A Porto quer ocupar mais espaço na rotina financeira dos brasileiros. Nesse sentido, a Porto Bank – vertical financeira do grupo – apresenta o Consórcio com Data Certa. A solução, voltada para automóveis, combina características de consórcio e financiamento para oferecer previsibilidade ao consumidor.
Mas o lançamento vai além de um novo produto financeiro. Ele faz parte de uma estratégia maior da companhia, iniciada há alguns anos, de estruturar a Porto em quatro grandes verticais – Seguros, Bank, Saúde e Serviços –, capazes de atuar de forma integrada para ampliar a presença da marca no cotidiano do cliente.
“Queremos inaugurar uma outra etapa dessa conversa”, afirma Marcos Loução, CEO do Porto Bank. “Não é sobre produto isolado. É sobre relacionamento e disponibilidade de produtos que o cliente precisa.”
Porto além do seguro
Desde a reorganização da empresa em quatro verticais independentes, há seis anos, a Porto passou a olhar para sua operação de forma mais transversal. A ideia, segundo Paulo Kakinoff, CEO da Porto, é transformar ativos históricos da companhia, como a relação de confiança construída pelos corretores e a força da marca, em novas oportunidades de relacionamento.
“Planejamento e proteção patrimonial é o que a Porto faz.” Segundo o executivo, a companhia percebeu que seus 19 milhões de clientes ativos passaram a demandar produtos e serviços que extrapolam o universo tradicional do seguro.
Nesse contexto, a Porto Bank ganha protagonismo. Mais do que uma vertical financeira, o banco surge como uma ferramenta de recorrência e frequência de contato com o consumidor.
“Antes, o relacionamento acontecia em momentos pontuais, como a contratação ou renovação do seguro. Agora, a Porto pode estar presente todos os dias”, destaca Luciana Hildebrand, diretora de Meios de Pagamento do Porto Bank.
A executiva chama a atenção para a diferença entre a frequência de contato do corretor com o cliente e a frequência com que esse mesmo cliente utiliza dinheiro no dia a dia. “Quantas vezes por ano o corretor fala com o cliente? Agora pensa quantas vezes ele usa dinheiro.”
A lógica é simples: quanto mais presente a Porto estiver na rotina financeira do consumidor – via cartão, conta, tag de pedágio, Pix ou crédito –, maior será o vínculo com a marca e com o corretor responsável por esse relacionamento.
O corretor como consultor financeiro
A Porto reforça justamente esse papel estratégico do corretor dentro desse ecossistema. A companhia acredita que o profissional pode assumir um espaço que bancos tradicionais perderam nos últimos anos: o da relação próxima e consultiva.
“O gerente de banco perdeu protagonismo. Já o corretor conhece o cliente há muito tempo, conhece a família, os hábitos e tem um nível de confiança muito difícil de replicar”, afirma o economista Samy Dana.
Na visão da companhia, isso cria uma oportunidade para que o corretor amplie sua atuação para além dos seguros e passe também a oferecer produtos financeiros.
Os números apresentados pela empresa mostram que essa estratégia já começou a ganhar escala:
- Mais de 4,4 milhões de clientes utilizam produtos do Porto Bank;
- R$ 68 bilhões já foram transacionados nos cartões da marca;
- O banco registra 11 transações por segundo.
“Frequência gera conversa. Conversa gera negócio”, resume Marcos Loução.

Produto nasce do comportamento do brasileiro
Foi nesse cenário que surgiu o novo Consórcio com Data Certa.
Segundo Carlos Gondim, diretor de Soluções de Acúmulo do Porto Bank, o produto foi desenhado a partir de duas dores identificadas no mercado brasileiro: o alto custo do financiamento e a necessidade de previsibilidade na troca do automóvel.
“O brasileiro tem o hábito de trocar de carro de tempos em tempos, mas esbarra em juros altos e na necessidade de entrada”, explica.
Dados apresentados pela companhia mostram que:
- 21% dos brasileiros desejam trocar de carro a cada dois anos;
- 66% afirmam trocar o veículo porque ele ficou desatualizado ou por hábito;
- Enquanto isso, o financiamento de veículos registra juros médios de 27,7% ao ano.
Ao mesmo tempo, o consórcio tradicional, apesar de mais barato, ainda enfrenta resistência por exigir planejamento e lidar com a incerteza da contemplação.
Foi justamente nesse espaço que a Porto decidiu atuar.
Como funciona o Consórcio com Data Certa
O novo produto combina características do consórcio tradicional com elementos de previsibilidade normalmente associados ao financiamento.
Na prática, o cliente escolhe, no momento da contratação, quando deseja ter acesso ao crédito para comprar o veículo – em 12, 18, 24 ou 36 meses, por exemplo.
“É um produto sem incerteza”, afirma Gondim. “O cliente já sabe quando vai poder trocar de carro.”
Além disso, o modelo mantém algumas características clássicas do consórcio:
- Ausência de juros;
- Parcelas mais acessíveis;
- Possibilidade de contemplação antecipada por sorteio.
A Porto também estabeleceu um teto de correção anual de 3% nas parcelas, tentando reduzir um dos principais desconfortos do consumidor com o consórcio tradicional: a imprevisibilidade nos reajustes.
Segundo a empresa, quanto maior o prazo de planejamento escolhido pelo cliente, mais acessível tende a ser o produto.
Juros e inadimplência impulsionam planejamento
O lançamento acontece em um momento particularmente sensível da economia brasileira.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, destaca que, apesar do início do ciclo de corte da Selic, os juros seguem elevados e o crédito continua pressionando o orçamento das famílias.
Atualmente, cerca de 82 milhões de brasileiros estão inadimplentes. Ou seja, aproximadamente metade da população adulta possui algum tipo de restrição financeira. Além disso, o comprometimento da renda familiar segue elevado.
Nesse contexto, produtos associados a planejamento financeiro tendem a ganhar espaço.
“O consórcio acaba sendo uma alternativa importante em um País onde o crédito continua caro”, explica Samy Dana.
O economista traz ainda uma leitura comportamental sobre o produto. “O consórcio é uma parcela que você paga para você mesmo.”
A fala resume um dos argumentos centrais apresentados pela Porto: em um cenário de juros elevados e dificuldade de poupança, o consórcio passa a ocupar um espaço intermediário entre consumo imediato e planejamento financeiro.
Um produto conectado ao ecossistema Porto
Mais do que vender consórcio, a Porto quer conectar produtos e ampliar o ciclo de relacionamento com o cliente.
O próprio desenho do novo produto parte dessa lógica. Segundo Gondim, um cliente que acabou de contratar o seguro do carro atual já pode começar a planejar a troca do próximo veículo dentro do ecossistema da companhia.
Assim, o consórcio se conecta:
- Ao seguro auto;
- Aos produtos financeiros;
- Ao relacionamento do corretor;
- E às demais jornadas do consumidor dentro da Porto.
A estratégia reforça um movimento maior da companhia: deixar de ser lembrada apenas em momentos específicos, como a renovação do seguro ou um sinistro, para se tornar uma marca presente continuamente na vida financeira do consumidor.
“Porto Bank traz recorrência na relação com o cliente”, resume Luiz Arruda, Vice-Presidente Comercial e de Marketing da Porto. “E principalmente uma alavanca de crescimento para todo o ecossistema.”





