/
/
Questões éticas giram em torno do uso da inteligência artificial

Questões éticas giram em torno do uso da inteligência artificial

A tecnologia se tornou um mainstream, mas questões como privacidade, transparência e inclusão estão vindo à tona
Legenda da foto

A inteligência artificial se faz cada vez mais presente no dia a dia das pessoas. Desde o momento em que o consumidor faz uma compra no e-commerce, passando pelo entretenimento em plataformas de streaming, até o andar na rua – sendo acompanhado por câmeras de vigilância inteligentes – a tecnologia é utilizada. E, muitas vezes, ela sequer é notada.

Por trás desses exemplos estão mecanismos capazes de alterar preços após entender o interesse de uma pessoa por determinado produto ou mesmo de compreender as emoções que norteiam comportamentos. Nesse sentido, é possível questionar sobre a privacidade, afinal, é como se os consumidores estivessem hackeados. Mas os usos estão indo muito além disso. Alguns exemplos são robôs sendo responsáveis por realizar processos de contratações dentro de uma empresa e sistemas avançados de reconhecimento facial empregados em políticas de segurança pública. A pergunta que fica é: como é possível garantir o bem da sociedade?

Julien Weissenberg, fundador do A.I Expert e Global Shaper do Fórum Econômico Mundial, que será keynote do evento Customer Voice Experience 2021, no próximo dia 27, afirma que a inteligência artificial está infundindo e seu uso em diferentes âmbitos é um desafio. “A implementação da IA se tornou um mainstream. O resultado é que precisamos nos acostumar e estar cientes de suas limitações”, diz.

Não à toa, recentemente, o governo federal lançou a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA). Ela prevê a primeira política pública orientada ao uso de IA no País e tem como um dos objetivos estratégicos contribuir para a elaboração de princípios éticos para o desenvolvimento e uso responsáveis da tecnologia.

Os grandes desafios da inteligência artificial

Como dito por Julien Weissenberg, a IA virou mainstream e há uma corrida grande por parte do mercado para passar a usá-la e a usufruir dos pontos positivos trazidos por ela. Um exemplo é o uso de bots no atendimento, o que melhora a eficiência, reduz custos e tem a capacidade de incrementar a experiência do cliente se bem construído. De acordo com a Gartner, 47% das organizações usarão chatbots para esse fim e 40% pretendem implementar assistentes virtuais. O cenário faz com que a disponibilidade de especialistas em IA seja menor do que a demanda.

Somando isso ao desafio estrutural para implementar IA, como falta de dados úteis e dificuldade de integração com as funções da empresa, muitos negócios se veem despreparados para o avanço tecnológico.

Julien Weissenberg, fundador do A.I Expert e Global Shaper do Fórum Econômico Mundial

Outra questão está diretamente relacionada com o setor de pesquisa e desenvolvimento. É o que explica Weissenberg: “Precisamos superar nossas limitações de pensar como ser humano. Até agora, maior parte do que foi feito está se reproduzindo, talvez de maneiras diferentes, mas ainda buscamos fazer algo semelhante ao que estamos pensando. Estamos vagamente tentando nos relacionar com o que já sabemos. Vai ser um grande desafio ir além disso”.

Em paralelo, o especialista chama atenção para as questões éticas. Quais soluções de fato devem ser desenvolvidas? Como garantir a transparência de todos os processos?

As questões éticas

Na Coréia do Sul um programa de televisão tem como atração o desafio de adivinhar quem faz melhor determinada ação: o ser humano ou a inteligência artificial. Uma das demonstrações que ganhou o mundo se tratava da apresentação do cantor Kim Kwang-seok, que morreu em 1996, mas estava cantando uma música recente perfeitamente. Isso só foi possível graças a um software de IA desenvolvido no país capaz de usar qualquer voz para colocá-la um objetivo específico, seja para cantar uma música ou dublar uma cena de filme. A ferramenta precisa ser utilizada com limites e por isso outra tecnologia está sendo desenvolvida para que seja informado aonde ela atuou.

Outras ferramentas capazes de “ressuscitar” pessoas já estão disponível. É o caso de uma IA que usa a foto de uma pessoa para criar um vídeo. “Claro que isso gera um apego emocional, mas, ao mesmo tempo, aquilo não é real. É uma questão profunda: o quanto realmente queremos ir nessa direção?”, alerta Julien Weissenberg.

Para o especialista, é preciso pensar por que uma solução está sendo desenvolvida e como ela irá impactar as pessoas. Nesse sentido, uma questão ética citada por ele está relacionada com a inclusão. Como desenvolver IAs que não são tendenciosas? Recentemente, o algoritmo do Facebook foi acusado de enviesar a distribuição de impressões de oportunidades de empregos de acordo com a vaga, direcionando-as de forma desigual para homens e mulheres. Julien conta que essa questão não recebeu a atenção devida em alguns casos, mas que os cientistas de IA estão cada vez mais cientes de que precisam ser cuidadosos com preconceitos.

A questão da transparência é outro tópico importante. “Quanto mais avançados os modelos são, menos clareza eles têm. Por que eles chagaram a determinada conclusão? E isso pode ser bastante problemático. Vamos pensar, por exemplo, em diagnósticos médicos. A IA fala que a pessoa tem uma doença X, mas a gente não tem uma explicação para isso porque é possível que o modelo identifique algo que os seres humanos não conseguiriam. Também fica a questão de quão preciso é o resultado. Há ferramentas que mostram qual dado é responsável pelo resultado, mas muito trabalho deve ser feito para entender as recomendações das IAs”, afirma Weissenberg.

Mas, apesar da importância dos pontos citados anteriormente, Julien ressalta a privacidade dos dados como a questão ética mais séria. “Como tratar os dados das pessoas de uma maneira que siga o escopo do que elas estão dispostas a fazer com eles? Como explicar para as pessoas o que realmente é feito com os dados delas? Como ter certeza que terceiros não terão acesso para fazer algo a mais com eles? Como ter certeza de que as pessoas entendem o valor das informações que estão dando? Qual o preço disso? É necessário que as pessoas saibam da importância dos seus dados.”


+ Notícias 

As frustações do estado de bem-estar digital 

Inteligência artificial no centro da disputa pela hegemonia global 

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Hospitais, restaurantes e contact centers avaliam os desafios do fim da escala 6x1 e os impactos sobre custos, atendimento e produtividade
Nem todo setor consegue trabalhar menos: os desafios do fim da escala 6x1 para operações contínuas
Hospitais, restaurantes e Contact Centers avaliam como reorganizar equipes, absorver custos e manter a qualidade dos serviços
Ação civil pública contra a XP reacende debate sobre COEs, transparência, dever de informação e compreensão de produtos financeiros pelos investidores.
Quando um investimento parece uma coisa, mas é outra
Ação civil pública contra a XP reacende debate sobre COEs, transparência, dever de informação e compreensão de produtos financeiros pelos investidores
Aumento de preço nem sempre é abuso. Entenda quando um reajuste pode violar o Código de Defesa do Consumidor e quais são seus direitos.
Apple aumenta preços: Quando um reajuste pode ser considerado abusivo?
Quando um aumento de preço é abusivo? Entenda o que diz o Código de Defesa do Consumidor
Entenda o que é o Banco Nacional de Celulares com Restrição, como ele funciona e o que muda para quem compra ou vende celulares usados.
O que o Banco Nacional de Celulares com Restrição muda para o consumidor?
Nova plataforma do Governo Federal reúne informações sobre celulares roubados ou furtados e permitirá consultas preventivas antes da compra

Webstories

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]


Leandro Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Carolina Paes
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Gerente
Leonam Dias

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

O seu @ será o novo contato Protocolo pode virar prova na Justiça Quem assiste futebol só pelo futebol? Parceria entre McDonald’s e Coca-cola pode estar em crise