- 44% dos jovens já reduziram ou interromperam o consumo de álcool.
- Para 54,6%, é possível se sentir mais autêntico sem beber para socializar.
- Entre os moderados, 69,3% já influenciaram alguém a consumir menos álcool.
- 79,2% acompanham ao menos um influenciador de estilo de vida saudável.
- Marcas associadas a hábitos saudáveis despertam mais confiança ou interesse para 70,1% dos entrevistados.
O conceito de “socializar” para os jovens sempre foi previsível: sair à noite, encontrar os amigos, pedir uma bebida e voltar para casa tarde o suficiente para comprometer boa parte do dia seguinte.
Mas boa parte de quem poderia fazer isso, está com outros planos. A corrida em grupo, a aula seguida de café, o encontro durante o dia e os eventos nos quais beber é apenas uma possibilidade mostram que os jovens continuam querendo estar juntos. O que mudou foi a maneira de fazer isso.
Segundo o estudo “Novos Códigos – Os sinais das novas gerações para o futuro das marcas”, da HSR, 44% dos jovens já reduziram ou interromperam o consumo de álcool.
Isso não significa que a Geração Z inteira trocou o copo pelo tênis de corrida, mas que beber deixou de ser uma condição automática para participar e, mais do que isso, para se divertir.
Não beber exige explicação
Entre os jovens pesquisados, 54,6% afirmam que conseguem se sentir mais autênticos sem precisar do álcool para socializar. Essa mudança está ligada à saúde física e mental, ao bem-estar e à vontade de viver uma rotina diferente. Mas também revela uma contradição.

Embora o álcool esteja perdendo parte de seu protagonismo, recusar uma bebida ainda pode provocar perguntas, insistência e até a sensação de estar perdendo alguma coisa. Socializar já não exige necessariamente beber, mas, em muitos grupos, não beber continua exigindo uma justificativa.
Nessa mesma ideia, 32,3% dos entrevistados ainda reconhecem no álcool um papel social, embora metade já alterne bebidas alcoólicas com opções sem álcool.
Os não consumidoress omam 23,6% e, para eles, a bebida nunca foi indispensável. Entre os dois grupos estão os moderados, que representam 44,1% da amostra e formam o principal motor dessa transformação.
São jovens que não necessariamente abandonaram o álcool, mas passaram a rever a frequência, as ocasiões e os motivos para beber.
A mudança passa pelo grupo
Um comportamento deixa de parecer estranho quando mais pessoas começam a adotá-lo. Entre os moderados ouvidos pela HSR, 69,3% já influenciaram alguém a reduzir o consumo de álcool. Ao mesmo tempo, eventos nos quais todos bebem ainda geram pressão.
A bebida, afinal, nunca ocupou apenas o copo. Ela fazia parte do convite, do brinde, da comemoração e da maneira como determinadas ocasiões eram organizadas. Quando seu papel diminui, o desejo de convivência permanece, mas o ritual construído ao redor dela precisa mudar.
O feed ensina a viver
As redes sociais aceleram esse processo ao transformar novos hábitos em referências visíveis. Entre os entrevistados, 79,2% acompanham ao menos um influenciador ligado a estilo de vida saudável e 46,1% já conhecem ou ouviram falar do movimento sober curious, formado por pessoas interessadas em questionar e reduzir o consumo de álcool.

Se antes o feed mostrava principalmente a festa da noite anterior, agora também exibe a corrida da manhã seguinte, a rotina de exercícios, a alimentação, o sono e o cuidado com a saúde mental.
Isso não quer dizer que um creator tenha substituído os amigos. Mas ele pode dar nome, contexto e legitimidade a uma escolha que ainda não é comum no grupo mais próximo. Ao ver outras pessoas recusando bebidas, experimentando alternativas ou organizando encontros em torno do esporte, o jovem entende que há mais de uma maneira possível de participar.
Um território sem dono
Marcas associadas a hábitos saudáveis despertam mais confiança ou interesse para 70,1% dos participantes, mas as respostas do estudo mostram que nenhuma companhia domina esse território.

Para 58,1% dos jovens ouvidos, a tendência de beber menos é real e está crescendo no Brasil. Ainda assim, simplesmente lançar uma versão sem álcool, patrocinar uma corrida ou começar a falar sobre bem-estar não garante relevância para uma marca.
Ela precisa compreender o que as pessoas procuram preservar: o encontro, a diversão, a comemoração e a sensação de fazer parte. “O bem-estar ainda é um território em construção. Para ocupá-lo, as marcas precisam olhar para os jovens para além da compra e reconhecer as escolhas conscientes que estão reorganizando seus hábitos”, afirma o estudante Pedro Secches.
Os jovens ainda querem estar juntos
A Geração Z não está necessariamente rejeitando a festa, o bar ou a bebida, mas está ampliando seu direito de escolher como participar de cada ocasião.
Pode beber em uma noite e correr na manhã seguinte, alternar uma cerveja com uma opção sem álcool, encontrar os amigos em uma balada, numa cafeteria ou durante uma aula. E pode mudar de comportamento sem transformar essa decisão em uma identidade permanente.
É a busca por essa flexibilidade que encerra a série Novos Códigos. As novas gerações não querem marcas que copiem sua linguagem, corram atrás de cada trend ou finjam pertencer ao grupo. Querem empresas capazes de perceber quando os significados mudam.





