o principal critério de escolha

Se o consumidor circula por vários canais, ele também se torna mais criterioso. O estudo revela que:

  • 82% conseguem diferenciar anúncios de resultados orgânicos;
  • Mais da metade evita clicar em links patrocinados;
  • Conteúdos orgânicos são percebidos como mais confiáveis.

E mais: avaliações de consumidores são o fator mais influente na decisão

A relevância desse dado é decisiva: o consumidor não rejeita a publicidade, mas ele não confia nela sozinho.

Ele busca validação em:

  • Experiências reais;
  • Múltiplas fontes;
  • Repetição de informação.

Para empresas, isso muda o jogo: reputação passa a ser mais importante do que exposição.

A IA ajuda – mas não decide

A IA já faz parte da jornada de compra, mas ainda ocupa um papel específico.

O estudo mostra que:

  • 46,5% usam IA com frequência;
  • Mas 54,2% utilizam como complemento, não substituição.

Na prática, o consumidor usa IA para:

  • Entender melhor um produto;
  • Resumir avaliações;
  • Comparar opções.

O dado revela um ponto importante: a IA não elimina a busca – ela reorganiza a informação. E mais: mesmo após usar IA, muitos consumidores voltam ao Google para validar a resposta. Ou seja: a decisão continua sendo multicanal; e baseada em confiança acumulada.

A presença crescente da Inteligência Artificial na jornada de compra não significa substituição da decisão humana, mas sim uma reorganização do processo. Para Lisane Andrade, CEO e cofundadora da Niara, empresa especializada em estratégia digital e comportamento do consumidor – a IA atua como facilitadora, mas não como decisora.

“O consumidor espera rapidez, mas também espera que alguém indique o que é bom ou não. Hoje, ferramentas de IA já ajudam a identificar marcas, entender produtos e decidir pela compra, trazendo mais agilidade para esse processo”, afirma. Ainda assim, segundo ela, a decisão final continua sendo construída a partir da validação em diferentes fontes, especialmente aquelas que transmitem maior confiança.

A jornada virou um sistema de validação

Talvez o dado mais importante do estudo não esteja em um único número, mas no comportamento geral. O consumidor: cruza informações; compara versões; valida fontes. E só então decide.

Inclusive, quando há divergência, ele tende a recorrer ao Google como instância final de validação

A relevância aqui é clara: o consumidor não busca mais rapidez a qualquer custo – ele busca segurança na escolha.

Isso explica por que a jornada ficou mais longa, mais complexa e mais criteriosa.

Por fim, além da fragmentação, a própria forma de buscar está mudando. Para Erich Casagrande, líder de Marketing na Semrush, empresa global de tecnologia e dados para marketing digital, o consumidor está migrando de uma lógica técnica para uma interação mais natural. “Estamos saindo de uma busca baseada em palavras-chave para uma busca mais conversacional. As pessoas querem perguntar do seu jeito, como em uma conversa”, destaca.

Segundo ele, essa evolução aproxima a tecnologia do comportamento humano, mas também aumenta o nível de exigência por respostas mais claras, relevantes e confiáveis. E é justamente aí que está o ponto central para as empresas.

Se o consumidor busca de forma mais fluida, conversa com a tecnologia e valida informações em múltiplos canais, a responsabilidade das marcas também muda. Não se trata mais apenas de aparecer – mas de sustentar uma presença consistente, confiável e coerente ao longo de toda a jornada. Na prática, isso significa que o relacionamento entre empresas e consumidores está sendo redesenhado em tempo real – com mais autonomia do lado de quem compra e mais exigência do lado de quem vende.

É nesse novo cenário que surgem as principais transformações dessa relação – e elas vão muito além da tecnologia.

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