Apesar dos obstáculos persistentes no topo das hierarquias empresariais, as mulheres passaram a ocupar espaços decisórios em grandes corporações com estilos de liderança baseados em empatia, colaboração e visão sistêmica.
Segundo levantamento da Grant Thornton, mulheres já ocupam cerca de 38% das posições de liderança nas empresas brasileiras, percentual acima da média global.
Para Ana Verroni, CMO da 99, as marcas só tendem a ganhar com esse avanço. “Um novo olhar e expertises na construção dos resultados hoje se dão exatamente por uma ação mais presente e protagonista das mulheres.”
Barreiras para a ascensão
O protagonismo feminino nas lideranças em 2026 reflete avanços significativos. Contudo, o cenário ainda é desafiador para mulheres que almejam cargos de liderança. Segundo a pesquisa Mulheres na liderança e alta gestão: barreiras para a ascensão aos espaços de decisão, da FESA Group, ainda estamos longe da equidade no mercado corporativo.
O estudo revela que a estagnação feminina no topo das empresas não decorre da falta de capacidade técnica, mas de uma estrutura corporativa moldada por códigos de comportamento historicamente masculinos.
O levantamento ouviu 595 profissionais de diversos níveis hierárquicos e de todas as regiões do País. O dado central aponta que 86,1% das respondentes concordam que o modelo ideal de liderança ainda é associado a traços masculinos. Essa percepção impõe um alto preço comportamental, já que 91,9% das mulheres já precisaram ajustar sua postura natural para obter respeito ou validação no ambiente de trabalho.
Para as profissionais, os maiores obstáculos ao crescimento são subjetivos: a cultura organizacional (66,1%) e os vieses inconscientes (61,8%) superam as políticas de RH em relevância. Isso se reflete nos feedbacks recebidos: 70,1% das mulheres relatam ter recebido avaliações diferentes das direcionadas aos homens em situações similares.
Confiança na própria voz
Para mulheres que almejam cargos de liderança, Ana afirma que é preciso estar atenta ao universo corporativo e saber como transitar nele. “A forma de se posicionar, bem como o exercício de objetividade e clareza na narrativa, são fatores essenciais da liderança feminina atualmente”, pontua a executiva.
Segundo Ana, é notório o impasse desses aspectos com os estereótipos de gênero, ainda presentes na sociedade. “Por isso, desenvolver confiança na própria voz e buscar espaços de troca e apoio entre mulheres ao longo da carreira pode fazer muita diferença para quem deseja chegar a posições de liderança”, destaca.
No setor de tecnologia, incluindo mobilidade urbana, que é majoritariamente masculino, Ana percebe que trazer um olhar mais plural e diverso é sempre benéfico e, neste contexto, necessário.
“Essa pluralidade traz novas oportunidades e nuances de narrativa, inclusive facilitando a criação de produtos que atendam a diferentes necessidades dos usuários”, pontua.
Um novo posicionamento de marca
Ana ressalta que esse olhar para o feminino na 99 também diz respeito à segurança. Nos últimos anos, a 99 tem investido nessa área e conquistado grandes avanços no desenvolvimento de novas funcionalidades. É o caso de ferramentas de automação que identificam corridas em que as passageiras possam estar mais vulneráveis.
Um dos lançamentos mais recentes da plataforma foi a funcionalidade “Mais Segura”, que aciona o compartilhamento de rota com contatos de confiança, o monitoramento em tempo real e a gravação de áudio da viagem com poucos cliques, buscando oferecer uma forma discreta e eficiente de proteção às passageiras. Pensando nas motoristas parceiras, a companhia lançou o botão “99Mulher”, que permite que elas escolham levar somente passageiras do mesmo gênero.
“Esses investimentos nos ajudam a criar uma aproximação com o público, especialmente o feminino. Eles são parte ativa e importante do posicionamento da empresa, que quer que os usuários saibam que podem contar com a 99 antes, durante e depois das corridas”, explica Ana.
Liderança feminina é diferencial estratégico
Diante da competitividade no mercado de mobilidade atualmente, Ana reforça que o “olhar diverso” da companhia fortalece uma gestão mais moderna e empática.
“É uma proposta que vai ao encontro do que o brasileiro busca. Faz parte da forma como desafiamos o mercado e buscamos inovar para atender melhor às necessidades dos usuários”, frisa.
Nesse contexto, Ana acrescenta que a liderança feminina no marketing tem contribuído para ampliar repertórios e formas de olhar para o consumidor. “Isso ajuda a identificar oportunidades de negócios e desenvolver soluções mais conectadas às necessidades das pessoas”, conclui.
Por mais mulheres no marketing
Em um momento importante de conscientização e valorização do feminino, do respeito ao próximo e dos valores de cidadania, a consolidação do papel da mulher na liderança de setores-chave das organizações, como o marketing, não é apenas sobre desafiar padrões, mas especialmente sobre construir um modelo de liderança que atenda aos desafios de uma sociedade de consumo mais plural, atuante e crítica.
Isso é fundamental para liderar o posicionamento de marca atualmente: uma liderança capaz de construir marcas mais potentes e justas.
Hoje, no marketing, as mulheres representam 52% dos 50 CMOs mais influentes destacados no ranking Elite InfoMoney 2025, superando os 50% registrados em 2024. Somente esse dado corrobora a importância do olhar feminino para as marcas.
Mais do que líderes, as mulheres estão elevando o engajamento e o valor das marcas, atraindo talentos e compreendendo melhor as consumidoras, um público que cresce cada vez mais nas decisões de compra.
Com mais mulheres ocupando posições estratégicas e contribuindo com diferentes perspectivas, quem ganha são as organizações e o mercado.





