/
/
Mais de 25 milhões de brasileiros apostam em plataformas ilegais, diz governo

Mais de 25 milhões de brasileiros apostam em plataformas ilegais, diz governo

Legenda da foto
Shutterstock
O governo federal endureceu o combate às plataformas ilegais de apostas online. Nesta sexta-feira (19), publicou um decreto que amplia os mecanismos de bloqueio financeiro contra operadores não autorizados, permitindo inclusive o perdimento de bens e a destinação dos recursos apreendidos ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

O governo federal anunciou uma nova ofensiva contra o mercado ilegal de apostas online. Nesta sexta-feira (19 de junho), foi publicado o Decreto nº 13.033. O documento amplia os mecanismos de bloqueio financeiro contra operadores não autorizados e permite que recursos apreendidos sejam destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

O governo anunciou a medida no mesmo dia em que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, revelou que 25,2 milhões de brasileiros apostam em plataformas ilegais.

De acordo com o ministro, as operações clandestinas já representam entre 41% e 51% do volume das empresas que atuam regularmente no país. “Já bloqueamos mais de 40 mil sites. São 25,2 milhões de brasileiros apostando nessas plataformas”, afirmou.

O diagnóstico reforça um desafio para o setor regulado: embora o mercado brasileiro de apostas esteja passando por um processo de formalização, uma parcela expressiva dos consumidores continua acessando plataformas que operam fora das regras estabelecidas pelo governo.

Novo decreto mira o fluxo financeiro das bets ilegais

Em conclusão, a principal novidade do decreto é a ampliação dos mecanismos de asfixia financeira contra operadores irregulares. Na prática, quando a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, identificar uma plataforma sem autorização, poderá emitir um auto de constatação formalizando a irregularidade.

A partir daí, instituições financeiras e empresas de pagamento serão notificadas para bloquear recursos e interromper transações relacionadas ao operador investigado. O objetivo é atingir diretamente a capacidade financeira das empresas clandestinas.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a estratégia busca impedir que organizações ilegais utilizem o sistema financeiro para sustentar suas atividades. “Ao bloquear a circulação de recursos em operações de bets não autorizadas, a norma atinge o centro econômico das atividades ilícitas”, declarou.

Mercado ilegal preocupa autoridades

A preocupação do governo vai além da arrecadação tributária. De acordo com Wellington Lima, o ambiente das apostas ilegais tem atraído grupos ligados ao crime organizado, que encontram nesse mercado oportunidades para movimentação de recursos e expansão de atividades ilícitas.

O tema ganhou ainda mais relevância após a operação Conto da Sorte, realizada nesta semana por órgãos de investigação em Pernambuco, Ceará e São Paulo. A ação apura um esquema bilionário relacionado à exploração irregular de apostas de quota fixa. As investigações tiveram origem em análises técnicas da Secretaria de Prêmios e Apostas e da Receita Federal.

Segundo informações divulgadas pelo governo, apenas 350 pessoas, utilizando 37 instituições financeiras, estariam ligadas à operação de mais de 40 mil aplicativos e sites ilegais já derrubados pelas autoridades.

Consumidor continua exposto a riscos

O crescimento das plataformas ilegais também amplia os riscos para os consumidores.

Diferentemente das empresas autorizadas, operadores clandestinos não estão sujeitos às exigências de fiscalização, transparência, prevenção à lavagem de dinheiro e mecanismos de jogo responsável previstos pela regulamentação brasileira.

Isso significa que usuários podem enfrentar dificuldades para resgatar valores, registrar reclamações ou comprovar operações realizadas dentro dessas plataformas.

Além disso, ambientes não autorizados costumam escapar dos controles que exigem verificação de identidade, monitoramento de comportamento de risco e ferramentas de proteção ao jogador.

Apostas seguem populares no Brasil

O avanço do mercado ilegal ocorre em um cenário de forte adesão dos brasileiros às apostas digitais, conforme aponta a nova edição da pesquisa Super Panorama Mobile Time/Opinion Box. O estudo divulgado nesta semana mostra que as apostas online seguem entre os serviços digitais mais presentes na rotina dos usuários de smartphones.

O estudo ouviu 4.138 brasileiros e analisou hábitos relacionados ao uso de aplicativos, redes sociais, inteligência artificial, streaming, games e apostas digitais.

Embora a pesquisa não tenha como foco a distinção entre operadores legais e ilegais, seus resultados reforçam o tamanho do mercado e o desafio enfrentado pelos órgãos reguladores para direcionar os consumidores para plataformas autorizadas.

Governo promete reforçar fiscalização

Desde outubro de 2024, a Secretaria de Prêmios e Apostas mantém um acordo de cooperação com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O objetivo é combater operadores clandestinos.

O governo já bloqueou mais de 50 mil domínios ilegais. As ações também incluem monitoramento de publicidade irregular, remoção de perfis que promovem apostas não autorizadas e retirada de aplicativos ilegais das lojas digitais.

Paralelamente, a administração federal busca fortalecer mecanismos de jogo responsável. Entre eles está a plataforma nacional de autoexclusão, criada para permitir que apostadores solicitem o bloqueio de acesso a todas as casas autorizadas em uma única operação. Os sistemas de apostas já registraram mais de 650 mil pedidos de autobloqueio, segundo dados oficiais.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Após tragédia em rope jump, especialistas explicam quando empresas respondem por acidentes e quais são os direitos do consumidor.
Quando a aventura termina em tragédia: quem responde quando a segurança falha?
Após tragédia em rope jump, especialistas explicam quando empresas respondem por acidentes e quais são os direitos do consumidor.
Varejo projeta aumento de custos, necessidade de contratações e avanço da tecnologia no varejo caso o fim da escala 6x1 avance no Congresso.
Varejo calcula impactos da redução da jornada e vê pressão sobre custos
Aumento de custos, necessidade de contratações e avanço da tecnologia estão entre as projeções do setor
Com o Brasil em campo, especialistas alertam para compras impulsivas, parcelamentos longos e riscos financeiros durante a Copa do Mundo.
A Copa passa e as parcelas ficam: os erros que podem custar caro ao torcedor
Com o Brasil em campo, especialistas alertam para compras impulsivas, parcelamentos longos e riscos financeiros durante a Copa do Mundo.
O Congresso discute o fim da escala 6x1 e a PEC do Trabalho Flexível. Qual é o impacto para trabalhadores, empresas e consumidores?
Escala 6x1, trabalho flexível e a reorganização de uma economia que funciona em horários estendidos
O Congresso discute o fim da escala 6x1 e a PEC do Trabalho Flexível. Qual é o impacto para trabalhadores, empresas e consumidores?

Webstories

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]


Leandro Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Carolina Paes
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Gerente
Leonam Dias

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Parceria entre McDonald’s e Coca-cola pode estar em crise Você sabia que pode pagar mais por ser mulher? Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil