A escolha do banco pode dobrar o custo do empréstimo consignado. É o que revela uma nova pesquisa do Procon-SP, que mostra disparidades significativas nas taxas de juros cobradas pelas principais instituições financeiras do País. O levantamento, realizado em 10 de outubro, comparou as taxas cobradas em contratos de 12 e 48 meses entre seis instituições financeiras que oferecem crédito consignado a servidores públicos, aposentados do INSS e funcionários da iniciativa privada.
De acordo com o estudo, um trabalhador da iniciativa privada pode pagar 2,66% ao mês em um banco ou 5,39% em outro. Uma diferença de 2,73 pontos percentuais, o que representa uma variação superior a 100% em relação à menor taxa. A análise também indica aumento nas médias de juros em comparação a outubro de 2024, principalmente para aposentados do INSS e funcionários da iniciativa privada.
Juros mais altos para a iniciativa privada
A menor taxa média para contratos de 12 meses foi registrada entre aposentados do INSS, com 1,84% ao mês, enquanto a mais alta, 4,47%, foi aplicada a funcionários da iniciativa privada. O mesmo padrão se repete nos contratos de 48 meses, com taxas variando de 1,84% a 4,06% ao mês.
As diferenças entre bancos para o mesmo perfil de cliente continuam expressivas. Para trabalhadores da iniciativa privada com contrato de 12 meses, um banco informou taxa de 3,30%, enquanto outro aplicou 6,28% ao mês.
Comparando com a pesquisa de junho de 2025, houve redução das taxas médias para servidores públicos estaduais e aumento para empregados da iniciativa privada. Já nos contratos de 48 meses, as taxas caíram levemente para servidores estaduais e aposentados do INSS, mas subiram para funcionários de empresas privadas, servidores federais e para quem contrata pelo Programa de Crédito ao Trabalhador, criado pelo governo federal.
Em outubro, as taxas médias dessas duas últimas categorias ficaram muito próximas: 4,41% ao mês (crédito ao trabalhador) e 4,47% ao mês (funcionário de empresa privada), após a primeira pesquisa indicar uma diferença maior.
Mesmo com as oscilações, o Procon-SP ressalta que o consignado continua apresentando juros menores que os do empréstimo pessoal tradicional. A comparação, contudo, só pôde ser feita para o prazo de 12 meses, já que o mercado não divulga dados equivalentes para contratos mais longos. O Banco Bradesco informou que não oferece crédito consignado para o Programa de Crédito ao Trabalhador com prazo de 12 meses.
Aposentados são principais vítimas de golpes
O órgão alerta que o consignado segue entre os principais alvos de fraudes e descontos indevidos, sobretudo contra aposentados e pensionistas do INSS. Muitos consumidores relatam débitos em seus benefícios sem terem solicitado o empréstimo.
“O crédito consignado é uma modalidade importante e pode ser vantajosa quando contratada de forma consciente. Por isso, é essencial que as instituições financeiras forneçam informações claras e contratos acessíveis, sem omitir custos ou dificultar a compreensão do consumidor”, afirma Nilciane Zalpa, assessora técnica do Procon-SP.
Recomendações do Procon-SP
Para evitar golpes e contratar crédito de forma segura, o Procon-SP orienta os consumidores a:
- Pesquisar e comparar as taxas entre diferentes bancos, sempre nas mesmas condições (valor, prazo e perfil do tomador);
- Evitar contratar por telefone ou mensagem, preferindo o contato direto com o banco ou aplicativo oficial;
- Acompanhar mensalmente o extrato do INSS (pelo app ou site Meu INSS) para verificar possíveis descontos indevidos;
- Desconfiar de ofertas “sem consulta” ou com liberação imediata;
- Registrar reclamação imediatamente no Procon-SP e junto ao INSS em caso de fraude, solicitando o bloqueio do benefício.
Com o aumento das taxas e das tentativas de golpe, o órgão reforça a importância de comparar condições e agir com cautela antes de contratar crédito.





