Na véspera de mais uma partida da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, milhões de torcedores já se preparam para torcer. Mas, para uma parcela crescente da população, essa experiência não se resume à assistir ao jogo e comemorar gols. Ela também passa pelas apostas esportivas.
Pesquisa inédita da Hibou, realizada entre 10 e 16 de junho com 1.120 brasileiros, mostra que 37% dos consumidores pretendem fazer apostas durante a competição. Na prática, isso significa que mais de um em cada três brasileiros planeja colocar algum dinheiro em jogo ao longo do Mundial.
O dado confirma a consolidação das apostas como parte do ecossistema de entretenimento esportivo. Ao mesmo tempo, revela um comportamento marcado por cautela financeira e preocupação com os riscos associados à atividade.
Copa amplia interesse por apostas esportivas
Grandes eventos esportivos costumam alterar hábitos de consumo. Durante a Copa do Mundo, aumentam as vendas de eletrônicos, alimentos para confraternizações, serviços de streaming e produtos relacionados ao futebol. Agora, as apostas também entram nesse pacote.
Segundo o levantamento, o principal incentivo para apostar é a possibilidade de ganhar dinheiro extra, apontada por 46% dos entrevistados. Logo atrás aparece a diversão, mencionada por 45%.
Além disso, 30% afirmam que apostam para tornar os jogos mais emocionantes, enquanto 21% acreditam ter conhecimento suficiente sobre futebol para transformar palpites em ganhos financeiros.
Para Ligia Mello, CSO da Hibou, a Copa potencializa um comportamento que já vinha sendo incorporado pelos consumidores brasileiros. “As apostas deixaram de ser apenas palpites isolados e passaram a integrar a experiência de entretenimento em tempo real, especialmente em eventos esportivos de grande alcance”, afirma.

Apostador brasileiro é mais intuitivo
Apesar da popularização das plataformas digitais e da enorme oferta de estatísticas, o perfil predominante está longe da figura do apostador profissional.
A pesquisa mostra que 45% se consideram apostadores casuais, que fazem apostas sem estratégias sofisticadas ou análises avançadas. Outros 32% afirmam ainda estar descobrindo como funcionam as plataformas e quais modalidades preferem.
Os perfis mais especializados representam uma minoria: apenas 17% se identificam como “punters”, focados em apostas pré-jogo, enquanto somente 6% se definem como “traders”, que acompanham o mercado em tempo real e ajustam suas posições durante as partidas.
Outro dado que chama atenção é a chegada de novos consumidores ao universo das apostas. De acordo com o estudo, 9% dos entrevistados pretendem fazer sua primeira aposta justamente durante a Copa do Mundo. Além disso, 21% começaram a apostar há menos de seis meses.
Os números sugerem que eventos esportivos de grande visibilidade continuam funcionando como porta de entrada para novos usuários, ampliando o alcance das plataformas. E muitos deles permanecem.
Maioria aposta até R$ 50 por rodada
Se o interesse cresce, o orçamento continua relativamente controlado. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirma que pretende gastar, no máximo, R$ 50 por rodada durante a Copa. Outros 13% projetam desembolsar entre R$ 51 e R$ 100.
Apenas 4% planejam investir mais de R$ 500 por rodada. O comportamento também aparece quando os consumidores são questionados sobre a estratégia financeira para o torneio. Para 54%, os gastos permanecerão exatamente no mesmo patamar das apostas realizadas ao longo do ano.
Em contrapartida, apenas 17% admitem que pretendem aumentar os valores apostados por causa da Copa. Os dados indicam que, embora o Mundial estimule o interesse pelas bets, a maior parte dos consumidores procura evitar mudanças significativas no orçamento.

Confiança vale mais do que bônus
Em um mercado cada vez mais competitivo, a reputação das plataformas aparece como fator decisivo para os usuários.
Quando questionados sobre os critérios para escolher uma casa de apostas, 40% apontaram confiança e credibilidade como os atributos mais importantes. Na sequência aparecem:
- Indicação de amigos e familiares (33%).
- Promoções e bônus (29%).
- Facilidade de uso da plataforma (25%).
- Reconhecimento internacional da marca (24%).
O resultado sugere que a confiança continua sendo um ativo central em um setor que vem passando por regulamentações e maior escrutínio público.
Lotéricas ainda lideram a preferência
Mesmo com a expansão das plataformas digitais, as lotéricas seguem ocupando espaço relevante na rotina dos apostadores brasileiros. De acordo com a pesquisa, 66% dos entrevistados utilizam as loterias da Caixa para realizar ou acompanhar apostas esportivas.
Os aplicativos das próprias plataformas aparecem em segundo lugar, com 22%, seguidos pelos sites acessados via computador, com 20%.
O dado revela que a digitalização avança, mas ainda convive com canais tradicionais de atendimento e operação.
Consumidor reconhece risco de dependência
Talvez o dado mais relevante do levantamento esteja relacionado à percepção dos próprios consumidores sobre os riscos envolvidos.
Oito em cada dez brasileiros (80%) concordam que as apostas esportivas podem se transformar em um vício. Além disso, 34% afirmam já ter enfrentado algum impacto financeiro ou emocional decorrente das apostas em algum momento, ainda que para a maioria esses episódios tenham sido pontuais.
Entre os entrevistados:
- 23% relatam impactos raros.
- 5% dizem enfrentar o problema algumas vezes.
- 4% afirmam lidar frequentemente com consequências negativas.
Os números mostram uma convivência cada vez mais complexa entre entretenimento, expectativa de ganho financeiro e preocupação com saúde mental.

Entre diversão e responsabilidade
A pesquisa da Hibou retrata um mercado que continua crescendo, especialmente durante eventos de grande mobilização popular como a Copa do Mundo.
Por um lado, as apostas se consolidam como parte da experiência esportiva para milhões de brasileiros. Por outro, a própria população demonstra consciência sobre os riscos associados ao hábito.
Nesse cenário, o Mundial de 2026 deve funcionar como mais um teste para entender até que ponto o avanço das apostas esportivas será acompanhado por práticas de consumo responsáveis e mecanismos efetivos de proteção aos usuários.
Segurança dos apostadores
Com a regulamentação do mercado de apostas, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, podem oferecer apostas esportivas e jogos online no País. As plataformas legalizadas utilizam o domínio “.bet.br” e podem ser consultadas em lista pública disponibilizada pelo governo federal.
Antes de realizar qualquer aposta, o consumidor pode verificar se a empresa está autorizada por meio do sistema oficial do governo. A medida busca aumentar a segurança dos usuários e reduzir riscos relacionados a plataformas irregulares.





