O número de brasileiros inadimplentes chegou a 81,7 milhões em 2026, um aumento de 38,1% em relação a 2016, segundo levantamento da Serasa. O estudo mostra que o crescimento ocorreu mesmo em períodos de queda da taxa básica de juros, indicando que o endividamento das famílias se tornou um desafio estrutural ao longo da última década.
Diante desse cenário, instituições financeiras vêm investindo em tecnologia, Inteligência Artificial e análise de dados para tornar a concessão de crédito mais assertiva e incentivar uma relação mais saudável dos consumidores com o dinheiro. O tema estará entre os debates do Seminário CCX – Credit and Collection Experience, evento que contará com a participação de Mauro França Rangel, diretor de Crédito e Recuperação do Inter.
Com uma base superior a 43 milhões de clientes, o Inter acompanha diferentes perfis de renda e consumo e tem observado mudanças importantes na forma como os brasileiros se relacionam com o crédito.
“Se antes a principal preocupação era apenas ter acesso a recursos, hoje há uma busca crescente por transparência, previsibilidade e controle sobre a vida financeira. Os consumidores querem entender melhor como são avaliados, quais fatores influenciam sua capacidade de crédito e como podem melhorar esse perfil ao longo do tempo”, afirma Rangel.
Por trás desse comportamento está o uso de dados e Inteligência Artificial, que tem permitido às instituições financeiras conhecer melhor seus clientes, entender seus hábitos financeiros e desenvolver comunicações e ofertas mais personalizadas.
Para Rangel, essa evolução tem contribuído para aumentar a autonomia financeira dos consumidores. “Percebemos um cliente mais engajado na gestão das próprias finanças, que busca ferramentas capazes de apoiar decisões mais conscientes no dia a dia. Esse movimento reforça a importância de oferecer uma experiência simples, transparente e que contribua para uma relação mais saudável e sustentável com o crédito”, explica.
Ferramentas da transparência
Um dos exemplos é a ferramenta Meu Crédito. Desenvolvida pelo Inter, ela permite que os clientes acompanhem sua nota de crédito, entendam quais fatores impactam sua avaliação e recebam orientações para fortalecer sua saúde financeira.
O investimento em IA acompanha um movimento de transformação digital do setor. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, estimou que os investimentos dos bancos em tecnologia pudessem chegar a R$ 47,8 bilhões, impulsionados principalmente pela necessidade de criar estruturas capazes de suportar aplicações cada vez mais avançadas de IA.
“Por meio de inteligência analítica e canais digitais, conseguimos oferecer soluções mais adequadas à realidade de cada pessoa, tornando esse processo mais simples, transparente e menos desgastante.”, pontua Rangel.
Crédito responsável em foco
Apesar dos avanços com tecnologia, a inadimplência segue em alta e acende o alerta para o crédito responsável. Para o diretor do Inter, a expansão das carteiras deve caminhar lado a lado com uma gestão criteriosa de risco e com o uso de tecnologia para adequar a oferta de crédito à realidade financeira de cada consumidor.
Segundo ele, mais do que ampliar limites ou disponibilizar novas linhas de financiamento, o desafio das instituições é construir relações de longo prazo e evitar situações de superendividamento.
“O crédito deve ser uma ferramenta para impulsionar projetos e contribuir para uma vida financeira mais equilibrada”, ressalta.
Recuperação de crédito mais personalizada
A tecnologia também vem transformando a etapa de recuperação de crédito, tradicionalmente vista pelos consumidores como um processo burocrático e desgastante.
De acordo com Rangel, o uso de inteligência analítica e canais digitais permite criar estratégias mais personalizadas de negociação, levando em consideração o perfil e o momento financeiro de cada cliente. A proposta é tornar a regularização das dívidas mais simples e eficiente, preservando o relacionamento entre instituição e consumidor.
“A recuperação faz parte do relacionamento de longo prazo. Nosso objetivo é apoiar a reorganização financeira dos clientes e preservar uma relação baseada em confiança”, afirma.
Consumidores mais atentos à saúde financeira
Além dos desafios relacionados à inadimplência, o Inter observa uma mudança de comportamento entre os brasileiros. Segundo o executivo, cresce o interesse por ferramentas que auxiliem no acompanhamento da vida financeira e ofereçam mais informações para a tomada de decisões.
A tendência sugere uma evolução na relação dos consumidores com o crédito. “Os consumidores não buscam apenas acesso a serviços financeiros digitais, mas também ferramentas que os ajudem a tomar decisões melhores”, destaca.
Nesse contexto, tecnologia, educação financeira e uso inteligente de dados surgem como aliados para enfrentar um problema que já afeta mais de 81 milhões de brasileiros e que segue entre os principais desafios do mercado de crédito no País.
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