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CM Responde: Qual é a principal fonte de informação dos brasileiros?

CM Responde: Qual é a principal fonte de informação dos brasileiros?

O feed venceu a homepage. E isso mudou a forma de informar, vender e construir confiança
O feed venceu a homepage. E isso mudou a forma de informar, vender e construir confiança
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Shutterstock
As redes sociais superaram a TV como principal fonte de informação no Brasil, com 53% dos consumidores usando-as semanalmente (Instagram lidera, seguido de WhatsApp e YouTube). A confiança nas notícias caiu para 36% e 47% dos brasileiros evitam notícias com frequência. Influenciadores ganham espaço como mediadores da informação (33%), e IA já é usada por 13% para buscar conteúdo. O desafio das marcas é unir alcance, relevância e credibilidade num ambiente cada vez mais fragmentado.

Até pouco tempo, o consumo de informação seguia uma lógica relativamente previsível: as pessoas ligavam a televisão, compravam jornais, ouviam rádio ou acessavam diretamente os sites de seus veículos preferidos. Essa dinâmica mudou, e está alterando também a forma como o conteúdo é absorvido e como as empresas encontram esse consumidor.

É isso que mostra o estudo Digital News Report 2026, produzido anualmente pelo Reuters Institute. Entre os pontos que mais chamam atenção no levantamento, está a preferência das redes sociais como principal fonte de informações no Brasil – deixando a televisão no passado.

Mais do que uma mudança de canal, trata-se de uma mudança de comportamento. O brasileiro está mais conectado, mais visual, mais fragmentado e mais seletivo na forma como consome conteúdo.

Ao mesmo tempo, ele também está mais cansado: 47%, afirmam evitar notícias às vezes ou com frequência. Além disso, a confiança geral nas notícias caiu para 36%, o menor nível registrado pelo estudo no País desde 2014.

O cenário revela uma contradição importante: nunca foi tão fácil alcançar pessoas, mas conquistar sua confiança continua sendo um desafio.

A notícia encontra o consumidor

Com a transformação digital e a mudança dos hábitos, o consumidor deixou de ir atrás das informações. Agora, em vez de reservar um momento para se informar, ele espera que os conteúdos o encontrem, tornando a descoberta contínua e integrada à rotina.

No Brasil, 53% dos consumidores utilizam redes sociais como fonte semanal de notícias. A maioria ainda prefere o Instagram (49%), mas WhatsApp (46%) e YouTube (42%) também ganham cada vez mais espaço dentro desse comportamento.

O Instagram se destaca pela descoberta rápida de conteúdo. O WhatsApp funciona como canal de circulação e compartilhamento. Já o YouTube oferece profundidade, contexto e permanência.

Nesse contexto, a atenção se tornou o ativo mais disputado da economia digital. Uma notícia pode aparecer entre vídeos de entretenimento. Uma análise econômica pode surgir no meio de um carrossel sobre finanças pessoais. Uma reportagem pode ser encontrada por meio de um criador de conteúdo ou compartilhada em um grupo de mensagens.

Hoje, a competição envolve veículos de comunicação, influenciadores, especialistas, marcas, criadores independentes, plataformas digitais e empresas de tecnologia. Todos disputam o mesmo recurso: o tempo do usuário.

Alcance vs. confiança nas redes sociais

O avanço das plataformas digitais não significa que elas tenham se tornado as fontes mais confiáveis de informação. O estudo mostra que apenas 22% dos entrevistados afirmam confiar nas notícias encontradas nas redes sociais.

A diferença ajuda a explicar um fenômeno cada vez mais comum: conteúdos com enorme alcance nem sempre conseguem gerar confiança. Na prática, alcance e credibilidade deixaram de caminhar juntos.

Uma publicação pode alcançar milhões de pessoas em poucas horas. No entanto, isso não significa que será considerada verdadeira, relevante ou confiável. Para empresas, essa distinção é fundamental: ganhar visibilidade é importante, mas construir confiança continua sendo indispensável.

Vídeo, podcast e IA redesenham hábitos

Globalmente, 77% dos entrevistados consomem vídeos online todas as semanas. Embora o relatório não apresente um percentual equivalente para o Brasil nesse indicador específico, os dados nacionais apontam para a mesma direção: o YouTube (42%) está entre as plataformas mais utilizadas para acesso a informações.

Ao mesmo tempo, novos formatos seguem ganhando espaço. No Brasil, 11% dos consumidores acompanham podcasts informativos semanalmente.

Já os chatbots de Inteligência Artificial utilizados para buscar ou resumir informações alcançaram 13% dos entrevistados. O dado chama atenção porque revela uma mudança importante no comportamento digital.

O dado mostra que o consumidor não busca apenas informação. Ele busca conveniência. Quer respostas rápidas quando está com pouco tempo; vídeos quando procura agilidade. E podcasts quando deseja aprofundamento. O conteúdo passou a competir não apenas pela qualidade, mas também pela facilidade de consumo.

Influenciadores mudaram as regras do jogo

Outro movimento relevante apontado pelo estudo é o crescimento dos criadores de conteúdo como intermediários da informação. No Brasil, 33% dos entrevistados afirmam consumir notícias de influenciadores. O dado ajuda a explicar uma mudança mais ampla na forma como as pessoas descobrem, interpretam e compartilham informações.

Hoje, a informação pode aparecer mediada por um especialista, um analista de mercado ou um produtor de conteúdo que traduz temas complexos para uma linguagem mais acessível ou por um veículo de comunicação. Mas a preferência é por criadores, que entregam formatos mais conversacionais.

Em um ambiente marcado pelo excesso de informação e pela queda da confiança nas notícias, que atingiu 36% no Brasil, muitos consumidores buscam referências que consideram mais próximas, didáticas e compreensíveis.

Isso significa que influenciadores a disputar atenção em condições mais equilibradas. Para marcas, a lição é clara: a comunicação institucional tradicional perdeu espaço para modelos mais humanos, mais didáticos e mais conversacionais.

O que as marcas precisam aprender com esse cenário?

A principal lição é que o comportamento do público continua mudando. Os dados do Reuters Institute mostram um consumidor mais conectado às plataformas digitais, mais habituado ao vídeo e mais disposto a descobrir informações por meio de redes sociais e criadores de conteúdo.

Nesse contexto, estar presente nos canais tradicionais continua sendo importante para gerar credibilidade. Mas já não é suficiente.

O estudo sugere que formatos mais visuais, linguagens mais acessíveis e modelos de comunicação mais próximos da audiência tendem a ganhar espaço em um cenário marcado pela fragmentação da atenção e pela crescente disputa por relevância.

Por isso, a pergunta deixou de ser apenas “onde publicar?” para ser como tornar o conteúdo mais útil, compreensível e relevante para o público que se deseja alcançar.

Quem explica melhor ganha atenção

Produzir conteúdo já não é o principal desafio há muito tempo. Para ganhar a atenção do consumidor, é preciso produzir o melhor conteúdo, na linguagem adequada, no formato que facilita a vida do consumidor: responde dúvidas reais, simplifica temas complexos, entretém.

Agora, o mais importante é respeitar o tempo do usuário e entregar valor antes de tentar vender alguma coisa.

O Digital News Report 2026 mostra que a disputa pela atenção está cada vez mais intensa. Mas também deixa uma mensagem clara: as marcas que conseguirem unir alcance, relevância e confiança estarão mais preparadas para construir relacionamentos duradouros porque o consumidor continua procurando respostas. Ele apenas passou a encontrá-las de uma forma diferente.

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